quarta-feira, 30 de julho de 2025

Brasil, quem te USA não te ama

Brasil precisa tratar terras raras como ativo geopolítico, alerta ex-ministro da Defesa

Por Ronald Stresser | Sulpost

 
 

O mundo tem desenvolvido cada vez mais tecnologias limpas, dá passos gigantescos na inteligência artificial e também nas disputas silenciosas por soberania, no tabuleiro internacional. O Brasil precisa abrir os olhos para um tesouro que repousa em nosso subsolo: as terras raras. Foi esse o tom do alerta feito nesta quarta-feira (30) pelo general da reserva Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa e atual vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A declaração foi dada durante um evento promovido pela Casa Lide, em São Paulo.

“Nós temos a segunda maior reserva de terras raras do planeta. É matéria-prima estratégica. Isso é de uma importância geopolítica que não pode ser ignorada”, afirmou Azevedo, com a firmeza de quem conhece o jogo do poder global.

Esses elementos, essenciais para a produção de painéis solares, turbinas eólicas, baterias, semicondutores e componentes de defesa, já são tratados como moeda de poder pelas principais potências do mundo. E no centro desse tabuleiro, o Brasil precisa decidir se será apenas fornecedor de matéria bruta — ou protagonista soberano de sua própria tecnologia.

Segundo o general, ainda não houve um posicionamento oficial dos Estados Unidos em relação às reservas brasileiras. No entanto, ele ressaltou que há movimentações importantes dentro do governo federal.

“O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estão empenhados na agenda da mineração estratégica”, disse Azevedo e Silva.

A fala do general ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e EUA, após o ex-presidente Donald Trump impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida, vista por analistas como tentativa de desestabilizar o crescimento do Brasil em setores-chave, levou o governo a considerar o uso da recém-sancionada Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite reações proporcionais a sanções comerciais estrangeiras.

Questionado sobre a possibilidade de as terras raras se tornarem um instrumento de barganha internacional, o ex-ministro não negou. Disse que o setor de mineração acompanha com atenção os desdobramentos e que o Ibram — que reúne 301 associados — já esteve com Alckmin para discutir os impactos de possíveis barreiras comerciais, tanto nas importações quanto nas exportações de insumos críticos.

“Não podemos mais olhar as nossas riquezas com os olhos do passado. O que antes era apenas minério, hoje é poder, é autonomia, é sobrevivência estratégica num planeta em mutação”, completou o general.

O futuro do Brasil, segundo Azevedo, passa não apenas por preservar seus ativos, mas por compreendê-los como alavancas de um novo papel internacional — mais altivo, mais justo e mais respeitado.

 

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