Estudo aponta contaminação acima do limite em espécies consumidas diariamente por ribeirinhos
| © Nayara Jinknss/Greenpeace |
Na Amazônia, o peixe faz parte da rotina. Está no almoço, no jantar, na cultura e na subsistência de milhões de pessoas. Por isso, quando ele entra no radar da ciência, o sinal precisa ser levado a sério.
Um estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) identificou a presença de metais pesados em espécies consumidas na região — em níveis que, em alguns casos, ultrapassam o limite considerado seguro.
O que os pesquisadores encontraram
A pesquisa acompanhou pescadores em diferentes municípios do oeste do Pará, analisando espécies bastante comuns no consumo local. Segundo informa a EBC, os resultados mostram a presença de substâncias como mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo. Em algumas amostras, o nível de mercúrio chegou a valores muito acima do tolerado.
E o dado mais alarmante: o risco foi considerado relevante em todas as espécies avaliadas, levando em conta o padrão de consumo da população local.
Como os peixes são contaminados
Os metais pesados não aparecem por acaso. Eles têm origem em atividades que já fazem parte da paisagem da região: o garimpo ilegal de ouro, que utiliza mercúrio na mineração, além de devastar grandes áreas de floresta nativa.
O avanço do agronegócio predatório, que além de desmatar quilômetros da mata, usa agrotóxicos em larga escala, somados a diversos tipos de fertilizantes, tudo aplicado de maneira irregular, o que acaba contaminando os lençóis freáticos.
Esses elementos acabam sendo levados para os rios e entram na cadeia alimentar. Com o tempo, se acumulam — principalmente em peixes que estão no topo dessa cadeia, como os predadores.
O impacto no dia a dia
Para quem vive nos centros urbanos, o consumo de peixe costuma ser ocasional. Na Amazônia, não. Para muitas comunidades ribeirinhas, ele é a principal fonte de proteína. Isso muda completamente o nível de exposição aos contaminantes.
O consumo frequente aumenta o risco de efeitos à saúde, que podem incluir problemas neurológicos e outras complicações ao longo do tempo.
Um alerta que clama por equilíbrio
Apesar dos dados, os pesquisadores não recomendam interromper o consumo de peixe. A questão é mais complexa. O peixe continua sendo essencial para a segurança alimentar dessas populações. O desafio está em reduzir a contaminação na origem e ampliar o monitoramento.
Meio ambiente e saúde caminham juntos
O estudo reforça algo que já vem sendo discutido há anos: não dá mais para separar meio ambiente de saúde pública. A qualidade da água, do solo e dos alimentos está diretamente ligada à qualidade de vida das pessoas. E, nesse caso, o que acontece nos rios não fica nos rios. Chega à mesa.















