Gleisi sobe o tom contra Moro e expõe contradições que ecoam forte no Paraná

Em vídeo direto e sem rodeios, ministra Gleisi Hoffman confronta narrativa do ex-juiz, questiona alianças com o bolsonarismo e recoloca o debate no chão paranaense

Por Ronald Stresser, Jr. — Sulpost — Jornalismo que respira com o leitor — Curitiba, 26 de março de 2026

Em vídeo direto e sem rodeios, ministra Gleisi Hoffman confronta narrativa do ex-juiz, questiona alianças com o bolsonarismo e recoloca o debate no chão paranaense

O vídeo de Gleisi não começa apenas com uma fala. Começa com um incômodo. É daqueles conteúdos que não passam despercebidos no feed — não pelo algoritmo, mas pelo peso político que carregam. A imagem é simples, a fala direta, como é a do hábito de Gleisi Hoffmann, mulher autêntica e direta que é. Mas o que está em jogo ali é bem maior do que um embate entre dois nomes conhecidos. É sobre narrativa, coerência, tradição política e memória.

Na tarde desta quarta-feira (25), a ministra da SRI — Articulação Política do governo Lula e pré-candidata ao Senado pelo Paraná — Gleisi Hoffmann, resolveu não suavizar. Foi direta ao ponto — e ao alvo: Sérgio Moro.

“O PT não governa o Paraná” — quando o discurso desmonta a si mesmo

Logo nos primeiros segundos, Gleisi faz o que poucos conseguem com tanta precisão: desmonta o argumento antes mesmo dele ganhar corpo.

“Moro diz que quer tirar o PT do poder. O PT não governa o Paraná, Moro, e nem você é candidato a presidente.”

A frase não é apenas uma resposta. É um enquadramento. Ao trazer o debate de volta ao território real — o Paraná — Gleisi expõe uma desconexão que muitos eleitores já percebem, mas que raramente é verbalizada com tanta clareza: afinal, a candidatura de Moro é sobre o estado, sobre um projeto pessoal de poder ou sobre uma guerra ideológica permanente?

O “arauto da moralidade” e o peso das próprias escolhas

É quando o vídeo avança que o tom muda. Fica mais denso, mais incisivo.

“O que você tem que explicar, arauto da moralidade, é seu acordo eleitoral com Flávio Bolsonaro.”, disparou a ministra.

Aqui, Gleisi toca em uma ferida aberta — e que nunca cicatrizou completamente no imaginário político brasileiro. Moro construiu sua trajetória pública ancorado na ideia de combate à corrupção. Esse foi seu capital político. Sua identidade. Sua promessa. Ele é praticamente o fundador da dita "República de Curitiba".

Mas a mesma figura que deixou o governo Bolsonaro acusando interferência na Polícia Federal — inclusive para proteger a família do então presidente — hoje aparece alinhada ao mesmo grupo político. Não é apenas uma contradição. É uma ruptura de narrativa.

E o eleitor percebe. Se os políticos mais antigos, aqueles com vícios eleitores terríveis, costumavam dizer que os eleitores não tem memória, hoje todas e todos tem internet.

Memória política não é detalhe — é julgamento

Gleisi preza pela história e não deixa isso escapar. Pelo contrário, puxa o fio da memória:

“Ele saiu do governo Bolsonaro acusando corrupção… e agora aparece ao lado dele como se nada tivesse acontecido?”, detona a pré-candidata.

A pergunta  reverbera porque não exige resposta imediata. Ela se instala. Num cenário político onde a memória costuma ser curta, há momentos em que ela volta com força — e cobra coerência. Esse é um desses momentos.

O Paraná no centro — ou apenas no discurso?

Enquanto o embate cresce, uma outra questão começa a circular com mais força — menos nos discursos oficiais, mais nas conversas sinceras, aquelas de bastidores, de rua, de quem observa sem filtro: Se Moro é tão forte no Paraná, por que sua própria base familiar buscou São Paulo?

A eleição de Rosângela Moro como deputada federal por outro estado não é apenas um dado eleitoral. É um símbolo. E símbolos, na política, falam alto. A história conta inclusive que o Paraná já foi província de São Paulo e o aniversário do estado é comemorado justamente no dia da emancipação política.

 É este tipo de simbolismo que toca fundo no coração do paranaense, revelando estratégias, fragilidades — e, às vezes, incoerências de alguns políticos locais.

Requião Filho abriu. Gleisi aprofundou. E o cerco se fecha

O ataque de Gleisi não surge isolado. Ele se conecta com um movimento mais amplo. No dia anterior, o deputado estadual Requião Filho já havia colocado Moro em xeque, questionando seu compromisso com o Paraná. Agora, Gleisi amplia o alcance, eleva o tom e nacionaliza o debate.

É como se diferentes vozes começassem a compor uma mesma narrativa: a de que há mais dúvidas do que certezas em torno do projeto político de Moro.

“Alianças que mudam conforme a conveniência”

A frase final do vídeo não é por acaso. É construção.

“Alianças que mudam conforme a conveniência, lealdades que duram até o próximo acordo.”

Mais do que uma crítica, é uma tentativa de definição. Na política, quem define primeiro, larga na frente. E tanto Gleisi quanto os eleitores e eleitoras do Paraná sabem disso.

O que está em jogo não é 2022 — é 2026

Há algo no ar. Não é só disputa. É antecipação. O Paraná começa a viver, ainda que de forma embrionária, o clima de uma eleição que promete ser intensa, marcada por embates duros e memórias revisitadas. A história do estado e o histórico de cada político vão falar alto até o dia da eleição. O Paraná não pode perder sua identidade.

E nesse cenário, Gleisi Hoffmann mostra que não pretende ocupar um papel coadjuvante. Ela entra em campo com discurso, com história — e com disposição para o confronto. Porque, no fim, não se trata apenas de quem fala mais alto. Mas de quem sustenta o que diz e conhece não apenas a história, mas também o sentimento do próprio povo do qual faz parte. Ela é bicho do Paraná!

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