Ex-governador critica “comercialização” da política e desponta como um dos nomes mais competitivos do Paraná para 2026
Tem gente que entra na disputa. E tem gente que muda o clima da disputa só de aparecer. Roberto Requião é desse segundo tipo.
A sinalização feita ontem, 25 de março, em suas redes sociais, não é um gesto isolado — é um movimento que reposiciona o debate político no Paraná e projeta efeitos diretos na corrida pela Câmara dos Deputados. Em um cenário ainda disperso, ele surge, desde já, como o pré-candidato mais popular a colocar o nome na mesa.
E popularidade, nesse estágio do jogo, não é detalhe. É vantagem. Requião fala como sempre falou: sem curva, sem filtro e sem preocupação em agradar.
“Eles transformaram o Congresso Nacional no mercado. Eles negociam os seus interesses pessoais em troca de emendas (…) o novo para eles é transformar a política num negócio.”
A crítica atinge em cheio o coração de uma das maiores tensões atuais em Brasília: o uso político das emendas parlamentares. Mas, no caso de Requião, não soa como discurso oportunista. Soa como a continuidade deu uma figura rara da política brasileira, um homem realmente autêntico, um dos maiores políticos que o Paraná já produziu.
Ele mesmo faz questão de lembrar o caminho que percorreu:
“Já fui muita coisa na política (…) O que eu vi de tudo isso é que nós temos que evitar, de qualquer forma, que a política se transforme num comércio para favorecimentos pessoais.”
Prefeito de Curitiba, três vezes governador do Paraná, duas vezes senador. Não é um currículo qualquer — é uma biografia que atravessa gerações e diferentes momentos do país, desde sua redemocratização. E talvez seja justamente este seu diferencial.
Experiência como ativo — e não como peso
Em um tempo em que muitos tentam se vender como “novos”, Requião aposta no contrário: na experiência como ativo político.
“A minha política é a política da firmeza, uma linha reta do começo ao fim.”
A frase funciona como síntese. Não há tentativa de suavizar o personagem — ele continua sendo o político de posições duras, de embates públicos e de discurso nacionalista que marcou sua trajetória.
Mas o contexto mudou. Hoje, em meio à fragmentação e à desconfiança generalizada, esse tipo de previsibilidade pode virar vantagem eleitoral.
Largada à frente em um cenário indefinido
Enquanto outros nomes ainda ensaiam suas candidaturas, testam rejeição ou sequer conseguiram se apresentar ao grande público, Requião já parte de outro patamar.
Ele é conhecido. É lembrado. E, principalmente, identificado. Gostem ou não dele, fato é que a maioria esmagadora da população paranaense o conhece.
Isso o coloca, com relativa folga, entre os nomes mais competitivos na disputa por uma cadeira na Câmara Federal pelo Paraná — possivelmente o mais forte entre os que já se colocaram como pré-candidatos até aqui.
Não se trata apenas de recall eleitoral. É capital político acumulado — algo que não se constrói de uma eleição para outra.
Um retorno que carrega disputa de narrativa
Mais do que uma candidatura, o que Requião coloca em campo é uma leitura de país.
“Nós temos que evitar, de qualquer forma, que a política se transforme num comércio para favorecimentos pessoais.”
A frase resume o eixo da sua intervenção: a política como espaço de interesse público, em oposição ao que ele enxerga como um modelo dominado por negociações e trocas.
É uma disputa de sentido. E, como toda disputa real, não será silenciosa. Requião volta ao jogo com algo que poucos têm ao mesmo tempo: memória, base consolidada e disposição para o confronto. Num cenário ainda morno, isso aquece e leva à ebulição. E pode, mais uma vez, fazer diferença nas urnas.


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