Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka
O presidente do SMC, Sérgio Butka, de microfone em punho, declarou: “Estamos aqui em Guaraqueçaba para a reunião da Federação”, ele abriu os trabalhos em tom direto, conversando olho no olho com cada trabalhador. A pauta, segundo ele, ultrapassa os limites do estado: trata-se da preparação para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15 de abril.
Butka destacou que o movimento sindical entrou em um ciclo estratégico. Às vésperas do 1º de Maio e em um ano eleitoral, a prioridade é clara: consolidar propostas e cobrar compromissos concretos de quem pretende disputar as eleições 2026.
“Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores.”
A fala não vem isolada. Ela ecoa uma preocupação antiga, mas que ganha força em ano eleitoral: quem, de fato, governa e propõe leis pensando nos trabalhadores?
Entre o capital e o trabalho: o modelo em disputa
No centro do debate está uma escolha que não é nova, mas segue atual — e urgente. Butka coloca de forma direta: o país precisa decidir que tipo de gestão quer para os próximos quatro anos.
Um modelo voltado aos trabalhadores?
Ou um modelo que privilegia o capital financeiro, onde atuam aqueles que vivem da lógica da especulação e do lucro imediato? Que tem voz na hora das negociações por melhores salários, condições de trabalho e benefícios: a classe patronal ou os trabalhadores?
A crítica não é apenas retórica. Ela revela um sentimento compartilhado em diferentes categorias: o distanciamento entre decisões econômicas e a realidade de quem vive do próprio salário. Um sentimento que está reacendendo a luta sindical, a luta da classe trabalhadora brasileira, que foi quase despedaçada durante os quatro anos de Bolsonaro.
Salário, dignidade e condições de trabalho
Ao longo da fala, o presidente do SMC reforçou que a luta não se resume ao reajuste salarial — embora ele seja essencial. Trata-se também de condições dignas, estabilidade e poder de compra real. O ganho do trabalhador tem que acompanhar o preço do combustível, do supermercado, da saúde, da moradia, da cultura, da educação e do entretenimento.
A equação é simples, mas muitas vezes difícil de alcançar quando não existe boa vontade política: mais renda no bolso e mais respeito no ambiente de trabalho. E, para isso, segundo Butka, será preciso organização.
“Os metalúrgicos do Paraná vão estar fomentando suas bandeiras e defendendo de unhas e dentes.”
Chamado às bases
Há um momento no vídeo enviado ao Sulpost em que o discurso deixa de ser institucional e se torna quase um convite — que também serve de alerta.
“Fica atento, esse ano tem eleição.”
A frase é curta, mas carrega peso. Ela aponta para um entendimento cada vez mais presente no movimento sindical: a disputa não acontece apenas nas fábricas ou nas mesas de negociação, mas também nas urnas. As escolhas feitas pelo trabalhador, nas próximas eleições, vão repercutir nas políticas voltadas à classe durante os próximos quatro anos.
A luta que constrói
O encontro em Guaraqueçaba termina com uma frase que sintetiza o espírito da reunião — e talvez do próprio movimento:
“A luta faz a lei.”
Não se trata de um slogan, e sim de um lembrete histórico. Porque, no fim das contas, cada direito conquistado nasceu de algum tipo de mobilização e muitas vezes levou anos para que fossem conquistados. E, ao que tudo indica, 2026 será mais um daqueles momentos em que a história volta a ser escrita — desta vez, com a caneta nas mãos de quem trabalha. A classe trabalhadora não admita nenhum direito a menos.
É como diz o companheiro Nelsão da Força — vice-presidente do SMC — parafraseando Roberto Requião, aquele que sem sombra de dúvidas foi o governador que mais dez pela classe trabalhadora paranaense: "Desistir não desisto, parar não paro, e, se dignidade custa caro, pago o preço."
Veja o vídeo do presidente Sérgio Butka


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