quarta-feira, 25 de março de 2026

Metalúrgicos do Paraná se mobilizam para conferência nacional e eleições de 2026

Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka

Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka

O presidente do SMC, Sérgio Butka, de microfone em punho, declarou: “Estamos aqui em Guaraqueçaba para a reunião da Federação”, ele abriu os trabalhos em tom direto, conversando olho no olho com cada trabalhador. A pauta, segundo ele, ultrapassa os limites do estado: trata-se da preparação para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15 de abril.

Butka destacou que o movimento sindical entrou em um ciclo estratégico. Às vésperas do 1º de Maio e em um ano eleitoral, a prioridade é clara: consolidar propostas e cobrar compromissos concretos de quem pretende disputar as eleições 2026.

“Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores.”

A fala não vem isolada. Ela ecoa uma preocupação antiga, mas que ganha força em ano eleitoral: quem, de fato, governa e propõe leis pensando nos trabalhadores?

Entre o capital e o trabalho: o modelo em disputa

No centro do debate está uma escolha que não é nova, mas segue atual — e urgente. Butka coloca de forma direta: o país precisa decidir que tipo de gestão quer para os próximos quatro anos.

Um modelo voltado aos trabalhadores? 
Ou um modelo que privilegia o capital financeiro, onde atuam aqueles que vivem da lógica da especulação e do lucro imediato? Que tem voz na hora das negociações por melhores salários, condições de trabalho e benefícios: a classe patronal ou os trabalhadores?

A crítica não é apenas retórica. Ela revela um sentimento compartilhado em diferentes categorias: o distanciamento entre decisões econômicas e a realidade de quem vive do próprio salário. Um sentimento que está reacendendo a luta sindical, a luta da classe trabalhadora brasileira, que foi quase despedaçada durante os quatro anos de Bolsonaro.

Salário, dignidade e condições de trabalho

Ao longo da fala, o presidente do SMC reforçou que a luta não se resume ao reajuste salarial — embora ele seja essencial. Trata-se também de condições dignas, estabilidade e poder de compra real. O ganho do trabalhador tem que acompanhar o preço do combustível, do supermercado, da saúde, da moradia, da cultura, da educação e do entretenimento.

A equação é simples, mas muitas vezes difícil de alcançar quando não existe boa vontade política: mais renda no bolso e mais respeito no ambiente de trabalho. E, para isso, segundo Butka, será preciso organização.

“Os metalúrgicos do Paraná vão estar fomentando suas bandeiras e defendendo de unhas e dentes.”

Chamado às bases

Há um momento no vídeo enviado ao Sulpost em que o discurso deixa de ser institucional e se torna quase um convite — que também serve de alerta.

“Fica atento, esse ano tem eleição.”

A frase é curta, mas carrega peso. Ela aponta para um entendimento cada vez mais presente no movimento sindical: a disputa não acontece apenas nas fábricas ou nas mesas de negociação, mas também nas urnas. As escolhas feitas pelo trabalhador, nas próximas eleições, vão repercutir nas políticas voltadas à classe durante os próximos quatro anos.

A luta que constrói

O encontro em Guaraqueçaba termina com uma frase que sintetiza o espírito da reunião — e talvez do próprio movimento:

“A luta faz a lei.”

Não se trata de um slogan, e sim de um lembrete histórico. Porque, no fim das contas, cada direito conquistado nasceu de algum tipo de mobilização e muitas vezes levou anos para que fossem conquistados. E, ao que tudo indica, 2026 será mais um daqueles momentos em que a história volta a ser escrita — desta vez, com a caneta nas mãos de quem trabalha. A classe trabalhadora não admita nenhum direito a menos.

É como diz o companheiro Nelsão da Força — vice-presidente do SMC — parafraseando Roberto Requião, aquele que sem sombra de dúvidas foi o governador que mais dez pela classe trabalhadora paranaense: "Desistir não desisto, parar não paro, e, se dignidade custa caro, pago o preço."

Veja o vídeo do presidente Sérgio Butka

Sulpost — Jornalismo que respira luta.

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