sexta-feira, 13 de março de 2026

Greve na Brose pressiona governo e Justiça enquanto Nelsão percorre Curitiba em busca de solução para trabalhadores (vídeo)

Após protesto no Palácio Iguaçu, líder sindical vai ao Tribunal Regional do Trabalho cobrar julgamento do dissídio e convoca assembleia decisiva para segunda-feira às 5 da manhã na porta da fábrica

Após protesto no Palácio Iguaçu, líder sindical vai ao Tribunal Regional do Trabalho cobrar julgamento do dissídio e convoca assembleia decisiva para segunda-feira às 5 da manhã na porta da fábrica

Com sol entre nuvens o dia amanheceu friozinho nesta manhã de sexta-feira (13) em Curitiba, mas vai esquentando no decorrer do período — e, com 36 dias de paralisação a greve da Brose voltou a ecoar no centro do poder do Paraná. 

Depois de mais de um mês de paralisação em São José dos Pinhais, após já ter sido até preso de maneira agressiva e autoritária pela PMPR, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva, conhecido como Nelsão da Força, passou a manhã desta sexta-feira (13) circulando entre dois endereços simbólicos da política e da Justiça no Paraná.

Primeiro, no Centro Cívico, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual e à Assembleia do Paraná (ALEP). De lá ele partiu para o TRT-9, e gravou um vídeo de protesto diante do prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), no centro de Curitiba.

Em ambos os lugares, a manifestação foi a mesma: os trabalhadores da Brose precisam de uma solução urgente.

Um apelo direto ao governo do Paraná

Na frente do Palácio Iguaçu, Nelsão gravou um vídeo dirigido ao governador Ratinho Junior.

O dirigente sindical pede que o governo estadual ajude a abrir um canal de negociação entre empresa e trabalhadores, após semanas de impasse.

“Hoje é dia 13 de março. Nós estamos pedindo para o governador nos ajudar a fazer uma reunião para resolver a greve da Brose, já que até hoje não resolveu.”

O apelo ocorre em meio a denúncias apresentadas pelo sindicato de que a empresa estaria pressionando trabalhadores durante a paralisação, além de realizar demissões e contratações em meio ao movimento grevista — situações que, segundo os grevistas, podem configurar tentativa de enfraquecer o direito constitucional de greve. 

Veja o vídeo, gravado hoje de manhã

Nas últimas semanas, também houve relatos de confrontos envolvendo a Polícia Militar do Paraná durante mobilizações de trabalhadores.

Do Palácio à Justiça

Sem resposta imediata do Executivo estadual, o dirigente sindical seguiu pela cidade.

Horas depois, já estava diante do prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, cobrando que a Justiça analise com urgência o dissídio coletivo da greve.

Ali, novamente diante de uma câmera de celular, fez um novo apelo — desta vez direcionado ao Judiciário trabalhista.

“Estou aqui na frente do Tribunal Regional do Trabalho pedindo para os juízes julgarem a greve da Brose. Os trabalhadores já estão quase 40 dias em greve e não têm mais o que comer, pagar água, luz e remédio.”

O dirigente também criticou a demora no andamento do processo.

“Parece que quando é para os empresários a audiência sai de um dia para o outro. Agora que é uma greve de trabalhadores, já está quase 40 dias e pode demorar meses.”

Um conflito que já pesa no bolso das famílias

Enquanto o processo judicial segue sem definição, a situação econômica dos trabalhadores se torna cada vez mais delicada.

Sem salário regular e sem acordo com a empresa, muitas famílias já enfrentam dificuldades para manter despesas básicas.

Esse cenário explica o tom crescente de urgência nas falas do sindicato.

“Estamos pedindo socorro para salvar os empregos e o salário dos trabalhadores da Brose.”

Assembleia pode definir os próximos passos

Em meio à pressão sobre governo e Justiça, o sindicato prepara agora um momento decisivo para a categoria.

Nelsão convocou uma assembleia geral para segunda-feira (16), dia 16/3 às das 5 horas da manhã, em primeira convocação, na porta da fábrica, em São José dos Pinhais, na RMC.

A reunião deverá reunir trabalhadores dos três turnos da empresa — inclusive aqueles que continuam em atividade.

“Estamos convocando todos os trabalhadores para uma assembleia geral na segunda-feira, na entrada do primeiro turno.”

No encontro, os metalúrgicos devem discutir diferentes cenários:

  • a continuidade da greve;
  • a forma de retorno ao trabalho;
  • ou a espera por uma decisão da Justiça do Trabalho.

Um impasse que ultrapassa os portões da fábrica

Com quase quarenta dias de duração, a greve da Brose já deixou de ser apenas um conflito interno entre trabalhadores e empresa.

O caso passou a envolver denúncias de repressão, questionamentos jurídicos e agora também pressões políticas sobre o governo estadual e o Judiciário. Os trabalhadores reclamam que não têm mais dinheiro nem para o básico, deixando de pagar contas e dependendo da ajuda do Sindicato, eles querem dignidade.

Enquanto isso, na porta da fábrica em São José dos Pinhais, os trabalhadores seguem esperando aquilo que, até agora, não veio: uma mesa de negociação.

A assembleia de segunda-feira, marcada para a porta da fábrica — em primeira chamada às 5:00 da manhã e segunda chamada 5:30 da manhã — pode indicar se a paralisação vai continuar ou se um novo capítulo dessa disputa está prestes a começar.

O Sulpost tentou contato com a Brose para saber a versão da fábrica, entretanto não obtivemos sucesso. O PABX informado no painel do Google e site da empresa não atende e não houve resposta.

  • Confira as fotos e videos enviado pelo Nelsão em nosso Drive,  clique aqui.


Por Ronald Stresser Jr., para o Sulpost.

Um comentário:

  1. O cara é inocente mesmo... Se foi preso é porque falou merda..

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