Entre bombas nos combustíveis e rearranjos políticos, Requião Filho se consolida como contraponto a Moro na corrida pelo governo
O preço da gasolina sobe silenciosamente nas placas dos postos — e, com ele, sobe também a temperatura da política paranaense. Não é só o bolso que sente. É o humor das ruas. É o termômetro de uma eleição que já começou, mesmo sem ter sido oficialmente aberta.
Por Ronald Stresser Jr, para o Sulpost
| Moro e Requião Filho lideram disputa no Paraná - Reprodução |
No meio desse cenário, o deputado estadual Requião Filho dá um passo que mistura política pública com estratégia eleitoral: aciona o Ministério da Justiça para investigar aumentos considerados abusivos nos combustíveis no Paraná.
A medida, anunciada nesta semana, não vem isolada. Ela dialoga diretamente com um sentimento difuso — e crescente — de desconfiança da população diante de reajustes que parecem não acompanhar os movimentos reais das refinarias da Petrobras.
“Quando o combustível sobe sem explicação clara, o impacto chega na comida, no transporte, na vida de todo mundo”, afirmou o deputado.
Mas, no fundo, a frase carrega mais do que indignação econômica. Carrega intenção política. O jogo é bruto!
Disputa começa a ganhar forma
As eleições de 2026 no Paraná ainda estão no horizonte, mas os movimentos já são de campanha. E os números mais recentes das pesquisas ajudam a explicar o ritmo acelerado.
De acordo com as pesquisas mais recentes, Requião Filho aparece em segundo lugar, atrás do senador Sérgio Moro, ex-ministro de Bolsonaro, que lidera os cenários — agora ainda mais fortalecido após sua filiação ao PL, partido do ex-presidente, que cumpre pena no presídio da Papuda, em Brasília (DF).
A entrada de Moro no partido foi descrita nos bastidores como uma “ogiva nuclear” no tabuleiro político local. Estrutura partidária, tempo de televisão, articulação nacional. Tudo isso pesa. Mas também cobra.
Ao se associar diretamente ao campo bolsonarista, Moro passa a carregar junto as contradições desse grupo — algo que adversários, especialmente à esquerda, já começam a explorar com intensidade.
Requião Filho aposta na política “do chão”
Enquanto Moro consolida alianças no topo, Requião Filho parece apostar em outro caminho: o da política de base, do cotidiano, das pautas concretas. A ação sobre os combustíveis é um exemplo. Mas não o único.
Nos próximos dias, ele também lidera uma discussão estratégica sobre a fronteira entre Brasil e Argentina — um tema que raramente ganha destaque eleitoral, mas que afeta diretamente a economia de cidades do Sudoeste do Paraná.
A proposta é simples na aparência: ampliar o horário de funcionamento da aduana. Mas o impacto pode ser amplo — mais comércio, mais turismo, mais circulação de renda.
“Fronteira tem que ser porta de desenvolvimento, não barreira”, disse.
É o tipo de pauta que dialoga com prefeitos, comerciantes, caminhoneiros. E, principalmente, com quem sente na prática o efeito das decisões políticas.
O peso do sobrenome — e da comparação
Filho do ex-governador Roberto Requião, o pré-candidato carrega um legado político forte — e, ao mesmo tempo, desafiador. Se por um lado o nome abre portas, por outro exige afirmação própria.
E talvez seja por isso que ele tenha adotado um tom mais direto ao falar do principal adversário:
“O que o Sérgio Moro fez como senador pelo Paraná?”, questionou recentemente. “Combate à corrupção é o mínimo.”
A crítica não é casual. Ela tenta deslocar o debate de um campo onde Moro é forte — o simbólico — para outro onde ainda precisa se provar: o da gestão pública.
Um tabuleiro mais complexo do que parece
A eleição, no entanto, está longe de ser uma disputa de dois nomes. O ex-prefeito Rafael Greca voltou ao MDB e se mantém como peça relevante no jogo. O governador Ratinho Junior ainda não revelou completamente seus planos. E novas forças, como o grupo liderado por Ricardo Gomyde, também tentam espaço.
Ao mesmo tempo, temas estruturais — como energia, combustíveis e economia — ganham peso diante de um cenário internacional instável, com reflexos diretos no Paraná. Nada disso é detalhe. Tudo isso vira voto, contra ou a favor.
O que está em jogo
No fim das contas, a corrida de 2026 no Paraná começa a se desenhar como um embate de narrativas, que ganham potência num ambiente ainda fortemente polarizado:
- De um lado, Sérgio Moro, com discurso de combate à corrupção e apoio de uma base conservadora estruturada na "República de Curitiba" e, agora também, no bolsonarismo;
- Do outro, Requião Filho, tentando se firmar como gestor político, homem de visão, conectado às demandas concretas da população e portador de um legado político que faz parte da história de progresso do Paraná.
Entre eles, um eleitorado cansado de promessas abstratas — e cada vez mais atento ao impacto real das decisões políticas. O preço do combustível pode parecer apenas um número no painel. Mas, em ano pré-eleitoral ele vira símbolo. E símbolo, na política, costuma decidir eleição.

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