Ministra da Articulação Política de Lula, Gleisi reúne militância, movimentos sociais e reforça mobilização popular em encontro no Sindiquímica, na Cidade Industrial de Curitiba
A sede do Sindiquítmica, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), ainda estava enchendo quando começaram os primeiros aplausos. Gente chegando devagar, bandeiras dobradas nas mãos, conversas atravessadas entre antigos militantes e jovens que pareciam estar ali pela primeira vez.
Quando a ministra Gleisi Hoffmann, que chegou cedo para poder conversar com todo mundo, tomwou a palavra, o tom foi direto — menos institucional, mais político. Era uma fala dirigida à base, àqueles que estiveram nas ruas nos momentos mais tensos da recente história política brasileira.
“Foram vocês, é esse time aqui que fez com que a gente chegasse novamente aonde nós estamos. Se não fossem vocês, nós não teríamos subido com o presidente Lula de novo à rampa do Palácio do Planalto”, afirmou a ministra, referindo-se à eleição que reconduziu Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
A fala ocorreu durante um encontro com movimentos sociais, lideranças políticas e militantes realizado na sede do Sindiquímica, sindicato dos trabalhadores das indústrias petroquímicas de Curitiba e região. O evento reuniu parlamentares, dirigentes partidários e representantes de organizações populares do Paraná.
Nos bastidores do encontro, a movimentação também foi interpretada como mais um passo na construção da possível candidatura de Gleisi ao Senado nas eleições de 2026.
Mas naquele momento o foco do discurso estava em outro ponto: o papel da militância na reconstrução política do país.
“Vocês acreditaram, vocês deram a cara a tapa, vocês defenderam uma causa e em nenhum momento titubearam”, disse.
Segundo Gleisi, o objetivo central do atual governo é retomar um modelo de Estado voltado para as necessidades concretas da população.
“O sentido de um governo é para ajudar as pessoas, é para cuidar das pessoas, é para cuidar de gente”, afirmou.
A ministra também destacou o legado social dos governos petistas e explicou por que, na avaliação dela, Lula permanece como uma figura central na memória política brasileira.
“Por isso que Lula foi o único que ficou na memória do povo tanto tempo. Porque teve a coragem de tirar da paisagem a pobreza do país”, declarou.
O discurso fez referência direta a uma ideia que marcou os governos petistas: a de que o orçamento público deve refletir as necessidades da população mais vulnerável.
“O povo tem que estar no orçamento. O povo tem que ter programa, o povo tem que ter projeto”, afirmou.
Para Gleisi, a disputa política no Brasil continua intensa e exige mobilização constante das bases sociais que apoiam o governo.
“Mostra a importância política que tem o nosso campo e mostra como o povo confia em nós, mesmo com essa disputa acirrada”, disse Gleisi.
Ao falar especificamente sobre o Paraná, a ministra afirmou que o governo federal tem realizado investimentos importantes no estado e defendeu que essas ações sejam mais divulgadas.
“O governo do presidente Lula tem feito muito, e tem feito muito aqui no Paraná. Nós temos que divulgar”, afirmou.
Na parte final da fala, o discurso ganhou um tom mais eleitoral, antecipando o ambiente político que já começa a se formar para os próximos anos.
“Nós temos uma campanha duríssima sendo enfrentada daqui para frente”, alertou.
Ela também fez comparações entre projetos políticos distintos no país, destacando pautas sociais historicamente defendidas pela esquerda.
“Quem quer que o filho de todo trabalhador brasileiro tenha o direito de escolher o seu futuro através da educação, somos nós”, disse.
E completou:
“Eles são tão a favor da família, mas quem luta por moradia popular digna, somos nós.”
O encontro terminou em clima de agradecimento à militância que mantém viva a estrutura política do partido nas cidades e bairros do Paraná.
“Muito obrigada pela luta, pela firmeza que vocês têm”, disse a ministra ao encerrar o discurso.
Entre abraços, selfies e conversas rápidas após o evento, uma sensação parecia circular entre os presentes: a de que o encontro não foi apenas uma reunião política.
Foi também um sinal de que a disputa eleitoral de 2026 já começou a ser desenhada — e, como é da tradição na história do Partido dos Trabalhadores, ela começa primeiro na base.
Edição: Ronald Stresser Jr. - atualizada às 19h33



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