Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional
| Foto: Ricardo Stuckert (PR) |
A aeronave, montada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, não chega como apenas mais um equipamento à Força Aérea Brasileira (FAB). Ela carrega algo mais difícil de medir: a sensação concreta de mudança de patamar.
Pela primeira vez, o Brasil entra no grupo restrito de países capazes de produzir caças supersônicos de alta complexidade. Não na teoria, não no discurso — mas na prática.
Sem fala oficial, Lula observou. E talvez tenha sido o gesto mais coerente com o momento. Há ocasiões em que o silêncio comunica melhor do que qualquer discurso preparado.
Porque o que estava ali não precisava de explicação longa. Precisava ser visto.
Entre o passado dependente e o futuro possível
Durante décadas, a defesa aérea brasileira se apoiou em aeronaves adquiridas no exterior. Equipamentos eficientes, mas que vinham acompanhados de dependência — de peças, de atualizações, de decisões tomadas fora do país.
O programa Gripen muda essa equação.
Desenvolvido em parceria com a sueca Saab e com participação direta da Embraer, ele não se limita à aquisição de aeronaves. Envolve transferência de tecnologia, formação de profissionais brasileiros e inserção da indústria nacional em uma cadeia global altamente especializada.
Os números ajudam a dimensionar, ainda que parcialmente:
- Mais de 2 mil empregos diretos.
- Cerca de 10 mil indiretos.
Mas o dado mais relevante não cabe em planilha: é a autonomia.
“Quem domina tecnologia domina o futuro.”
A frase do vice-presidente Geraldo Alckmin, dita durante o evento, resume uma lógica que vem sendo construída há anos. Segundo ele, o governo federal já disponibilizou R$ 108 bilhões, via BNDES, para projetos voltados à inovação.
O Gripen está dentro desse movimento mais amplo: o de reposicionar o Brasil como produtor — e não apenas consumidor — de tecnologia estratégica.
O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou esse ponto ao destacar que o acesso a tecnologias de ponta impacta diretamente a indústria nacional, elevando seu nível de maturidade e capacidade competitiva.
No fundo, a equação é direta:
- defesa gera tecnologia;
- tecnologia gera indústria;
- indústria gera soberania.
E soberania, hoje, vai muito além de fronteiras geográficas.
Um novo capítulo na aviação brasileira
Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, segundo informa a EBC, não há espaço para relativizar o momento.
Ele definiu o Gripen como a aeronave mais importante da história da aviação nacional.
A afirmação pode soar forte — mas encontra respaldo no que está em curso.
Das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil, 15 serão produzidas em solo nacional. Isso significa mais do que montagem: significa domínio progressivo de processos, fortalecimento de cadeia produtiva e geração de conhecimento.
Em outras palavras, significa capacidade de continuidade.
Entre o presente e o que vem depois
Durante a visita, Lula também conheceu um projeto que aponta para outra direção do setor aéreo: o eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer.
Um veículo elétrico, de decolagem vertical, pensado para mobilidade urbana.
A imagem é quase didática sem precisar forçar interpretação:
de um lado, um caça supersônico;
do outro, uma aeronave silenciosa e elétrica.
No meio, o mesmo país tentando ocupar espaços diferentes — mas complementares — no futuro da aviação.
Mais do que um avião
O batismo do Gripen não é apenas um ato cerimonial. É um ponto de virada.
Ele marca a passagem:
- do planejamento para a execução;
- da dependência para a autonomia;
- da promessa para a entrega.
Não resolve tudo. Não muda tudo de uma vez.
Mas desloca o eixo, colocando o Brasil na vanguarda da aviação de caça. E, às vezes, é exatamente isso que define o início de uma nova etapa.
No fim, a aeronave batizada hoje em Gavião Peixoto não foi apenas um caça. É uma possibilidade concreta de país.
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