quarta-feira, 25 de março de 2026

Lula batiza primeiro caça Gripen produzido no Brasil

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional
Foto: Ricardo Stuckert (PR)

A aeronave, montada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, não chega como apenas mais um equipamento à Força Aérea Brasileira (FAB). Ela carrega algo mais difícil de medir: a sensação concreta de mudança de patamar.

Pela primeira vez, o Brasil entra no grupo restrito de países capazes de produzir caças supersônicos de alta complexidade. Não na teoria, não no discurso — mas na prática.

Sem fala oficial, Lula observou. E talvez tenha sido o gesto mais coerente com o momento. Há ocasiões em que o silêncio comunica melhor do que qualquer discurso preparado.

Porque o que estava ali não precisava de explicação longa. Precisava ser visto.

Entre o passado dependente e o futuro possível

Durante décadas, a defesa aérea brasileira se apoiou em aeronaves adquiridas no exterior. Equipamentos eficientes, mas que vinham acompanhados de dependência — de peças, de atualizações, de decisões tomadas fora do país.

O programa Gripen muda essa equação.

Desenvolvido em parceria com a sueca Saab e com participação direta da Embraer, ele não se limita à aquisição de aeronaves. Envolve transferência de tecnologia, formação de profissionais brasileiros e inserção da indústria nacional em uma cadeia global altamente especializada.

Os números ajudam a dimensionar, ainda que parcialmente:

- Mais de 2 mil empregos diretos.
- Cerca de 10 mil indiretos.

Mas o dado mais relevante não cabe em planilha: é a autonomia.

“Quem domina tecnologia domina o futuro.”

A frase do vice-presidente Geraldo Alckmin, dita durante o evento, resume uma lógica que vem sendo construída há anos. Segundo ele, o governo federal já disponibilizou R$ 108 bilhões, via BNDES, para projetos voltados à inovação.

O Gripen está dentro desse movimento mais amplo: o de reposicionar o Brasil como produtor — e não apenas consumidor — de tecnologia estratégica.

O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou esse ponto ao destacar que o acesso a tecnologias de ponta impacta diretamente a indústria nacional, elevando seu nível de maturidade e capacidade competitiva.

No fundo, a equação é direta:

- defesa gera tecnologia;
- tecnologia gera indústria;
- indústria gera soberania.

E soberania, hoje, vai muito além de fronteiras geográficas.

Um novo capítulo na aviação brasileira

Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, segundo informa a EBC, não há espaço para relativizar o momento.

Ele definiu o Gripen como a aeronave mais importante da história da aviação nacional.

A afirmação pode soar forte — mas encontra respaldo no que está em curso.

Das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil, 15 serão produzidas em solo nacional. Isso significa mais do que montagem: significa domínio progressivo de processos, fortalecimento de cadeia produtiva e geração de conhecimento.

Em outras palavras, significa capacidade de continuidade.

Entre o presente e o que vem depois

Durante a visita, Lula também conheceu um projeto que aponta para outra direção do setor aéreo: o eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer.

Um veículo elétrico, de decolagem vertical, pensado para mobilidade urbana.

A imagem é quase didática sem precisar forçar interpretação:

de um lado, um caça supersônico;
do outro, uma aeronave silenciosa e elétrica.

No meio, o mesmo país tentando ocupar espaços diferentes — mas complementares — no futuro da aviação.

Mais do que um avião

O batismo do Gripen não é apenas um ato cerimonial. É um ponto de virada.

Ele marca a passagem:

- do planejamento para a execução;
- da dependência para a autonomia;
- da promessa para a entrega.

Não resolve tudo. Não muda tudo de uma vez.

Mas desloca o eixo, colocando o Brasil na vanguarda da aviação de caça. E, às vezes, é exatamente isso que define o início de uma nova etapa.

No fim, a aeronave batizada hoje em Gavião Peixoto não foi apenas um caça. É uma possibilidade concreta de país.

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