quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PF aprofunda cerco ao Banco Master e mira R$ 5,7 bilhões em nova fase da Operação Compliance Zero

Ação da Polícia Federal cumpre mandados em cinco estados, bloqueia bilhões em bens e aprofunda investigação sobre fraudes financeiras que levaram à falência da instituição

A PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em espécie, relógios de luxo, carros e até armamento pesado durante a operação - Divulgação/PF


A manhã desta quarta-feira (14) começou com portas sendo abertas à força, cofres vasculhados e uma mensagem clara do Estado brasileiro: o sistema financeiro não está acima da lei. A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, ampliando as investigações que colocaram o Banco Master no centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

Ao todo, foram 42 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos simultaneamente em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além das diligências, a Justiça determinou medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, numa tentativa de conter danos, interromper fluxos financeiros suspeitos e recuperar ativos que podem ter sido desviados.

Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa busca desarticular definitivamente o esquema criminoso, aprofundar a coleta de provas e impedir que recursos de origem ilícita desapareçam antes da conclusão do inquérito.

Um rastro de suspeitas bilionárias

As investigações apuram crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Termos técnicos que escondem consequências reais: prejuízos a investidores, impactos sobre fundos públicos, instabilidade no sistema financeiro e a corrosão da confiança em instituições que deveriam proteger o dinheiro de seus correntistas e investidores.

De acordo com a PF, as fraudes podem alcançar cifras ainda maiores, ampliando um rombo que já assusta autoridades econômicas, órgãos de controle e nós, cidadãos comuns.

Daniel Vorcaro e o colapso do Master

O banco investigado pertence ao empresário Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025 quando tentava embarcar para o exterior em um jatinho particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A prisão foi posteriormente relaxada, e atualmente Vorcaro está cumprindo prisão domiciliar.

Em nota enviada à imprensa, a defesa afirmou que o empresário tem colaborado com as autoridades. “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”, diz o comunicado. A defesa também afirma que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos e reforça o interesse no esclarecimento completo dos fatos.

Negociação barrada e falência decretada

O caso ganhou contornos ainda mais graves quando, em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) anunciou a intenção de adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões. A operação foi barrada pelo Banco Central, que identificou irregularidades graves na negociação.

Meses depois, em novembro, a crise se aprofundou: foi decretada a falência do Banco Master, encerrando de forma oficial a trajetória da instituição e deixando um rastro de incertezas para credores, investidores e o próprio sistema financeiro nacional.

Mais que um caso policial, um alerta ao país

A segunda fase da Operação Compliance Zero vai além de uma ação policial. Ela escancara fragilidades na fiscalização do sistema financeiro brasileiro e expõe os riscos da promiscuidade entre grandes grupos econômicos e operações de crédito pouco transparentes.

Em um país onde milhões de brasileiros enfrentam juros estratosféricos, endividamento e restrições de acesso ao crédito, cada bilhão desviado representa menos investimento, menos políticas públicas e mais desigualdade. O recado das autoridades é direto: não haverá tolerância com esquemas que tratam o sistema financeiro como terra de ninguém.

Com informações da Polícia Federal (Comunicação Social) e Agência Brasil

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