Com Lula e Paulo Pimenta no estaleiro de Rio Grande, governo federal sela investimentos que geram empregos, tecnologia e reposicionam o Brasil no mapa da construção naval
O barulho do aço sendo moldado voltou a ter significado histórico no extremo sul do país. Nesta terça-feira (20), a cidade de Rio Grande foi palco de um dos atos mais simbólicos da política industrial brasileira recente: a assinatura de contratos de R$ 2,8 bilhões para a construção de 41 embarcações que irão fortalecer a logística da Petrobras, reativar estaleiros e gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez questão de acompanhar pessoalmente o ato e visitar as instalações do Estaleiro Rio Grande Ecovix, ao lado do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), uma das principais lideranças políticas gaúchas envolvidas na defesa da retomada da indústria naval no estado, do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB-RS).
Também estiveram presentes ministros, parlamentares, representantes da Petrobras, da Transpetro e trabalhadores do setor. Mais do que uma solenidade institucional, o evento teve clima de retomada, após anos de estagnação que impactaram profundamente a economia local e regional.
As embarcações — cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças — foram encomendadas pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte de petróleo, combustíveis e derivados. A construção será distribuída entre estaleiros do Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina, reforçando uma estratégia de desenvolvimento industrial nacional e descentralizada.
Rio Grande volta ao centro da indústria naval
No Rio Grande do Sul, o protagonismo fica com o estaleiro Rio Grande Ecovix, responsável pela construção dos cinco navios gaseiros, em um investimento de R$ 2,2 bilhões. Essas embarcações são projetadas para o transporte de gases liquefeitos, como o GLP, essencial para milhões de famílias brasileiras.
A previsão é de que o primeiro navio seja entregue em 33 meses, com novas unidades entrando em operação a cada semestre. Com isso, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 navios, praticamente triplicando a capacidade de transporte e reduzindo a dependência de embarcações fretadas no exterior.
Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou o salto tecnológico das novas embarcações. Segundo ela, os navios serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, com redução de 30% nas emissões de gases de efeito estufa, além de estarem preparados para operar em portos eletrificados.
“Isso significa que serão navios de ponta, com tecnologia embarcada de alto nível, alinhados às exigências ambientais e logísticas do futuro”, afirmou.
Investimentos que cruzam o país
No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, será responsável pela construção de 18 barcaças, com investimento de R$ 295 milhões. As embarcações fortalecerão a navegação interior e o transporte de grandes volumes de carga, fundamentais para a logística amazônica.
Em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, construirá os 18 empurradores, embarcações utilizadas para a movimentação das barcaças. O investimento no estado chega a R$ 325 milhões.
Política industrial e geração de empregos
Os contratos fazem parte do Programa Mar Aberto, política do governo federal criada para reativar a indústria naval brasileira. Até 2030, o programa prevê R$ 32 bilhões em investimentos, incluindo navios de cabotagem, embarcações de apoio e a renovação da frota nacional.
De acordo com a Agência Brasil, o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, declarou que a retomada do setor só é possível graças a uma política industrial estruturada. “Sem o conteúdo local, o Fundo da Marinha Mercante e mecanismos como a depreciação acelerada, não estaríamos assinando esses contratos hoje”.
O impacto social é expressivo. Apenas no estaleiro de Rio Grande, a expectativa é de 7 mil novos empregos diretos e indiretos. Atualmente, cerca de 400 trabalhadores atuam no local, número que deve chegar a 4 mil colaboradores até o segundo semestre de 2027.
“Os próximos recrutamentos serão intensivos”, afirmou José Antunes Sobrinho, acionista da Ecovix.
Para atender à demanda por mão de obra qualificada, a Petrobras anunciou a abertura de 1,6 mil vagas em cursos de capacitação com bolsa auxílio, além da inauguração, em março, de uma nova escola do Senai em Rio Grande, voltada exclusivamente à formação para a indústria naval.
Segundo Magda Chambriard, o setor naval saiu de 18 mil empregos em 2022 para 50 mil ao final de 2025, com perspectiva de se aproximar novamente de 80 mil trabalhadores nos próximos anos.
Entre discursos, máquinas e trabalhadores atentos, o evento em Rio Grande deixou claro que os contratos assinados vão além dos números. Representam a tentativa concreta de reconstruir uma cadeia produtiva estratégica, devolver esperança a uma região historicamente ligada ao mar e recolocar o Brasil na rota da soberania industrial.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR
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