sábado, 3 de janeiro de 2026

Em 2025, Itaipu produziu energia suficiente para abastecer o planeta inteiro por mais de um dia

Eficiência recorde, operação inteligente e investimento em tecnologia colocam Itaipu no centro da segurança energética do Brasil e do Paraguai em um ano histórico para a hidrelétrica

Por Ronald Stresser – 03 de janeiro de 2025

O diretor técnico da Itaipu Binacional, Enio Verri - Sara Cheida/Itaipu Binacional

Há números que impressionam. Outros exigem pausa, reflexão e silêncio para serem compreendidos. Em 2025, a Usina Hidrelétrica de Itaipu produziu 72,879 milhões de megawatts-hora (MWh) de energia elétrica — volume suficiente para abastecer o planeta inteiro por cerca de 25 horas. O Brasil poderia funcionar por 40 dias com essa energia. O Paraguai, por quase três anos. São Paulo, o estado mais consumidor do país, por seis meses e dez dias.

Mais do que um feito técnico, o resultado expressa uma engrenagem silenciosa de planejamento, integração humana e inteligência operacional que sustenta a vida cotidiana de milhões de pessoas no Brasil e no Paraguai.

Quando cada gota de água vira energia

Segundo o diretor técnico da Itaipu Binacional, Enio Verri, o desempenho recorde é fruto da atuação integrada das diversas áreas da Diretoria Técnica. “O trabalho conjunto garante elevada confiabilidade e disponibilidade dos ativos necessários à produção de energia, além da melhor utilização desses recursos para otimizar a geração”, afirma.

Essa lógica ficou evidente no início de novembro de 2025, quando chuvas intensas e localizadas na bacia incremental do rio Paraná superaram todas as previsões. Para preservar a segurança do reservatório, foi necessária a abertura do vertedouro — a primeira após 696 dias sem uso operacional.

Em articulação direta com os operadores nacionais dos sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai, Itaipu ampliou a oferta de energia, maximizando a geração no momento em que o excesso de água precisava ser escoado. Ao longo de todo o ano, o vertedouro foi aberto em apenas nove dias, por curtos intervalos, e o volume não convertido em energia representou apenas 0,08% do equivalente da produção anual.

Eficiência histórica

Em 2025, a produtividade da usina — indicador que mede a quantidade de energia gerada por metro cúbico de água — atingiu 1,100 MW médio/m³/s, o melhor resultado anual desde o início da operação da hidrelétrica.

O índice representa um desempenho 5,8% superior à média histórica, resultando em um ganho adicional de aproximadamente 3,92 milhões de MWh apenas com otimização operacional.

O peso de Itaipu no sistema elétrico

A energia fornecida por Itaipu respondeu por 11,6% de toda a geração hidrelétrica utilizada no Brasil em 2025. O volume entregue ao Sistema Interligado Nacional foi 59% superior ao de Belo Monte, 78% maior que o de Tucuruí, além de quase três vezes o fornecimento das usinas de Santo Antônio e Jirau.

A “bateria” natural do Brasil e do Paraguai

Com o avanço das fontes renováveis intermitentes, como a solar, Itaipu assumiu papel ainda mais estratégico. No fim da tarde, quando a geração solar cai e o consumo aumenta rapidamente, a usina entra em ação para atender às rampas de carga com rapidez e segurança.

Funciona como uma verdadeira bateria natural, garantindo estabilidade aos sistemas elétricos brasileiro e paraguaio — uma função comum às hidrelétricas, mas amplificada pelo porte de Itaipu.

Investimento em futuro

Para sustentar esses resultados, a Itaipu Binacional executa o maior plano de atualização tecnológica desde sua entrada em operação, com US$ 670 milhões em investimentos já contratados. O programa começou em 2022 e terá duração de 14 anos.

Em janeiro de 2025, foi inaugurado o Cintesc — Centro de Integração de Sistemas e Capacitação, espaço binacional voltado à formação técnica e à integração dos novos sistemas digitais, reduzindo custos e fortalecendo o conhecimento interno.

Em um mundo pressionado por crises climáticas e energéticas, Itaipu reafirma, em 2025, que planejamento público, tecnologia e cooperação internacional seguem sendo caminhos sólidos para garantir soberania e segurança energética para o Brasil.

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