Do norte ao sul do continente, as notícias de maior impacto hoje revelam um momento de inflexão — onde decisões militares, negociações comerciais e colapsos econômicos estão redesenhando mapas de aliança e desordem nas Américas. Em cada capital, em cada fronteira, as sombras de conflitos, interesses estratégicos e desafios sociais crescem, exigindo respostas coletivas e reflexão profunda sobre nosso futuro comum
| Perguntado sobre operação em solo venezuelano, Maduro disse que poderia “falar sobre isso em alguns dias” - Reuters/TRT |
A Operação Lança do Sul, laçada em 13 de novembro passado, é uma ofensiva militar ampliada dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, com o objetivo declarado de combater o narcotráfico e combater “narcoterroristas”. Liderada pelo Comando Sul (SOUTHCOM), a missão envolve tropas, navios e aeronaves em águas e territórios próximos da América Central, Caribe e América do Sul — uma postura que analistas chamam de reflexão estratégica profunda da política externa americana na região.
Para críticos, no entanto, a operação serve de pretexto para ampliar a influência dos EUA em países como Venezuela, Colômbia e Bolívia, em meio a um contexto político global de rivalidades e alianças instáveis. A nova ofensiva militar pode significar um marco na relação hemisférica, com impactos diretos sobre soberania, diplomacia e até fluxos migratórios.
Nícolas Maduro, presidente da Venezuela, declarou hoje, 2 de janeiro, estar aberto a negociações com os EUA sobre o tráfico de drogas. Em coletiva à imprensa internacional ele se recusou a comentar um ataque da CIA a uma área portuária em solo venezuelano. Maduro afirmou que abordará o assunto dentro de alguns dias.
Canadá e Mercosul aceleram negociações de livre-comércio
Em meio ao cenário de tensões militares, Brasília e Ottawa caminham para acelerar um acordo de livre-comércio entre o Mercosul — bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e o Canadá. As negociações, que já duravam anos, ganharam novo ritmo nas últimas semanas, impulsionadas pela necessidade de contrabalançar medidas protecionistas nos Estados Unidos e fortalecer os laços econômicos no Hemisfério Norte.
O acordo busca zerar tarifas sobre a maioria dos produtos e inclui discussões sobre pequenas empresas, medidas anti-dumping e acesso a mercados-chave. A estratégia de Brasília e parceiros sul-americanos reflete uma tentativa de afirmar autonomia econômica diante de um ambiente externo altamente volátil.
Peru reformula companhia estatal de petróleo em meio a crise de dívida
No campo econômico, o Peru anunciou uma reestruturação de sua principal empresa estatal de petróleo, a Petroperu, em resposta a uma severa crise de dívida que ameaça a produção nacional. Especialistas apontam que a crise de liquidez — com dívidas na casa dos bilhões — pode comprometer o abastecimento energético e gerar efeito-domino nas contas públicas e na inflação do país.
Esse movimento econômico reverbera em toda a América do Sul, onde a dependência do petróleo como motor de crescimento ainda persiste em muitas economias, enquanto governos tentam equilibrar receitas, investimentos e estabilidade social em um cenário global incerto.
Produção de petróleo na Venezuela despenca em meio a bloqueios e pressões externas
Em outra frente, a produção de petróleo no Orinoco Belt, uma das maiores reservas da Venezuela, caiu cerca de 25% nos últimos dias. A queda dramática é atribuída a pressões e bloqueios externos, que interromperam exportações e forçaram a paralisação de poços e refinarias.
De acordo com a mídia venezuelana o impacto direto se reflete na já combalida economia do país, com efeitos sobre receitas de exportação, serviços públicos e a capacidade da Venezuela de negociar com credores externos e parceiros comerciais.
Em síntese, o que vemos hoje é uma América marcada por contradições: por um lado, iniciativas de cooperação econômica e alianças comerciais que buscam fortalecer mercados; por outro, tensões militares e crises que acentuam riscos geopolíticos. Do estreito de Bering à Patagônia, o continente enfrenta um momento que pode reconfigurar suas dinâmicas internas e externas pelos próximos anos.
Atualizada em 02 de janeiro de 2026, às 12h00

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