Faltando poucos dias para a abertura com DJ Alok, ressaca volta a escancarar fragilidades da engorda da praia em Caiobá, enquanto o governo garante que os shows serão mantidos
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| Parte da engorda da praia de Matinhos foi levada e a maré quase atingiu o palco - Reprodução/Redes Sociais |
Caiobá (PR) — O verão ainda nem começou oficialmente, mas o litoral paranaense já vive um daqueles momentos em que a realidade impõe pausas à euforia. Na madrugada deste domingo (4), a maré alta voltou a avançar sobre a Praia Brava de Caiobá, em Matinhos, e transformou parte da engorda da praia em um paredão de areia com mais de dois metros de altura, exatamente na área onde está sendo montado o palco principal do Verão Maior Paraná.
O cenário chamou a atenção logo nas primeiras horas da manhã. Onde antes havia uma extensa faixa de areia plana, agora surge um desnível abrupto, quase como uma cicatriz aberta pela força do mar. O paredão se formou após a ressaca que atingiu o litoral neste fim de semana e atingiu não apenas Caiobá, mas também outros balneários vizinhos, reacendendo um debate que nunca se afastou completamente da orla: até onde vai o controle humano sobre um litoral em constante movimento?
O espetáculo avança, o mar também
Mesmo diante do impacto visível da erosão, a montagem da estrutura segue. O palco que receberá milhares de pessoas na próxima sexta-feira (9), na abertura da programação com o DJ Alok, impressiona pelos números: 45 metros de largura, 21 metros de altura e 23 metros de profundidade, além de 11 torres de delay, camarotes, estúdio de TV e uma ampla estrutura de apoio montada diretamente sobre a areia.
O contraste é inevitável. De um lado, carretas descarregam toneladas de equipamentos, painéis de LED e estruturas metálicas. Do outro, o mar lembra, onda após onda, que a dinâmica costeira não segue cronogramas de eventos.
Nota oficial e promessa de normalidade
Em nota, o Governo do Paraná afirmou que nenhuma estrutura foi danificada e garantiu que a programação do Verão Maior será mantida. Segundo a comunicação oficial, equipes já atuam no local para conter a erosão e a reposição da areia deve começar nesta terça-feira (6). A montagem do palco, de acordo com o governo, segue normalmente.
“A situação está sob controle e os shows devem acontecer conforme planejado”, informou a gestão estadual.
Um problema que não é novo
Para quem acompanha o litoral de Matinhos mais de perto, o episódio não é surpresa. Em outubro de 2025, uma situação semelhante transformou a engorda em um paredão ainda maior, forçando a atuação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que exigiu a responsabilização do Consórcio Sambaqui, responsável pela obra.
Especialistas em dinâmica costeira já alertaram, em diferentes estudos, que a região de Matinhos apresenta um histórico de transporte intenso de sedimentos, o que torna a manutenção artificial da faixa de areia um desafio permanente — especialmente em períodos de maré alta e ressacas mais fortes.
Entre a festa e o alerta
O Verão Maior Paraná é uma das principais vitrines do governo Ratinho Junior, reunindo shows gratuitos, promoções comerciais e atividades culturais ao longo da temporada. A expectativa é de grande público, especialmente na noite de estreia, que deve atrair turistas de todo o estado e de regiões vizinhas.
Mas, enquanto os testes de som e luz se aproximam e os holofotes se preparam para acender, o litoral deixa um recado silencioso — e persistente. O verão chega com música, festa e promessas. O mar, como sempre, chega com memória, força e movimento.
Entre o palco e as ondas, Matinhos começa mais um verão tentando equilibrar espetáculo e natureza. E, mais uma vez, é o tempo — e o mar — que dirá quem dita o ritmo.
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