sábado, 17 de janeiro de 2026

Há cinco anos, a vacina mudou o rumo da história e abriu caminho para o novo normal

Da primeira dose aplicada no Brasil ao início da imunização no Paraná, a ciência venceu o medo, salvou vidas e devolveu o direito de viver em sociedade

A pneumologista do Centro de Referência Prof. Helio Fraga, da Fiocruz, Margareth Dalcolmo recebe a vacina Oxford/AstraZeneca na Fiocruz (janeiro de 2021) - Tomaz Silva/Agência Brasil

Depois da pandemia da Covid-19, foi a vacina que pavimentou o caminho para o chamado “novo normal” que vivemos hoje. Não fosse a imunização, iniciada no Brasil em 17 de janeiro de 2021, o país muito provavelmente teria permanecido por mais tempo mergulhado em isolamento domiciliar, restrições severas de circulação e distanciamento social. A vacina não representou apenas um avanço científico — foi um divisor de águas histórico, capaz de transformar medo em esperança e exceção em rotina.

Naquele domingo que entrou para a história, a enfermeira Mônica Calazans tornou-se a primeira brasileira a ser vacinada contra o coronavírus, em São Paulo, poucas horas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar o uso emergencial dos primeiros imunizantes. O gesto simples — uma seringa, um braço estendido e um punho cerrado — simbolizou a resistência da ciência diante da tragédia que já havia ceifado centenas de milhares de vidas.

No Paraná, a esperança chegou oficialmente no dia seguinte, 18 de janeiro de 2021. As primeiras doses da vacina CoronaVac desembarcaram no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ainda naquela noite, profissionais de saúde que atuavam na linha de frente contra a pandemia começaram a ser imunizados, marcando o início da maior campanha de vacinação da história do estado.

A primeira paranaense vacinada foi uma enfermeira da rede pública de saúde, símbolo de milhares de trabalhadores que, mesmo exaustos, seguiram firmes nos hospitais enquanto o país vivia o auge do colapso sanitário. Em poucos dias, a vacinação já alcançava os 399 municípios do Paraná, em uma operação logística sem precedentes.

Os efeitos da vacinação não demoraram a aparecer. À medida que os grupos prioritários eram imunizados — profissionais de saúde, idosos, indígenas e pessoas com deficiência — os números de internações e mortes começaram a cair de forma consistente. A ciência comprovava, na prática, aquilo que os negacionistas insistiam em negar: a vacina salva vidas.

Em escala nacional, os resultados foram expressivos. Em poucos meses, a campanha de imunização reduziu drasticamente os casos graves da doença. Em um ano, mais de 300 milhões de doses haviam sido aplicadas no Brasil, protegendo a maior parte da população adulta e evitando centenas de milhares de mortes que, sem a vacina, seriam inevitáveis.

Mas o aniversário da vacinação também carrega um peso de reflexão. Estudos apontam que milhares de vidas poderiam ter sido poupadas caso a imunização tivesse começado antes. O atraso na compra das vacinas, resultado de decisões políticas equivocadas e da negligência do governo federal à época, cobrou um preço alto — pago, sobretudo, pelos mais pobres, pelos idosos e pelos trabalhadores.

Hoje, cinco anos depois, lembrar o início da vacinação é mais do que celebrar um feito científico. É um exercício de memória coletiva. É reconhecer o papel do Sistema Único de Saúde (SUS), dos pesquisadores, dos profissionais da saúde e da população que acreditou na ciência, pois mesmo quem não acreditou e se negou em tomar a vacina acabou sendo beneficiado pela vacinação coletiva. A lição tirada com o final da pandemia é que negar a vacina é negar a vida.

O “novo normal” só foi possível porque milhões de braços se estenderam, porque a ciência resistiu e porque a solidariedade venceu o medo. Cinco anos depois, a vacina segue sendo um símbolo: de luta, de cuidado e de compromisso com o futuro. Se o dia 8 de janeiro hoje representa um dia de vergonha para o Brasil, o 17 de janeiro certamente é um dia de orgulho para a história do nosso país. E foi assim que a esperança venceu o medo outra vez.

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