sábado, 24 de janeiro de 2026

Gleisi deixa ministério para entrar forte na disputa pelo Senado no Paraná

Com apoio direto do presidente, crescimento do PT no estado e duas vagas em jogo, candidatura de Gleisi Hoffmann ganha densidade política e eleitoral

Com apoio direto do presidente, crescimento do PT no estado e duas vagas em jogo, candidatura da ministra ganha densidade política e eleitoral

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), decidiu antecipar sua saída do governo federal para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná nas eleições gerais de 2026. Inicialmente, o plano era buscar a reeleição à Câmara dos Deputados, com desincompatibilização prevista para abril. Agora, a mudança de estratégia indica que a saída do governo pode ocorrer já em fevereiro, reforçando o peso político e simbólico da decisão.

O movimento não é isolado nem improvisado. Ele foi oficializado publicamente nesta semana, quando Gleisi publicou em suas redes sociais uma foto ao lado do presidente Lula, do presidente da Itaipu Binacional, Ênio Verri, e do presidente nacional do PT, Edinho Silva. A imagem, registrada pelo fotógrafo oficial da Presidência da República, Ricardo Stuckert, funciona como um recado claro ao cenário político paranaense e nacional.

“Com Lula, pelo Paraná e pelo Brasil! 🤝

Em conversa com o presidente @lulaoficial, com o @enioverri e o @edinhosilvapt, presidente do PT, reafirmei o meu compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto liderado pelo presidente Lula. Sou pré-candidata ao Senado Federal!

A publicação não apenas confirma a pré-candidatura, como também ancora Gleisi no núcleo político do lulismo, afastando qualquer leitura de candidatura isolada ou meramente pessoal.

Lula cresce no Paraná e reposiciona o PT

A decisão ocorre em um contexto eleitoral mais favorável ao Partido dos Trabalhadores do que em ciclos anteriores. Em 2022, Lula foi eleito presidente da República e, no Paraná, alcançou 37,6% dos votos válidos no segundo turno, totalizando 2.506.464 votos.

Houve crescimento em relação ao primeiro turno, quando o petista recebeu 1.598.204 votos, um avanço de 908.260 votos. Mais do que números absolutos, o dado marca uma inflexão histórica: após quatro eleições consecutivas de retração, a votação do PT voltou a crescer no estado e manteve trajetória ascendente nos últimos três anos.

Um eleitorado de milhões e duas vagas abertas

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 8,4 milhões de paranaenses estão aptos a votar e devem ir às urnas em 2026 para escolher presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e estaduais.

No caso do Senado, a eleição segue o sistema majoritário, no qual os candidatos mais votados são eleitos, sem necessidade de quociente eleitoral. Neste pleito, dois terços do Senado Federal serão renovados. Cada estado elegerá dois senadores, o que amplia significativamente as chances de candidaturas com forte reconhecimento público.

Capital questiona, dados respondem

Em Curitiba, parte da opinião pública ainda questiona se Gleisi Hoffmann teria votos suficientes para conquistar uma vaga no Senado. Na avaliação do Sulpost, os dados indicam que a candidatura é não apenas plausível, mas competitiva.

Pesam a favor da ministra:

  • a eleição majoritária ao Senado;
  • o fato de Lula ser o principal cabo eleitoral no Paraná;
  • a construção de uma frente ampla entre PDT e PT para a disputa do governo estadual;
  • e o papel de Gleisi como a principal liderança do petismo paranaense, com trajetória no Senado, na Câmara e no Executivo.

PT articula frente ampla no Paraná

Antes do fechamento desta reportagem, o Sulpost conversou com o deputado estadual Arilson Chiorato, presidente do PT Paraná, que já está em agenda permanente pelo estado, visitando bases e dialogando com lideranças políticas e sociais.

Segundo Chiorato, a construção da chapa majoritária no Paraná já está em curso e passa diretamente pela consolidação de uma frente ampla:

“Vice e a outra vaga do Senado serão construídas. Hoje tem o PT, o PV, o PCdoB, a Rede, o PSOL, o PDT e nós estamos conversando com o PSB e o Avante também para ter construções aqui... E a vaga do Senado preferencialmente. Não quer dizer que não possa ter algum desses já, mas a preferência é outros aqui.”

A fala do presidente estadual do PT reforça que a pré-candidatura de Gleisi Hoffmann não está isolada, mas inserida em uma estratégia mais ampla de alianças, que busca consolidar um palanque competitivo tanto para o Senado quanto para o Governo do Estado.

Um movimento estratégico

A saída de Gleisi da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) não enfraquece o governo Lula. Ao contrário: reposiciona o projeto político. O presidente troca sua melhor articuladora no Planalto por uma possível senadora com mandato de oito anos, capaz de influenciar decisões estruturais do Estado brasileiro.

No tabuleiro político do Paraná, a pré-candidatura de Gleisi reorganiza forças, pressiona adversários e recoloca o PT no centro do debate estadual. O resultado final será conhecido apenas nas urnas. Mas os dados, as alianças em construção e o apoio político indicam que Gleisi Hoffmann entra na disputa longe de ser figurante.

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