sábado, 24 de janeiro de 2026

Engorda de Matinhos volta a ser engolida pelo mar, vira caso no MP-PR e intensifica debate em dia de show

Com a maré alta de hoje e imagens de sacos de areia sendo carregados ao mar, representação de Arilson Chiorato ao MP-PR, críticas sociais e técnicas aprofundam debate sobre danos ao meio ambiente e real eficácia da obra enquanto vídeo feito por Requião Filho viraliza nas redes

Com a maré alta de hoje e imagens de sacos de areia sendo carregados ao mar, representação de Arilson Chiorato ao MP-PR, críticas sociais e técnicas aprofundam debate sobre danos ao meio ambiente e real eficácia da obra enquanto vídeo feito por Requião Filho viraliza nas redes

A areia depositada na orla de Matinhos voltou a ser tragada pelo mar nas últimas horas, reacendendo um debate que acompanha a obra desde seu anúncio: será que a intervenção mais cara do litoral paranaense funciona como prometido?

Nesta terça-feira, com a estrutura do show do Verão Maior montada já está quase sendo lambida pela maré alta, a discussão pública e agora judicializada sobre a engorda da praia ganhou novos desdobramentos. O caso, que já vinha sendo acompanhado por parlamentares, técnicos e comunidade local, foi oficialmente levado também agora ao Ministério Público do Paraná (MP-PR).

Representação no MP-PR reforça investigação

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) protocolou uma representação no Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitando investigação aprofundada sobre possíveis danos ambientais, falhas técnicas e desperdício de recursos públicos na obra de engorda da orla de Matinhos.

A denúncia menciona que sacos de areia utilizados como contenção emergencial vêm sendo rompidos e arrastados pelo mar, espalhando material ao longo da costa e levantando dúvidas sobre o licenciamento ambiental, os estudos técnicos e a durabilidade da intervenção.

O vídeo que viralizou e a crítica política

O debate ganhou ainda mais força com a manifestação pública do deputado estadual Requião Filho (PDT), que divulgou um vídeo gravado na orla de Matinhos e amplamente compartilhado nas redes sociais.

“Eu sou a favor de shows, de obras e de investimentos no nosso litoral. Mas eu sou a favor de investimento de verdade, investimento que mude a vida das pessoas. Dinheiro público é dinheiro sagrado.”

No vídeo, o parlamentar relembra que episódios de erosão já haviam sido registrados em outubro do ano passado e novamente em 4 de janeiro, poucos dias antes do início da temporada de verão, e afirma que os reforços improvisados não resistiram às ressacas recentes.

“O reforço feito com o saco se desmanchou com a maré alta. Teve técnicos que falaram: não vai dar certo. O governo não quis escutar.”

Pré-candidatura e posicionamento público

Pré-candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho tem utilizado o episódio de Matinhos como exemplo do que classifica como falta de planejamento estrutural e desprezo por alertas técnicos na condução de grandes obras públicas. Em suas declarações, o deputado afirma que o problema não está em investir no litoral ou promover eventos, mas em priorizar ações de impacto visual imediato em detrimento de políticas duradouras.

Ao associar a engorda da praia a uma lógica de pressa e espetáculo, Requião reforça um discurso que vem marcando sua pré-candidatura: a defesa de um Estado que invista primeiro em saneamento, saúde, educação e infraestrutura permanente, especialmente para quem vive no litoral durante todo o ano — e não apenas na alta temporada.

Maré, show e cenário simbólico

A coincidência de uma nova maré alta com a programação de shows adiciona um peso simbólico ao cenário. Enquanto o público se reúne para celebrar a temporada de verão, o mar impõe sua presença física sobre uma faixa de areia que deveria representar estabilidade e planejamento. Afinal trata-se de uma obra que custou milhões de reais.

Especialistas lembram que obras de engorda não dominam o oceano — apenas tentam dialogar com ele. Quando esse diálogo falha, a resposta vem rápida, silenciosa e inevitável.

Entre as promessas e a realidade

Com investimento, que segundo divulgado pela mídia em geral, já supera a R$ 400 milhões, a engorda e urbanização da orla de Matinhos foi apresentada como a maior intervenção costeira da história do Paraná. Para críticos, o problema não está na ideia, mas na execução apressada, na ausência de escuta técnica e na politização de uma obra ambientalmente sensível — que deveria ter sido melhor planejada e executada, evitando assim o desperdício do dinheiro público.

Agora, com o MP-PR acionado, manifestações políticas ganhando alcance nacional e a maré subindo mais uma vez, a pergunta que ecoa na orla paranaense é simples e incômoda: quantas vezes o mar ainda precisará falar, mesmo que no silêncio da madrugada, para ser ouvido?

De acordo com fontes ouvidas pelo Sulpost, antes do fechamento dessa matéria, além da denúncia de Chiorato ao MP-PR, também está sendo realizada uma investigação por parte da Polícia Federal. Agentes da PF estiveram na orla nos últimos dias para recolher amostras dos sacos usados na contenção e carregados pela maré, abrindo investigação para apurar possível prática de crime ambiental. Enquanto isso, mesmo apresentando riscos, ao que parece o show não pode parar, e, se o verão é maior, a praia está cada dia menor.

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