Zeca Dirceu defende reestatização da BR Distribuidora e denuncia heranças do bolsonarismo: “Decisões maléficas ainda afetam o povo”
Por Ronald Stresser | Sulpost · 29/10/2025
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| Deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) |
Na manhã da última quarta-feira (29), o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) foi o convidado do programa Café PT, numa conversa que misturou política, economia e humanidade — o tipo de política que escuta o povo e mede seus efeitos no bolso de quem pega o ônibus, abastece a moto ou leva o filho à escola.
A defesa da reestatização
Logo no início da entrevista, Zeca colocou na mesa uma proposta firme: a reestatização da BR Distribuidora. Para ele, só recuperando um instrumento estratégico do Estado será possível garantir que as reduções de preço anunciadas pela Petrobras cheguem de fato às bombas e ao bolso das famílias.
“É nossa tarefa esclarecer o quanto que decisões maléficas da época do Bolsonaro, da época do golpe, do impeachment, da época de Temer, ainda afetam a vida das pessoas”, afirmou o deputado.
Zeca lembrou que, além da venda da BR, reformas como a trabalhista e a da previdência fizeram parte de um conjunto de medidas que fragilizaram a proteção social e a capacidade estatal de agir em nome da soberania nacional.
Preço dos combustíveis: memória e responsabilidade
Na entrevista, o deputado rememorou momentos de maior pressão sobre o orçamento das famílias: “A gasolina chegou a custar R$ 8, R$ 9 — e, corrigindo pela inflação daquele período, seria como se hoje estivéssemos pagando R$ 12, R$ 13 pelo litro”, disse ele, para resgatar a dureza daquela realidade.
A atual política adotada pela Petrobras, segundo Zeca, já trouxe um alívio: ele citou redução de 4,9% no preço do litro (valor mencionado na entrevista), que passou a custar R$ 2,71 em média — mas advertiu que, enquanto a distribuição continuar majoritariamente privada, essa queda dificilmente será universal e sustentável.
Crime organizado e um setor vulnerável
A conversa também abordou a recente operação da Polícia Federal que apontou a presença de organizações criminosas no setor de combustíveis, algo que, nas palavras de Zeca, chegou a “infectar” a cadeia de distribuição — mencionando inclusive a ação do PCC em segmentos estratégicos.
Diante disso, o deputado foi categórico: “Ou a Petrobras cria uma nova distribuidora, ou o Brasil cria uma nova estatal para cuidar dessa parte importante do processo de crescimento, desenvolvimento do país, ou nós vamos achar meios jurídicos […] para reestatizar.” A saída, para ele, precisa aliar técnica, coragem política e proteção social.
Responsabilidades passadas, escolhas presentes
Zeca não poupou críticas às manobras eleitorais do período anterior: afirmou que o ex-presidente utilizou medidas artificiais para simular redução no preço da gasolina às vésperas do pleito de 2022, forçando Estados a reduzirem o ICMS e criando uma aparência de benefício imediato que, no fim, foi bancada pelos cofres públicos e pela população.
“Fez festa com o chapéu alheio, e de forma ilegal. Quem pagou essa conta fomos nós.”
Paraná: caravana e diálogo
O deputado também falou sobre a caravana do governo federal no Paraná — seu berço político — coordenada pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Zeca destacou a importância do diálogo com municípios para garantir que programas sociais avancem com efetividade.
“Nós estamos vivendo um momento ótimo, por exemplo, do Minha Casa, Minha Vida. O governo federal voltou a apoiar a construção de creche, de escolas, a construção de Unidades Básicas de Saúde [UBS], de centros de atenção psicossocial”, listou o parlamentar, ressaltando a necessidade de união entre esferas para materializar esses investimentos.
Uma política traduzida em elos humanos
Mais do que posicionamentos técnicos, a entrevista expôs o traço humano da atuação política de Zeca Dirceu: a preocupação com o efeito das grandes decisões sobre a vida cotidiana, a defesa de instrumentos estatais para garantir soberania e a convicção de que diálogo e ação pública são chaves para reconstruir serviços e dignidade.
Nas palavras do deputado, é preciso “divulgar as boas ações” do governo e, ao mesmo tempo, ensinar ao público como escolhas do passado moldaram a atual vulnerabilidade do país — para que a memória sirva como alerta e como força motriz de mudanças.


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