“Akilomba Paraná”: Itaipu firma convênio com Rede de Mulheres Negras para promover igualdade racial e de gênero em 15 cidades do Estado
Por Ronald Stresser | Sulpost| Foto: Divulgação/Projeto Akilomba |
Num gesto não apenas simbólico, mas concreto de resistência, no mês em que se celebra o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, a Itaipu Binacional firmou nesta sexta-feira (25) um convênio histórico com a Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN-PR). A parceria, que se materializa através do Projeto Akilomba Paraná, levará oficinas, formações, mentorias e produções culturais a 15 municípios espalhados por seis regiões do Estado.
Mais do que um convênio institucional, o acordo marca um encontro de potências. De um lado, uma empresa pública que carrega nas turbinas a responsabilidade de impulsionar o Brasil com energia limpa e compromisso social. De outro, uma rede formada por mulheres negras que há quase 20 anos resistem, denunciam e constroem alternativas para romper os ciclos de racismo e desigualdade.
Projeto com ancestralidade no nome
O nome "Akilomba" não é por acaso. Remete aos quilombos, espaços de liberdade, resistência e reconstrução de saberes e identidades. É exatamente essa a essência do projeto que será desenvolvido nos municípios de Araucária, Arapoti, Cascavel, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Guaíra, Guarapuava, Guaraqueçaba, São José dos Pinhais, Pinhais, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Foz do Iguaçu, Palmas e São Miguel do Iguaçu.
Oficinas em escolas públicas, cursos de formação antirracista para profissionais da saúde e da educação, mentorias e aulas de inglês para jovens negras, além da produção de um minidocumentário e de um livro digital com foco na memória e nos saberes da população negra estão entre as ações previstas.
Por um Brasil mais justo
Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu, a iniciativa vai ao encontro do projeto de país que está sendo reconstruído no atual governo.
“Promover a igualdade racial e de gênero é uma obrigação e exige compromisso contínuo de toda sociedade. No governo do presidente Lula, o Brasil voltou a combater a discriminação e todas as formas de violência contra as mulheres. A Itaipu está engajada com o compromisso de tornar o Brasil um país mais justo e igualitário”, afirmou Enio Verri.
As palavras de Verri ecoam o momento político e social em que o combate ao racismo estrutural e a valorização da diversidade deixaram de ser bandeiras marginais para ocupar o centro das decisões públicas. A Itaipu, com sua atuação binacional e seu impacto em centenas de comunidades, reconhece que energia também é transformação social.
Vinte anos de caminhada e resistência
Para Cleci da Cruz Martins, coordenadora executiva da RMN-PR, o convênio chega como um sopro de fôlego em um momento decisivo para a rede.
“Esta parceria vem em um momento em que poderemos nos fortalecer institucionalmente, ampliando os nossos saberes e expondo a nossa identidade”, declarou Cleici.
A RMN-PR atua há duas décadas nos bastidores das políticas públicas, pressionando, formando e acolhendo. Suas ações tocam comunidades tradicionais, juventudes periféricas e mulheres que, muitas vezes, só encontram voz e apoio dentro da própria rede.
Presente em diversas regiões do Paraná, a RMN-PR atua nas áreas de educação, saúde, cultura, geração de renda e direitos humanos com foco específico na mulher negra, população que sofre com a interseccionalidade das opressões de raça e gênero.
Energia além das turbinas
Mais do que gerar eletricidade, Itaipu tem se destacado por políticas internas e externas de enfrentamento à violência de gênero, inclusão e equidade. A empresa é signatária do Pacto Global da ONU e atua como parte ativa dos movimentos “Raça é Prioridade” e “Elas Lideram”, que promovem ações afirmativas e reconhecimento da diversidade nas corporações.
Com diretrizes voltadas à dignidade humana e respeito à pluralidade, a empresa reafirma, por meio de ações como o Projeto Akilomba, que não há desenvolvimento sustentável sem justiça social e reparação histórica.
Um futuro que carrega memória
Ao fim, o que se celebra com esse convênio é mais do que a assinatura de um papel. É o reconhecimento de que a transformação passa por escutar quem sempre esteve à margem, por valorizar vozes historicamente silenciadas, por devolver às comunidades negras aquilo que lhes foi negado: o direito à narrativa, à cidadania e à dignidade.
E enquanto as oficinas se multiplicarem pelos quatro cantos do Paraná, enquanto jovens negras se empoderarem aprendendo inglês e participando de mentorias, enquanto livros, físicos e digitais, forem publicados e a história for contada em suas múltiplas vozes e cores, um Brasil mais justo estará sendo tecido com as mãos de quem nunca deixou de resistir.
📌 Com informações da Itaipu Binacional. Edição: Ronald Stresser, para o blog Sulpost.

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