quarta-feira, 25 de março de 2026

Metalúrgicos do Paraná se mobilizam para conferência nacional e eleições de 2026

Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka

Reunião da classe metalúrgica paranaense, no MetalClube de Guaraqueçaba, visa Conferência Nacional da Classe Trabalhadora que acontece em abril — “Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores”, diz Butka

O presidente do SMC, Sérgio Butka, de microfone em punho, declarou: “Estamos aqui em Guaraqueçaba para a reunião da Federação”, ele abriu os trabalhos em tom direto, conversando olho no olho com cada trabalhador. A pauta, segundo ele, ultrapassa os limites do estado: trata-se da preparação para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15 de abril.

Butka destacou que o movimento sindical entrou em um ciclo estratégico. Às vésperas do 1º de Maio e em um ano eleitoral, a prioridade é clara: consolidar propostas e cobrar compromissos concretos de quem pretende disputar as eleições 2026.

“Queremos saber quais são os candidatos que vão assumir compromisso com os trabalhadores.”

A fala não vem isolada. Ela ecoa uma preocupação antiga, mas que ganha força em ano eleitoral: quem, de fato, governa e propõe leis pensando nos trabalhadores?

Entre o capital e o trabalho: o modelo em disputa

No centro do debate está uma escolha que não é nova, mas segue atual — e urgente. Butka coloca de forma direta: o país precisa decidir que tipo de gestão quer para os próximos quatro anos.

Um modelo voltado aos trabalhadores? 
Ou um modelo que privilegia o capital financeiro, onde atuam aqueles que vivem da lógica da especulação e do lucro imediato? Que tem voz na hora das negociações por melhores salários, condições de trabalho e benefícios: a classe patronal ou os trabalhadores?

A crítica não é apenas retórica. Ela revela um sentimento compartilhado em diferentes categorias: o distanciamento entre decisões econômicas e a realidade de quem vive do próprio salário. Um sentimento que está reacendendo a luta sindical, a luta da classe trabalhadora brasileira, que foi quase despedaçada durante os quatro anos de Bolsonaro.

Salário, dignidade e condições de trabalho

Ao longo da fala, o presidente do SMC reforçou que a luta não se resume ao reajuste salarial — embora ele seja essencial. Trata-se também de condições dignas, estabilidade e poder de compra real. O ganho do trabalhador tem que acompanhar o preço do combustível, do supermercado, da saúde, da moradia, da cultura, da educação e do entretenimento.

A equação é simples, mas muitas vezes difícil de alcançar quando não existe boa vontade política: mais renda no bolso e mais respeito no ambiente de trabalho. E, para isso, segundo Butka, será preciso organização.

“Os metalúrgicos do Paraná vão estar fomentando suas bandeiras e defendendo de unhas e dentes.”

Chamado às bases

Há um momento no vídeo enviado ao Sulpost em que o discurso deixa de ser institucional e se torna quase um convite — que também serve de alerta.

“Fica atento, esse ano tem eleição.”

A frase é curta, mas carrega peso. Ela aponta para um entendimento cada vez mais presente no movimento sindical: a disputa não acontece apenas nas fábricas ou nas mesas de negociação, mas também nas urnas. As escolhas feitas pelo trabalhador, nas próximas eleições, vão repercutir nas políticas voltadas à classe durante os próximos quatro anos.

A luta que constrói

O encontro em Guaraqueçaba termina com uma frase que sintetiza o espírito da reunião — e talvez do próprio movimento:

“A luta faz a lei.”

Não se trata de um slogan, e sim de um lembrete histórico. Porque, no fim das contas, cada direito conquistado nasceu de algum tipo de mobilização e muitas vezes levou anos para que fossem conquistados. E, ao que tudo indica, 2026 será mais um daqueles momentos em que a história volta a ser escrita — desta vez, com a caneta nas mãos de quem trabalha. A classe trabalhadora não admita nenhum direito a menos.

É como diz o companheiro Nelsão da Força — vice-presidente do SMC — parafraseando Roberto Requião, aquele que sem sombra de dúvidas foi o governador que mais dez pela classe trabalhadora paranaense: "Desistir não desisto, parar não paro, e, se dignidade custa caro, pago o preço."

Veja o vídeo do presidente Sérgio Butka

Sulpost — Jornalismo que respira luta.

Lula batiza primeiro caça Gripen produzido no Brasil

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional

Marco histórico inaugura nova fase da aviação e da indústria de defesa nacional
Foto: Ricardo Stuckert (PR)

A aeronave, montada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, não chega como apenas mais um equipamento à Força Aérea Brasileira (FAB). Ela carrega algo mais difícil de medir: a sensação concreta de mudança de patamar.

Pela primeira vez, o Brasil entra no grupo restrito de países capazes de produzir caças supersônicos de alta complexidade. Não na teoria, não no discurso — mas na prática.

Sem fala oficial, Lula observou. E talvez tenha sido o gesto mais coerente com o momento. Há ocasiões em que o silêncio comunica melhor do que qualquer discurso preparado.

Porque o que estava ali não precisava de explicação longa. Precisava ser visto.

Entre o passado dependente e o futuro possível

Durante décadas, a defesa aérea brasileira se apoiou em aeronaves adquiridas no exterior. Equipamentos eficientes, mas que vinham acompanhados de dependência — de peças, de atualizações, de decisões tomadas fora do país.

O programa Gripen muda essa equação.

Desenvolvido em parceria com a sueca Saab e com participação direta da Embraer, ele não se limita à aquisição de aeronaves. Envolve transferência de tecnologia, formação de profissionais brasileiros e inserção da indústria nacional em uma cadeia global altamente especializada.

Os números ajudam a dimensionar, ainda que parcialmente:

- Mais de 2 mil empregos diretos.
- Cerca de 10 mil indiretos.

Mas o dado mais relevante não cabe em planilha: é a autonomia.

“Quem domina tecnologia domina o futuro.”

A frase do vice-presidente Geraldo Alckmin, dita durante o evento, resume uma lógica que vem sendo construída há anos. Segundo ele, o governo federal já disponibilizou R$ 108 bilhões, via BNDES, para projetos voltados à inovação.

O Gripen está dentro desse movimento mais amplo: o de reposicionar o Brasil como produtor — e não apenas consumidor — de tecnologia estratégica.

O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou esse ponto ao destacar que o acesso a tecnologias de ponta impacta diretamente a indústria nacional, elevando seu nível de maturidade e capacidade competitiva.

No fundo, a equação é direta:

- defesa gera tecnologia;
- tecnologia gera indústria;
- indústria gera soberania.

E soberania, hoje, vai muito além de fronteiras geográficas.

Um novo capítulo na aviação brasileira

Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, segundo informa a EBC, não há espaço para relativizar o momento.

Ele definiu o Gripen como a aeronave mais importante da história da aviação nacional.

A afirmação pode soar forte — mas encontra respaldo no que está em curso.

Das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil, 15 serão produzidas em solo nacional. Isso significa mais do que montagem: significa domínio progressivo de processos, fortalecimento de cadeia produtiva e geração de conhecimento.

Em outras palavras, significa capacidade de continuidade.

Entre o presente e o que vem depois

Durante a visita, Lula também conheceu um projeto que aponta para outra direção do setor aéreo: o eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer.

Um veículo elétrico, de decolagem vertical, pensado para mobilidade urbana.

A imagem é quase didática sem precisar forçar interpretação:

de um lado, um caça supersônico;
do outro, uma aeronave silenciosa e elétrica.

No meio, o mesmo país tentando ocupar espaços diferentes — mas complementares — no futuro da aviação.

Mais do que um avião

O batismo do Gripen não é apenas um ato cerimonial. É um ponto de virada.

Ele marca a passagem:

- do planejamento para a execução;
- da dependência para a autonomia;
- da promessa para a entrega.

Não resolve tudo. Não muda tudo de uma vez.

Mas desloca o eixo, colocando o Brasil na vanguarda da aviação de caça. E, às vezes, é exatamente isso que define o início de uma nova etapa.

No fim, a aeronave batizada hoje em Gavião Peixoto não foi apenas um caça. É uma possibilidade concreta de país.

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Greve na Brose expõe tensão entre lucro e dignidade do trabalho

Empresa poderá enfrentar multa de até R$ 1 milhão após ação do Ministério Público do Trabalho

O barulho não vem das máquinas. Vem das vozes. Na porta da fábrica da Brose, em São José dos Pinhais, o que se escuta é o eco de uma disputa antiga — trabalho de um lado, poder econômico do outro. Faixas erguidas, passos firmes, olhos atentos. Não é só uma greve. É um recado.

E agora, esse recado começa a ganhar peso jurídico. O Ministério Público do Trabalho da 9ª Região (MPT-PR) entrou com uma Ação Civil Pública contra a empresa após denúncias graves durante a paralisação que mobilizou trabalhadores entre o fim de fevereiro e meados de março. No centro da questão: o respeito — ou a falta dele — ao direito constitucional de greve.

Quando o conflito vira processo

Segundo o MPT, a Brose teria ultrapassado limites legais ao tentar esvaziar o movimento grevista. Entre as práticas denunciadas estão a contratação de trabalhadores temporários para substituir grevistas, restrições ao retorno dos funcionários e até questionamentos sobre a condução interna de processos como a eleição da CIPA.

Na prática, o que está em jogo não é apenas uma disputa trabalhista pontual. É o próprio cumprimento da Lei de Greve (Lei nº 7.783/89), que garante ao trabalhador o direito de parar — sem ser punido por isso.

A decisão é clara: a empresa deverá cumprir integralmente a legislação, sob pena de multa. E não é pouco.

Multa milionária e possível indenização coletiva

O processo prevê penalidades que podem chegar a R$ 100 mil por obrigação descumprida. Somadas, essas infrações podem ultrapassar a casa de R$ 1 milhão.

Além disso, há um pedido de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 1 milhão. Um valor que, mais do que financeiro, carrega um simbolismo: o reconhecimento de que direitos trabalhistas não são negociáveis.

O que o MPT exige da empresa

  • A proibição de contratar trabalhadores substitutos durante a greve
  • O pagamento correto de salários e verbas aos grevistas
  • A anulação de processos internos considerados irregulares, como a eleição da CIPA durante o movimento
  • A garantia de participação ampla dos trabalhadores em novas decisões

Tudo isso sob vigilância direta da Justiça do Trabalho.

Mais do que números, são histórias

Por trás dos autos do processo, existem pessoas. Trabalhadores que acordam cedo, enfrentam ônibus lotados, sustentam famílias e agora enfrentam também a insegurança.

A greve, muitas vezes tratada como incômodo por setores empresariais, é — na essência — um instrumento de defesa. Um último recurso quando o diálogo falha.

E talvez seja isso que mais incomoda: quando o silêncio vira voz coletiva. Direitos trabalhistas foram adquiridos através de muitos anos de luta, isso faz também da greve da Brose, uma questão de soberania. As empresas multinacionais precisam aprender a respeitar a legislação brasileira.

O que está em jogo agora

A Brose ainda poderá se defender no processo. Mas o recado institucional já foi dado: há limites que não podem ser ultrapassados, mesmo em momentos de crise ou pressão produtiva.

Em um país onde direitos trabalhistas são frequentemente colocados à prova, o caso reacende um debate necessário — qual é o custo de ignorar a dignidade no ambiente de trabalho?

A resposta, ao que tudo indica, pode ser alta. Está na hora da própria sociedade dar uma resposta. Quando o mamute Nacional se instala no Brasil fica sujeita à lei brasileira.

Ao que tudo indica a questão será respondida em bom tom,  pois este pode ser um caso emblemático, que não vai se traduzir apenas em multas e indenizações.

A linha de frente também tem nome

Entre as vozes que ecoam na porta da fábrica, uma delas carrega história, insistência e presença constante: Nelsão da Força. Há meses, ele tem sido uma das figuras centrais na articulação da luta dos metalúrgicos da Brose, acompanhando de perto cada avanço e cada tensão.

Sua atuação, mais do que política, tem sido de resistência cotidiana, no resgate da luta sindical brasileira. O nelas é daquelas que não aparecem sempre nos holofotes, mas sustentam o movimento quando o desgaste começa a pesar na vida do trabalhador.

Procurada pela reportagem do Sulpost, a Brose não se manifestou até o fechamento desta matéria.

Clique aqui e veja as fotos e vídeos da manifestação dos trabalhadores, que no último dia 26 de fevereiro protestaram na porta da fábrica, Centro Cívico e em frente à Superintendência do Ministério do Trabalho e do Emprego, em Curitiba. (Google Drive)

terça-feira, 24 de março de 2026

O planeta pede socorro: ONU confirma avanço da emergência climática

Relatório da ONU confirma avanço da emergência climática, com oceanos superaquecidos, eventos extremos e impactos que atravessam gerações

Relatório da ONU confirma avanço da emergência climática, com oceanos superaquecidos, eventos extremos e impactos que atravessam gerações

O dia amanhece bonito. O sol se espalha em tons dourados sobre o mar, como se nada estivesse fora do lugar. A cena é calma — quase enganosa. Porque, por baixo dessa superfície serena, o planeta já não respira no mesmo ritmo.

A Terra está fora de equilíbrio. E desta vez, não é figura de linguagem. É diagnóstico. Um relatório divulgado nesta semana pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU para o clima, coloca em palavras aquilo que os eventos extremos já vinham gritando: o sistema climático entrou em estado de emergência. Não é previsão. É presente.

Quando o calor deixa de ser exceção

Há padrões que demoram décadas para se formar. Outros, quando se repetem demais, deixam de ser padrão — viram ruptura. Entre 2015 e 2025, o planeta registrou os 11 anos mais quentes desde o início das medições. Onze, seguidos.

O ano de 2025, sozinho, já figura entre os mais quentes da história, com temperatura média global cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais. Pode parecer pouco. Não é.

“Quando a história se repete onze vezes, deixa de ser coincidência. É um chamado à ação”, resumiu o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O que assusta não é só o número — é a velocidade com que tudo está acontecendo.

Rápido demais para os ecossistemas. Rápido demais para as cidades. Rápido demais para quem precisa se adaptar.

Planeta em desequilíbrio

Pela primeira vez, o relatório coloca no centro um indicador silencioso — mas decisivo: o desequilíbrio energético da Terra. Na prática, significa que o planeta está acumulando mais energia do que consegue devolver ao espaço.

A causa é conhecida, repetida, ignorada: gases de efeito estufa em níveis recordes, os mais altos em centenas de milhares de anos. O efeito disso não aparece só no termômetro. Ele se distribui pelo sistema inteiro:

  • 91% do calor extra vai para os oceanos
  • cerca de 5% aquece os continentes
  • apenas 1% permanece na atmosfera que sentimos

Ou seja: aquilo que já incomoda — o calor, as ondas extremas — é só a parte visível de um processo muito mais profundo.

O oceano segura — até onde consegue

Durante anos, o oceano funcionou como um amortecedor invisível. Absorveu calor, conteve o impacto, ganhou tempo para a humanidade. Mas esse tempo está acabando.

Nas últimas duas décadas, os mares passaram a absorver, a cada ano, o equivalente a 18 vezes todo o consumo de energia da humanidade.

Em 2025, esse acúmulo atingiu o maior nível já registrado. O que antes era proteção começa a virar limite. Os sinais estão por toda parte:

  • ecossistemas marinhos em desgaste
  • biodiversidade em queda
  • tempestades mais intensas
  • perda da capacidade natural de absorver carbono

E há algo ainda mais difícil de encarar: parte dessas mudanças já não pode ser revertida no tempo de uma vida humana. São processos que atravessam séculos.

O gelo cede — o mar avança

Enquanto o oceano aquece, o gelo recua. O Ártico e a Antártida seguem registrando níveis historicamente baixos de gelo marinho. Geleiras perdem massa em ritmo acelerado.

O resultado aparece em números — e em mapas que começam a mudar: o nível médio do mar já está cerca de 11 centímetros acima do registrado em 1993. Pode parecer pouco no papel. Mas, na prática, significa:

  • áreas costeiras mais vulneráveis
  • salinização de água doce
  • cidades sob risco crescente

Não é um problema distante. É um processo em curso que está ocorrendo neste exato momento, e, pior, fugindo ao controle.

O clima extremo virou rotina

Se antes os eventos extremos eram exceção, hoje eles se espalham como padrão. Ondas de calor, incêndios florestais, secas prolongadas, tempestades violentas, enchentes.

Em 2025, esses eventos deixaram um rastro concreto: milhares de mortes, milhões de pessoas afetadas e bilhões em perdas econômicas.

Mas o impacto não termina quando a água baixa ou o fogo apaga. Ele se prolonga — e se infiltra:

  • na produção de alimentos
  • nos deslocamentos forçados
  • na expansão de doenças como a dengue
  • na sobrecarga dos sistemas de saúde

Hoje, mais de 1,2 bilhão de trabalhadores já enfrentam riscos relacionados ao calor em suas atividades.

É o clima afetando diretamente o corpo, o trabalho e a sobrevivência.

O problema já não é falta de aviso

Os dados estão consolidados. As medições são precisas. Os alertas são públicos.

Não falta informação. O que falta — e o relatório deixa isso evidente, mesmo sem dizer diretamente — é decisão.

“A dependência de combustíveis fósseis está desestabilizando o clima e a segurança global”, afirmou António Guterres.

E completou, sem suavizar: o caos climático está acelerando — e o atraso custa vidas.

O amanhã em disputa

O tema do Dia Meteorológico Mundial deste ano carrega uma mensagem simples: “Observar hoje para proteger o amanhã.”

A ciência observa. Mede. Explica. Mas proteger… isso já não é tarefa dos dados. É escolha. O planeta já respondeu de várias formas — no calor, na água, no vento, no gelo.

A pergunta que permanece não é mais sobre o que está acontecendo. É sobre o que será feito a partir daqui. E essa resposta, ao contrário do clima… ainda pode mudar.

- Com informações da: Organização Meteorológica Mundial (WMO/ONU); e Agência Brasil.

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Nos bastidores do poder: sucessão no Paraná deixa de ser especulação e entra em fase decisiva

Saída de Rafael Greca do PSD, avanço de Alexandre Curi e silêncio estratégico de Ratinho Júnior redesenham o futuro político do estado

Por Ronald Stresser,Jr — Sulpost — 23 de março de 2026
 
Paraná - Rafael Greca e Alexandre Curi abraçados, o casal 20 das eleições 2026.

O Paraná acordou em silêncio nesta penúltima segunda-feira de março — mas não é um silêncio vazio. É daqueles que antecedem decisões grandes. Nos corredores do poder, nos cafés discretos, nas conversas que não chegam às manchetes — mas são a pauta do dia na Boca Maldita — o que se desenha já não é mais hipótese. É movimento, é articulação política forte, realizada pelo grupo político mais poderoso hoje no estado.

Em poucos dias, o tabuleiro político do estado mudou de lugar. E mudou rápido. A orbita foi completa. A saída de Rafael Greca do PSD e sua filiação ao MDB não foi apenas uma troca de partido. Foi um gesto calculado, com peso de reposicionamento. Greca não rompeu — ele se reposicionou dentro do mesmo campo, preservando pontes e ampliando possibilidades.

Ao mesmo tempo, o governador Ratinho Júnior mantém o discurso de tranquilidade. Disse publicamente que está confortável com os nomes que tem à disposição. E, de fato, tem. Mas a tranquilidade, nesse caso, parece menos ausência de dúvida e mais controle do tempo — faltam seis meses e pouco mais de uma semana para às eleições.

Quanto maior a aprovação de um governo, maior o peso da escolha de quem vem depois. E, Ratinho Júnior goza de mais de 80% de aprovação, sendo o governador mais popular da história do Paraná. 

A escolha, agora, deixou de ser interna, até poucos dias atrás, a disputa estava concentrada dentro do próprio grupo do governo, com nomes como Alexandre Curi e Guto Silva orbitando o centro das decisões. Era um jogo de equilíbrio interno. Mas a entrada formal de Greca na disputa muda o eixo.

Ele sai de um partido, mas não sai do projeto. Ao declarar apoio a Ratinho Júnior — e mais do que isso, ao sinalizar o governador como um nome nacional — Greca amplia o horizonte da conversa. Ele não fala apenas de 2026. Ele fala de poder.

É nesse ponto que os bastidores começam a ganhar forma mais concreta. Segundo fontes consultadas, a possibilidade de uma composição entre Alexandre Curi e Rafael Greca, que até pouco tempo parecia distante, passa a circular com mais consistência, e inclusive bastante entusiasmo. Não como rumor vazio, mas como alternativa real de equilíbrio político. 

De um lado, Curi carrega a força do interior, a articulação construída ao longo dos anos, o trânsito político que atravessa praticamente todos os municípios do estado. É um nome que conhece o Paraná na prática — não apenas no mapa. O único pré-candidato ao governo do estado que já esteve em todos os 399 municípios do Paraná, sendo que em mais da metade deles esteve várias vezes. Sempre esteve junto ao povo do Paraná, realmente próximo do cidadão.

Do outro, Greca traz o peso simbólico da capital, a imagem consolidada de gestor, a herança de um modelo urbano que colocou Curitiba no radar internacional. Um dos maiores urbanistas do Brasil. A capital paranaense é o rosto visível de um projeto de cidade que se tornou referência. É uma Smart City.

Curi e Greca juntos, formariam uma chapa com densidade política e alcance territorial — capital e interior, falando a mesma língua. Falando a língua do povo do Estado do Paraná, que não cai em conto de aventureiro.

Mas há uma variável que ainda segura o desfecho: o tempo de Ratinho Júnior. O governador sabe que sua decisão não é apenas administrativa. É estratégica. Define não só o futuro do estado, mas também o seu próprio caminho político. Ele é um homem paciente, embora cercado de muita gente ansiosa — como este jornalista que vos escreve, por exemplo.

E é por isso que o silêncio, neste momento, vale mais do que qualquer declaração. Enquanto isso, Guto Silva segue no jogo. Com perfil técnico, proximidade com a gestão e forte ligação com o atual governo, ele representa a continuidade mais orgânica do projeto. Não está fora — está dentro, e com espaço. Mas de acordo com interlocutores, e todos sabem, Ratinho Júnior é um grande articulador político. Guto Silva pode, de repente, sair de uma reunião com uma secretaria do estado ou chefia da casa civil garantida, no caso da eleição de Curi e Greca.

O que se vê, portanto, não é uma disputa comum. É um redesenho cuidadoso de forças. Realizada por um homem que atrás do sorriso carrega uma inteligência privilegiada.

O Paraná, que se orgulha de sua estabilidade, pode estar prestes a viver uma das sucessões mais sofisticadas de sua história recente. Sem rupturas evidentes. Sem confrontos abertos. Mas com movimentos precisos, quase cirúrgicos. Mostrando que a polarização pode ser vencida, mesmo que internamente.

Existe algo maior em jogo. O estado começa a se posicionar como vitrine de um modelo político que tenta se apresentar ao país como alternativa: menos ideologia exposta, mais gestão, mais resultado, mais previsibilidade. Construindo pontes que ligam a tudo e a todos.

Se isso vai se confirmar nas urnas, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa já mudou — e mudou de forma irreversível: a sucessão no Paraná deixou de ser especulação. Ela já começou.

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domingo, 22 de março de 2026

Chuvas acima da média aliviaram o cenário em 17 estados, mas Nordeste ainda enfrenta quadro mais crítico

O céu, em muitas regiões do Brasil, finalmente deu sinais de trégua. Depois de meses em que o calor parecia pesar mais do que o próprio ar, fevereiro trouxe consigo uma mudança quase silenciosa — mas profundamente sentida por quem vive da terra, da água e da esperança.

© Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Dados divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por meio do Monitor de Secas, revelam que o país registrou um abrandamento do fenômeno em quatro grandes regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. A informação foi repercutida pela Agência Brasil.

Na prática, isso significa que a seca perdeu força em boa parte do território nacional. Em janeiro, ela atingia 63% do país. Em fevereiro, esse número caiu para 54%. Ainda é muito — mas já não é o mesmo cenário sufocante.

Um alívio que chega em ondas

Ao todo, 17 estados apresentaram melhora na severidade da seca. Entre eles, nomes que vinham enfrentando situações delicadas, como Minas Gerais, Bahia, Goiás e São Paulo. Em muitos desses locais, as chuvas vieram acima da média, mudando o ritmo da paisagem.

No Sudeste, por exemplo, o impacto foi visível. Minas Gerais e Rio de Janeiro receberam volumes expressivos de chuva, permitindo o recuo da seca grave e moderada. No Espírito Santo, o fenômeno simplesmente desapareceu — um dado que, por si só, já diz muito.

No Centro-Oeste, o cenário também melhorou. A seca perdeu força no norte do Mato Grosso e em áreas críticas de Goiás e Mato Grosso do Sul. No Distrito Federal, a chuva fez mais do que amenizar: eliminou completamente a seca.

Nem tudo são nuvens carregadas

Mas o mapa do Brasil ainda carrega contrastes fortes.

O Nordeste segue como o epicentro da seca no país. Em fevereiro, 95% da região apresentou algum nível do fenômeno — sendo a única com registro de seca extrema. Estados como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte tiveram 100% do território afetado.

Ainda assim, até ali houve respiros. A seca extrema deixou de ser registrada na Bahia e no Piauí, graças às chuvas mais intensas.

Enquanto isso, no Norte, embora o percentual de área afetada seja menor (29%), alguns pontos acenderam alerta. Houve agravamento da seca em partes de Roraima e avanço do fenômeno no Amazonas.

O Sul em compasso de espera

No Sul, a situação pouco mudou — e isso também preocupa.

Com 63% do território afetado, a região manteve estabilidade no quadro geral. Mas, em áreas específicas do Rio Grande do Sul e do Paraná, a seca avançou, impulsionada por chuvas abaixo do esperado.

É o tipo de estabilidade que não traz conforto. Apenas pausa.

Um retrato em movimento

O Monitor de Secas, criado em 2014, funciona como um termômetro contínuo do país. Ele não mede apenas a falta de chuva, mas os impactos reais — no solo, na agricultura, nos reservatórios e na vida cotidiana.

Entre janeiro e fevereiro, a área total afetada pela seca caiu de 5,4 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados. Ainda é mais da metade do Brasil.

Ainda é muito.

Mas também é um lembrete: o clima não é estático. Ele respira, oscila, responde — às vezes tarde, às vezes de forma desigual —, mas responde.

E, neste fevereiro, respondeu com chuva.

Fonte: Agência Brasil, com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

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sábado, 21 de março de 2026

No equinócio de outono, Chik Jeitoso faz previsões que atravessam o poder e levantam um alerta inquietante sobre o futuro

Em entrevista exclusiva ao Sulpost, o bruxo curitibano fala em atentados, retorno de líderes globais e um possível abalo nas estruturas do Brasil e do mundo

Em entrevista exclusiva ao Sulpost, o bruxo curitibano fala em atentados, retorno de líderes globais e um possível abalo nas estruturas do Brasil e do mundo

O céu muda devagar. Quase ninguém percebe o exato momento em que o verão termina — mas ele acontece. Ontem, às 11h, o outono começou. E com ele, para quem acredita, abre-se também um desses portais simbólicos onde o tempo parece mais fino, mais sensível… mais revelador.

É nesse tipo de dia que Chik Jeitoso costuma falar. Não por acaso. O bruxo curitibano — que hoje também é um fenômeno digital nas redes sociais — construiu ao longo dos anos uma audiência fiel, seguidores que acompanham suas duas lives semanais quase como quem acompanha um ritual. Não é só curiosidade. Existe algo ali que cativa. Um misto de mistério, fascínio e expectativa.

Porque, goste-se ou não, algumas de suas previsões já ecoaram longe. Outras não se cumpriram. E ele próprio não esconde isso.

“A partir do momento em que minhas lâminas mágicas mostram o futuro, ele é revelado — e então pode ser mudado, evitado ou realizado.”

Talvez seja exatamente essa frase que explique tudo. O futuro, na visão dele, não é fixo. É uma disputa. É mutável, ainda não aconteceu, mas pode sim se materializar, afinal tudo é possível.

Um mundo que parece sair do eixo

Na entrevista ao Sulpost, Chik não começa leve. Ele vai direto ao ponto — e o ponto não é confortável.

Segundo ele, o mundo atravessa uma fase de tensão que ainda não terminou de se revelar. As guerras em curso, na sua leitura, não são eventos isolados. São gatilhos.

Gatilhos para algo maior.

“Ou a ONU muda a sua estratégia de ajuda ou ela vai acabar também.”

A frase não vem como análise técnica. Vem como sentença. E carrega um sentimento que muita gente já tem, mesmo fora do campo místico: o de que as estruturas globais estão falhando em seu papel de manutenção da paz mundial.

Quando o poder entra na mira das previsões

É quando a conversa entra no terreno político que o tom muda de vez. Chik cita nomes. Situações. Possibilidades que, se um dia se confirmarem, podem mudar completamente o cenário internacional.

Ele afirma que Barack Obama vai voltar ao poder nos Estados Unidos.

E, em seguida, faz um alerta direto sobre Donald Trump:

“O Trump vai sofrer dois atentados, em um deles ele vai estar junto com o presidente de Israel.”

Não há provas. Não há dados. Há apenas a leitura dele — um sortilégio, simbólico, intuitivo. Ainda assim, o impacto está justamente aí: na força da imagem que isso cria. Todos sabemos que através dos séculos há histórias de várias profecias e vidências que realmente se concretizaram.

No Brasil, o tom fica ainda mais tenso

Se no cenário internacional as previsões já causam desconforto, com guerras e atentados, no Brasil elas se tornam ainda mais diretas na esfera da justiça.

Chik menciona o ministro André Mendonça de forma explícita. E o alerta é imediato:

“Ele tem que tomar cuidado… com envenenamento… com o restaurante que ele frequenta. Mas ninguém derruba o ministro. A justiça é a reserva moral deste país.”

É o tipo de fala que exige responsabilidade na leitura. Não se trata de informação confirmada — mas de uma declaração que, por si só, já revela o clima de tensão que atravessa o imaginário coletivo. 

Em outro momento, ele cita o empresário Daniel Vorcaro e sugere um desdobramento de grande escala:

“Na delação dele… ele vai parar o mundo. A delação dele será como uma bomba atômica.”

Chik também menciona mais um possível escândalo envolvendo o Banco Master, com repercussões que, segundo ele, poderiam atingir estruturas profundas do poder no país e envolver muita gente poderosa.

"A delação do Vorcaro vai atingir em cheio a família Bolsonaro", afirma.

Mais do que prever, Chik parece captar algo que já está no ar: a sensação de que há movimentos acontecendo nos bastidores. 

No meio do caos, um discurso inesperado

Curiosamente, nem tudo na entrevista é sombra. Em vários momentos, o bruxo muda o tom. Sai da previsão e entra quase num apelo. Fala de fome. De desigualdade. De abandono global.

“Os 70 países do mundo têm que socorrer os 30 menores países que estão na extrema pobreza.”

E fala, com ainda mais ênfase, de algo que não aparece tanto quanto deveria:

“O número de pessoas que estão sofrendo pânico, insônia e depressão é gravíssimo.”

Nesse ponto, a entrevista deixa de ser sobre o futuro… e passa a ser sobre o presente.

A próxima revelação já tem data

Antes de encerrar, Chik deixa claro que o que foi dito ainda não é tudo. Segundo ele, abril será o mês das previsões mais completas — incluindo leituras políticas estado por estado no Brasil.

Há, portanto, uma continuidade. Um roteiro do ano com desdobramentos que ainda estão sendo revelado aos poucos pela vidência do bruxo.

O que fica depois da leitura

No fim, não é sobre acreditar ou não. É sobre o incômodo que permanece. Por que esse tipo de fala encontra eco? Por que tanta gente para para ouvir? Talvez porque, no fundo, todos sentimos que algo está fora do lugar.

E quando alguém aparece dizendo que consegue enxergar esse “algo”… mesmo que não explique, mesmo que não prove… ainda assim, mexe. Chik Jeitoso não entrega respostas prontas. Mas ele acende perguntas. E, às vezes, isso já é suficiente para tirar o sono.

O que Chik Jeitoso diz ter visto: um resumo das previsões

Ao longo da conversa, as falas de Chik Jeitoso não seguem uma linha única. Elas vêm em ondas — ora políticas, ora espirituais, ora sociais. Mas, quando organizadas, formam um mosaico de previsões que, segundo ele, já estariam em movimento.

Abaixo, os principais pontos revelados na entrevista:

  • Estados Unidos: Barack Obama voltaria ao poder em um movimento inesperado, alterando o equilíbrio político global.
  • Donald Trump: enfrentaria duas tentativas de atentado, em meio a um cenário de alta tensão política.
  • Brasil – Judiciário: o ministro André Mendonça precisaria redobrar cuidados com sua segurança pessoal, com menções a riscos envolvendo envenenamento.
  • Brasil – bastidores do poder: um caso envolvendo o Banco Master teria potencial para provocar um abalo profundo nas estruturas políticas e institucionais do país.
  • Delações e impacto global: segundo Chik, revelações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro poderiam “parar o mundo”, indicando desdobramentos de grande escala.
  • Ambiente político brasileiro: menções a impactos que poderiam atingir diretamente a família Bolsonaro de forma “avassaladora”.
  • Risco e tensão: ele afirma que há múltiplas ameaças envolvendo figuras centrais desses processos, indicando um cenário de instabilidade e disputa.
  • Crise global: aumento do risco de terrorismo como consequência direta das guerras em andamento.
  • Organizações internacionais: a ONU estaria próxima de um colapso estrutural caso não mude sua forma de atuação.
  • Desigualdade mundial: necessidade urgente de que países ricos socorram nações em extrema pobreza, sob risco de agravamento da crise humanitária.
  • Saúde mental: crescimento acelerado de casos de depressão, ansiedade e pânico, descrito por ele como uma emergência global.
  • Abril como marco: novas previsões, mais detalhadas — incluindo cenários políticos nos 27 estados brasileiros — seriam reveladas no próximo ciclo.

No fim, o que fica não é apenas o conteúdo das previsões, mas o clima que elas desenham: um mundo em transição, onde, segundo o próprio Chik, o futuro ainda está em aberto — e pode, a qualquer momento, tomar outro rumo.

As previsões, como alerta Jeitoso, servem justamente feitas para que possa ser evitado o pior, assim como fazia outrora o notório vidente Nostradamus. Chik Jeitoso é alto astral. Ele só faz o bem e suas previsões não significam mau agouro e sim um aviso. 

Peixes com metais pesados acendem alerta em regiões da Amazônia

Estudo aponta contaminação acima do limite em espécies consumidas diariamente por ribeirinhos

© Nayara Jinknss/Greenpeace

Na Amazônia, o peixe faz parte da rotina. Está no almoço, no jantar, na cultura e na subsistência de milhões de pessoas. Por isso, quando ele entra no radar da ciência, o sinal precisa ser levado a sério.

Um estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) identificou a presença de metais pesados em espécies consumidas na região — em níveis que, em alguns casos, ultrapassam o limite considerado seguro.

O que os pesquisadores encontraram

A pesquisa acompanhou pescadores em diferentes municípios do oeste do Pará, analisando espécies bastante comuns no consumo local. Segundo informa a EBC, os resultados mostram a presença de substâncias como mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo. Em algumas amostras, o nível de mercúrio chegou a valores muito acima do tolerado.

E o dado mais alarmante: o risco foi considerado relevante em todas as espécies avaliadas, levando em conta o padrão de consumo da população local.

Como os peixes são contaminados

Os metais pesados não aparecem por acaso. Eles têm origem em atividades que já fazem parte da paisagem da região: o garimpo ilegal de ouro, que utiliza mercúrio na mineração, além de devastar grandes áreas de floresta nativa.

O avanço do agronegócio predatório, que além de desmatar quilômetros da mata, usa agrotóxicos em larga escala, somados a diversos tipos de fertilizantes, tudo aplicado de maneira irregular, o que acaba contaminando os lençóis freáticos.

Esses elementos acabam sendo levados para os rios e entram na cadeia alimentar. Com o tempo, se acumulam — principalmente em peixes que estão no topo dessa cadeia, como os predadores.

O impacto no dia a dia

Para quem vive nos centros urbanos, o consumo de peixe costuma ser ocasional. Na Amazônia, não. Para muitas comunidades ribeirinhas, ele é a principal fonte de proteína. Isso muda completamente o nível de exposição aos contaminantes.

O consumo frequente aumenta o risco de efeitos à saúde, que podem incluir problemas neurológicos e outras complicações ao longo do tempo.

Um alerta que clama por equilíbrio

Apesar dos dados, os pesquisadores não recomendam interromper o consumo de peixe. A questão é mais complexa. O peixe continua sendo essencial para a segurança alimentar dessas populações. O desafio está em reduzir a contaminação na origem e ampliar o monitoramento.

Meio ambiente e saúde caminham juntos

O estudo reforça algo que já vem sendo discutido há anos: não dá mais para separar meio ambiente de saúde pública. A qualidade da água, do solo e dos alimentos está diretamente ligada à qualidade de vida das pessoas. E, nesse caso, o que acontece nos rios não fica nos rios. Chega à mesa.

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Mananciais da Mata Atlântica seguem sob pressão, prejudicando a qualidade da água

Estudo mostra estagnação preocupante no setor de saneamento, causando impacto direto no meio-ambiente

 
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Nos rios da Mata Atlântica, o que se vê é um cenário que pouco muda ao longo dos anos. Um novo levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica confirma essa sensação: a qualidade da água segue estável em um nível considerado preocupante. Não houve piora, mas também não houve melhora. E, em temas ambientais, estagnação é sinal de alerta.

De acordo com a Agência Brasil, foram mais de mil análises realizadas ao longo de 2025, em rios espalhados por diferentes regiões do país. O retrato é claro: a maior parte dos pontos monitorados se mantém na classificação “regular”. Na prática, isso significa rios que ainda existem — mas já sentem o peso da poluição.

Um padrão que se repete

Os números ajudam a entender melhor esse cenário. Apenas uma pequena parcela dos pontos analisados apresentou qualidade considerada boa. Nenhum atingiu o nível ideal. Enquanto isso, a maioria permanece no meio do caminho — e uma fatia menor já se encontra em condições ruins ou críticas.

O dado mais relevante não está apenas na distribuição, mas na repetição desse padrão ao longo dos anos. Quando comparados com levantamentos anteriores, os resultados mostram pequenas oscilações, mas nenhum avanço consistente. É como se os rios estivessem presos a um limite que o país ainda não conseguiu superar.

O básico que ainda falta

Por trás desse quadro, existe uma causa conhecida — e persistente. Saneamento básico precário ou até inexistente.

Grande parte do esgoto produzido nas cidades ainda é lançada sem tratamento adequado nos rios. Isso mantém constante a entrada de poluentes, dificultando qualquer processo de recuperação.

Mesmo com metas estabelecidas para os próximos anos, o avanço ainda acontece em ritmo lento. E os rios acabam refletindo exatamente isso.

Quando o entorno influencia a água

A qualidade da água também depende do que acontece fora dela. A retirada de vegetação nas margens, o uso intensivo do solo e o desmatamento afetam diretamente os cursos d’água. Sem proteção natural, os rios recebem mais sedimentos, mais resíduos e menos capacidade de regeneração.

Além disso, eventos climáticos extremos — como períodos longos de seca ou chuvas intensas — alteram o equilíbrio das bacias hidrográficas. Em alguns momentos, a poluição se concentra. Em outros, é arrastada com mais força. Tudo isso contribui para um cenário estagnado, ou seja, que não evolui.

Um problema ambiental — e também urbano

A situação dos rios da Mata Atlântica mostra que a questão da água não é apenas ambiental. Ela passa por planejamento urbano, investimento público e gestão.

Melhorar a qualidade da água exige mais do que ações pontuais. Depende de infraestrutura, fiscalização e preservação.

Sem isso, o país segue convivendo com rios que vivem — mas longe da plenitude que poderiam ter.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Março Laranja expõe uma violência que atravessa gerações

Campanha amplia o debate sobre bullying, ciberbullying e assédio, e ganha força também dentro das fábricas em Curitiba

O céu de março amanhece com um tom diferente. Não é apenas o calor que muda, nem só o calendário que avança. Há uma cor simbólica no ar — o laranja — que insiste em lembrar que, por trás de muitas rotinas aparentemente normais, ainda existem silêncios, violências e dores que não aparecem.  O Março Laranja chega como um chamado. Não apenas para olhar, mas para enxergar.
Bullying é crime, não se cale - Agenda Senado

Durante muito tempo, o bullying foi tratado como um rito de passagem. Algo menor, quase inevitável. A escola como cenário, a infância como justificativa. Mas o tempo — e os números — desmontaram essa narrativa.

O que antes era visto como “brincadeira” hoje é reconhecido como violência. Uma violência que começa cedo, se adapta às novas tecnologias e, muitas vezes, acompanha a vítima até a vida adulta.

Com a popularização das redes sociais, o problema ganhou outra dimensão. O ciberbullying rompeu os limites físicos da escola. Não há mais refúgio. A exposição é contínua, pública, e frequentemente cruel.

A agressão, agora, pode acontecer a qualquer hora — e diante de todos.

O peso invisível que o corpo sente

O bullying raramente deixa marcas visíveis. Mas o impacto é profundo. Ansiedade, insegurança, isolamento, dificuldade de concentração. Em muitos casos, o que se instala é um processo silencioso de adoecimento.

A vítima, muitas vezes, não reage. Se retrai. Aprende a suportar. E é justamente nesse silêncio que a violência se perpetua.

Quando crescer não significa escapar

A vida adulta não encerra esse ciclo. Ela o transforma. O bullying muda de nome. Passa a ser chamado de assédio. E se instala, com frequência, no ambiente de trabalho.

Pressão excessiva. Metas inalcançáveis. Humilhações veladas. Isolamento. Constrangimentos diários que, aos poucos, corroem a saúde mental.

Dados do Ministério da Previdência Social ajudam a dimensionar o problema: em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais — um aumento de 68% em relação ao ano anterior. É o maior número da última década.

A maioria dos casos atinge mulheres. E isso revela outra camada dessa realidade: a violência também tem gênero.

A nova NR-1 e o reconhecimento dos riscos psicossociais

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 marca uma mudança importante no entendimento sobre saúde no trabalho. Não se trata mais apenas de evitar acidentes físicos.

Agora, empresas também são responsáveis por identificar, prevenir e combater os chamados riscos psicossociais — aqueles que nascem das relações, da pressão, da cultura organizacional.

Nesse cenário, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPAA) assume um papel central. Cabe a ela monitorar o ambiente, identificar práticas abusivas, atuar na prevenção e contribuir para a construção de espaços mais saudáveis — não apenas fisicamente, mas emocionalmente.

Em Curitiba, a campanha chega às fábricas

Em Curitiba, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) levou o Março Laranja para dentro das fábricas — onde o tema, muitas vezes, permanece invisível.

A campanha de 2026 propõe uma mudança concreta: fortalecer a presença de mulheres nas CIPAA’s. Não como representatividade simbólica, mas como estratégia de transformação.

  • amplia a confiança para denúncias
  • facilita o acolhimento de vítimas
  • ajuda a identificar violências naturalizadas
  • fortalece o enfrentamento ao assédio

Sem essa participação, a prevenção se torna incompleta.

As ações já percorrem o chão de fábrica, com mobilizações em empresas como Renault, Volvo, CNH, entre outras, promovendo debates, formação de trabalhadores e integração entre equipes. O objetivo não é apenas informar. É alterar a cultura.

Um ambiente seguro não é só aquele sem acidentes

A campanha traz uma provocação direta. Um local de trabalho pode cumprir todas as normas técnicas e ainda assim ser um ambiente de adoecimento.

Se há medo, pressão constante, humilhação ou silêncio, há risco. E esse risco não aparece em relatórios. Ele se acumula nas pessoas.

O desafio que o Março Laranja deixa

Mais do que uma campanha, o Março Laranja funciona como um espelho. Ele obriga a sociedade a encarar uma pergunta desconfortável: que tipo de ambiente estamos construindo — na escola, no trabalho, na vida?

Combater o bullying, o ciberbullying e o assédio não depende apenas de leis ou normas. Depende de cultura. De postura. De escolha. E, sobretudo, de não se calar.

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Paraná: a chapa esquenta com a proximidade das Eleições 2026

Entre bombas nos combustíveis e rearranjos políticos, Requião Filho se consolida como contraponto a Moro na corrida pelo governo

O preço da gasolina sobe silenciosamente nas placas dos postos — e, com ele, sobe também a temperatura da política paranaense. Não é só o bolso que sente. É o humor das ruas. É o termômetro de uma eleição que já começou, mesmo sem ter sido oficialmente aberta.

Por Ronald Stresser Jr, para o Sulpost 

Moro e Requião Filho lideram disputa no Paraná - Reprodução

No meio desse cenário, o deputado estadual Requião Filho dá um passo que mistura política pública com estratégia eleitoral: aciona o Ministério da Justiça para investigar aumentos considerados abusivos nos combustíveis no Paraná.

A medida, anunciada nesta semana, não vem isolada. Ela dialoga diretamente com um sentimento difuso — e crescente — de desconfiança da população diante de reajustes que parecem não acompanhar os movimentos reais das refinarias da Petrobras.

Quando o combustível sobe sem explicação clara, o impacto chega na comida, no transporte, na vida de todo mundo”, afirmou o deputado.

Mas, no fundo, a frase carrega mais do que indignação econômica. Carrega intenção política. O jogo é bruto!

Disputa começa a ganhar forma

As eleições de 2026 no Paraná ainda estão no horizonte, mas os movimentos já são de campanha. E os números mais recentes das pesquisas ajudam a explicar o ritmo acelerado.

De acordo com as pesquisas mais recentes, Requião Filho aparece em segundo lugar, atrás do senador Sérgio Moro, ex-ministro de Bolsonaro, que lidera os cenários — agora ainda mais fortalecido após sua filiação ao PL, partido do ex-presidente, que cumpre pena no presídio da Papuda, em Brasília (DF).

A entrada de Moro no partido foi descrita nos bastidores como uma “ogiva nuclear” no tabuleiro político local. Estrutura partidária, tempo de televisão, articulação nacional. Tudo isso pesa. Mas também cobra.

Ao se associar diretamente ao campo bolsonarista, Moro passa a carregar junto as contradições desse grupo — algo que adversários, especialmente à esquerda, já começam a explorar com intensidade.

Requião Filho aposta na política “do chão”

Enquanto Moro consolida alianças no topo, Requião Filho parece apostar em outro caminho: o da política de base, do cotidiano, das pautas concretas. A ação sobre os combustíveis é um exemplo. Mas não o único.

Nos próximos dias, ele também lidera uma discussão estratégica sobre a fronteira entre Brasil e Argentina — um tema que raramente ganha destaque eleitoral, mas que afeta diretamente a economia de cidades do Sudoeste do Paraná.

A proposta é simples na aparência: ampliar o horário de funcionamento da aduana. Mas o impacto pode ser amplo — mais comércio, mais turismo, mais circulação de renda.

Fronteira tem que ser porta de desenvolvimento, não barreira”, disse.

É o tipo de pauta que dialoga com prefeitos, comerciantes, caminhoneiros. E, principalmente, com quem sente na prática o efeito das decisões políticas.

O peso do sobrenome — e da comparação

Filho do ex-governador Roberto Requião, o pré-candidato carrega um legado político forte — e, ao mesmo tempo, desafiador. Se por um lado o nome abre portas, por outro exige afirmação própria.

E talvez seja por isso que ele tenha adotado um tom mais direto ao falar do principal adversário:

O que o Sérgio Moro fez como senador pelo Paraná?”, questionou recentemente. “Combate à corrupção é o mínimo.

A crítica não é casual. Ela tenta deslocar o debate de um campo onde Moro é forte — o simbólico — para outro onde ainda precisa se provar: o da gestão pública.

Um tabuleiro mais complexo do que parece

A eleição, no entanto, está longe de ser uma disputa de dois nomes. O ex-prefeito Rafael Greca voltou ao MDB e se mantém como peça relevante no jogo. O governador Ratinho Junior ainda não revelou completamente seus planos. E novas forças, como o grupo liderado por Ricardo Gomyde, também tentam espaço.

Ao mesmo tempo, temas estruturais — como energia, combustíveis e economia — ganham peso diante de um cenário internacional instável, com reflexos diretos no Paraná. Nada disso é detalhe. Tudo isso vira voto, contra ou a favor.

O que está em jogo

No fim das contas, a corrida de 2026 no Paraná começa a se desenhar como um embate de narrativas, que ganham potência num ambiente ainda fortemente polarizado:

  • De um lado, Sérgio Moro, com discurso de combate à corrupção e apoio de uma base conservadora estruturada na "República de Curitiba" e, agora também, no bolsonarismo;

  • Do outro, Requião Filho, tentando se firmar como gestor político, homem de visão, conectado às demandas concretas da população e portador de um legado político que faz parte da história de progresso do Paraná.

Entre eles, um eleitorado cansado de promessas abstratas — e cada vez mais atento ao impacto real das decisões políticas. O preço do combustível pode parecer apenas um número no painel. Mas, em ano pré-eleitoral ele vira símbolo. E símbolo, na política, costuma decidir eleição.

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“Menos gasto, mais investimento”: mobilidade elétrica começa a redesenhar a saúde no Noroeste do Paraná

Com apoio de Itaipu e articulação de Zeca Dirceu, 23 municípios recebem veículos elétricos para fortalecer o atendimento público

Zeca Dirceu e o diretor geral de Itaipu, Enio Verri - Divulgação 
 

O dia amanhece no interior do Paraná como tantos outros — ruas ainda tranquilas, o vai e vem discreto de quem depende do serviço público para viver com dignidade. É nesse cotidiano silencioso que decisões políticas deixam de ser discurso e passam a ser presença real. Às vezes, chegam sobre quatro rodas. E, agora, também movidas a energia limpa.

No Noroeste do estado, 23 municípios se preparam para uma mudança concreta na forma de atender sua população. Serão 54 veículos elétricos destinados aos serviços de saúde — uma iniciativa viabilizada pela Itaipu Binacional e articulada pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR).

Mais do que números, o que está em jogo é a engrenagem diária de cidades que precisam fazer muito com pouco.

De acordo com a assessoria de imprensa do parlamentar, os veículos — da marca Geely — estão em fase final de licitação. Serão 31 unidades destinadas ao Consórcio Intermunicipal da Bacia do Rio Xambrê (Cibax) e outras 23 ao Consórcio Intermunicipal para Conservação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência (Coripa). A previsão de entrega é para os próximos meses.

Cada município receberá dois carros, com a possibilidade de uma terceira unidade via sorteio. Na prática, isso significa equipes de saúde chegando mais longe, visitas domiciliares mais frequentes, deslocamentos mais ágeis — e menos dependência de combustíveis fósseis. É política pública que se mede no detalhe. E também no alívio das contas.

Na prática, isso ajuda muito o dia a dia das cidades. É menos gasto com combustível, mais fôlego no orçamento e a possibilidade de investir em outras prioridades. Quem ganha com isso é a população”, afirmou Zeca Dirceu.

A fala não vem isolada. Ela se conecta a uma estratégia maior de retomada do papel social da Itaipu — algo que, segundo Zeca, tem origem direta na decisão do presidente Lula.

A Itaipu voltou a investir nos municípios por decisão do presidente Lula. Hoje vemos a empresa chegando aos 399 municípios do Paraná com ações estruturantes”, destacou.

No consórcio Coripa, cidades como Altônia, Guaíra, Terra Roxa e Icaraíma serão contempladas. Já no Cibax, entram municípios como Umuarama, Iporã, Pérola e Cruzeiro do Oeste — regiões onde cada melhoria na estrutura pública reverbera diretamente na vida das pessoas.

E há um aspecto que vai além da logística: o simbólico.

Em um tempo de polarizações acirradas, projetos como esse lembram algo essencial — governar não é sobre vencer o outro, mas sobre servir a todos. Zeca Dirceu, aliado do governo federal e, ao mesmo tempo, capaz de dialogar com diferentes esferas de poder no estado, representa esse tipo de construção política que não rompe pontes — constrói caminhos.

Os veículos elétricos são apenas uma parte de um pacote mais amplo. A Itaipu também tem investido em energia solar para hospitais, apoio ao terceiro setor e obras de infraestrutura em diversas regiões.

É o tipo de política que não faz barulho imediato — mas permanece, pavimentando uma estrada para o futuro. Porque, no fim das contas, o poder muda de mãos, mas o Estado continua. E é através dele que a vida real acontece.

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Metalúrgicos autorizam negociações na Volvo enquanto denúncias na Brose expõem o outro lado das relações de trabalho

Enquanto segue o impasse da Brose com seus trabalhadores, Volvo mostra respeito à democracia e reconhece o sindicato como mediador legítimo das revindicações trabalhistas


Butka e Nelsão conduzem assembleia na Volvo - SMC

O sol ainda nem tinha se mostrado por completo quando o frio matutino da Cidade Industrial de Curitiba encontrou um calor a mais — o da organização coletiva. Em frente à Volvo do Brasil, trabalhadores formavam o tradicional círculo de assembleia. Ali, antes da sirene, antes da linha de produção, vem a palavra. E dela, a decisão.

Na porta da fábrica, o início de mais uma luta coletiva

Na última quarta-feira (18), em assembleias realizadas pela manhã e à tarde, os trabalhadores da Volvo autorizaram o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) a iniciar as negociações da Campanha Salarial 2026. A pauta é clara — e urgente: reposição salarial, valorização do vale-mercado e ampliação de benefícios.

Mas há algo mais profundo em jogo.

O presidente do sindicato, Sérgio Butka, reforçou no caminhão de som uma linha estratégica que vem ganhando força: a negociação por empresa. Um modelo que aproxima o debate da realidade concreta de cada chão de fábrica — e, por consequência, aumenta a capacidade de conquista.

Butka também chamou atenção para um fator novo: as mudanças na reforma tributária, que criam incentivos para empresas que investem em benefícios como alimentação, transporte, saúde e educação. No papel, é política fiscal. Na vida real, pode ser dignidade.

A assembleia ainda aprovou a renovação de acordos essenciais, como Banco de Horas, Dias Pontes e o REP (cartão ponto), garantindo continuidade nas regras internas.

Com cerca de 4.200 trabalhadores no Brasil, a Volvo mantém em Curitiba um dos seus principais polos globais. E o que se vê ali é um modelo onde o conflito existe — porque ele é natural —, mas encontra mediação. E isso muda tudo.

Assembleia na porta da Volvo, nesta quarta (18) - SMC 

Quando o diálogo existe — e quando ele é negado

A poucos quilômetros dali, a realidade recente dos trabalhadores da Brose do Brasil segue como ferida aberta.

Após mais de um mês de greve, o que deveria ser negociação virou tensão prolongada. A empresa, segundo relatos, recusou-se a dialogar com o sindicato, não enviou representantes para mediações na Superintendência do Ministério do Trabalho no Paraná e manteve uma postura de enfrentamento.

As consequências vieram rápido — e pesadas.

Denúncias apontam pressão durante o movimento grevista, presença de segurança privada e até da Polícia Militar, além de práticas que fragilizam o direito de paralisação. O retorno ao trabalho, decidido em assembleia, veio carregado de desgaste.

E não foi só isso.

“Tem diversas denúncias de trabalhadores que foram assediados, ameaçados, humilhados… isso já está no Ministério Público, inclusive denúncia por prática antissindical.”

O relato é do dirigente sindical Nelsão da Força, vice-presidente do SMC, em áudio enviado ao Sulpost. Segundo ele, há trabalhadores impedidos de exercer suas funções, orientados a permanecer em casa e submetidos a situações de constrangimento durante o período de greve.

Os nomes são preservados. O medo ainda circula.

Sindicalistas protestam em frente à Brose - SMC

Dois modelos, duas visões de mundo

A comparação entre as duas realidades não é apenas inevitável — ela é necessária.

De um lado, uma empresa que reconhece o sindicato como interlocutor legítimo. Do outro, uma que resiste a essa mediação, mesmo operando em um país onde o direito à organização sindical é garantido pela Constituição Federal de 1988.

Não se trata de ideologia. Trata-se de prática.

Empresas que respeitam o trabalhador tendem a produzir melhor. Não por caridade, mas por inteligência estratégica. Um ambiente minimamente justo gera engajamento, reduz conflitos e fortalece a própria operação.

Ignorar isso custa caro. Para todos.

A postura da Brose, além de impactar diretamente seus trabalhadores, reverbera no ambiente político, desgasta instituições e tensiona um ecossistema que depende de equilíbrio.

E no centro disso tudo está o trabalhador.

Aquele que acorda antes do sol, enfrenta o transporte, chega antes da sirene e sustenta, com o próprio corpo, a engrenagem da indústria.

É luta que segue — porque a vida não espera

Na Volvo, a campanha salarial começa. Na Brose, as cicatrizes ainda falam.

Mas há um ponto comum entre os dois cenários: a luta não para.

Os preços sobem. O custo de vida pressiona. E o trabalhador não pode — não deve — ser a variável de ajuste para maximizar lucros.

O Brasil não aceita mais relações de trabalho baseadas no silêncio ou no medo.

Se algumas empresas ainda não entenderam isso, outras já deram o exemplo.

E, no frio da manhã curitibana, entre palavras ao microfone e mãos erguidas em votação, fica uma certeza simples — mas poderosa: quando o trabalhador fala junto, ele não fala baixo.

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