terça-feira, 31 de março de 2026

Paraná adere a plano de Lula para reduzir preço do diesel

Estado do Paraná aceita dividir subsídio com a União para conter alta impulsionada por crise internacional

Ratinho Junior e Lula: Estado aceita dividir subsídio com a União para conter alta impulsionada por crise internacional
Imagem meramente ilustrativa/IA/Sulpost

O preço do diesel sobe silenciosamente nas bombas — mas o impacto faz barulho em toda a economia. Do frete ao alimento, tudo sente. E foi nesse cenário que o Paraná decidiu se mover.

Nesta terça-feira (31), o governador Ratinho Junior confirmou a adesão do estado ao programa do governo federal que busca reduzir o custo do diesel no país. A medida, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, surge como resposta direta à escalada dos preços provocada por tensões no Oriente Médio.

A escolha do Paraná destoa de boa parte dos estados brasileiros, que vêm resistindo à proposta por temer perdas significativas de arrecadação.

Como funciona o acordo

O modelo apresentado pela União prevê um subsídio total de R$ 1,20 por litro de diesel, dividido igualmente entre os entes federativos.

  • R$ 0,60 pagos pela União
  • R$ 0,60 assumidos pelos estados que aderirem

A participação é voluntária e terá validade inicial de dois meses, a partir da edição da medida provisória federal.

No caso do Paraná, a decisão veio após discussões técnicas no âmbito do Confaz. Mesmo diante do impacto fiscal estimado em R$ 77,5 milhões por mês — cerca de R$ 155 milhões no período total — o governo estadual optou por seguir com a adesão.

Pressão nos preços

Desde o início do conflito no Oriente Médio, o diesel acumulou alta de 22,53% no Brasil, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Um aumento que não fica restrito aos postos: ele atravessa cadeias inteiras — transporte, produção, consumo.

O Paraná, que importa cerca de 2 bilhões de litros de diesel por ano, sente esse efeito com intensidade. É o terceiro maior importador do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

Divergência entre estados

Enquanto o Paraná sinaliza alinhamento com a União, o cenário nacional está longe de consenso.

O Comsefaz, que reúne os secretários estaduais da Fazenda, já manifestou resistência à proposta. O principal argumento é direto: a redução do ICMS comprometeria receitas essenciais para áreas como saúde e educação.

  • Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a rejeitar a medida
  • Nordeste demonstra maior inclinação ao apoio

Estratégia federal

Além do subsídio compartilhado, o governo federal já zerou tributos federais (PIS/Cofins) sobre o diesel. A ideia é conter o avanço da inflação e evitar efeitos em cascata — especialmente no custo do frete, um dos principais vetores de pressão sobre os preços.

O que diz o governo do Paraná

Segundo o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, a decisão busca equilíbrio entre responsabilidade fiscal e impacto social.

“O Paraná mantém seu compromisso com a preservação da atividade econômica e proteção do povo paranaense. Buscamos um entendimento coletivo que permita reduzir a carga tributária sem estimular guerra fiscal entre os estados.”

O que vem agora

As negociações continuam em nível nacional. A adesão de mais estados será decisiva para determinar o alcance real da medida — e sua capacidade de, de fato, segurar os preços nas bombas.

Por enquanto, o Paraná se posiciona como um dos primeiros a entrar no esforço conjunto. E, num cenário de incerteza global, qualquer movimento conta.


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