domingo, 22 de março de 2026

Chuvas acima da média aliviaram o cenário em 17 estados, mas Nordeste ainda enfrenta quadro mais crítico

O céu, em muitas regiões do Brasil, finalmente deu sinais de trégua. Depois de meses em que o calor parecia pesar mais do que o próprio ar, fevereiro trouxe consigo uma mudança quase silenciosa — mas profundamente sentida por quem vive da terra, da água e da esperança.

© Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Dados divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por meio do Monitor de Secas, revelam que o país registrou um abrandamento do fenômeno em quatro grandes regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste. A informação foi repercutida pela Agência Brasil.

Na prática, isso significa que a seca perdeu força em boa parte do território nacional. Em janeiro, ela atingia 63% do país. Em fevereiro, esse número caiu para 54%. Ainda é muito — mas já não é o mesmo cenário sufocante.

Um alívio que chega em ondas

Ao todo, 17 estados apresentaram melhora na severidade da seca. Entre eles, nomes que vinham enfrentando situações delicadas, como Minas Gerais, Bahia, Goiás e São Paulo. Em muitos desses locais, as chuvas vieram acima da média, mudando o ritmo da paisagem.

No Sudeste, por exemplo, o impacto foi visível. Minas Gerais e Rio de Janeiro receberam volumes expressivos de chuva, permitindo o recuo da seca grave e moderada. No Espírito Santo, o fenômeno simplesmente desapareceu — um dado que, por si só, já diz muito.

No Centro-Oeste, o cenário também melhorou. A seca perdeu força no norte do Mato Grosso e em áreas críticas de Goiás e Mato Grosso do Sul. No Distrito Federal, a chuva fez mais do que amenizar: eliminou completamente a seca.

Nem tudo são nuvens carregadas

Mas o mapa do Brasil ainda carrega contrastes fortes.

O Nordeste segue como o epicentro da seca no país. Em fevereiro, 95% da região apresentou algum nível do fenômeno — sendo a única com registro de seca extrema. Estados como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte tiveram 100% do território afetado.

Ainda assim, até ali houve respiros. A seca extrema deixou de ser registrada na Bahia e no Piauí, graças às chuvas mais intensas.

Enquanto isso, no Norte, embora o percentual de área afetada seja menor (29%), alguns pontos acenderam alerta. Houve agravamento da seca em partes de Roraima e avanço do fenômeno no Amazonas.

O Sul em compasso de espera

No Sul, a situação pouco mudou — e isso também preocupa.

Com 63% do território afetado, a região manteve estabilidade no quadro geral. Mas, em áreas específicas do Rio Grande do Sul e do Paraná, a seca avançou, impulsionada por chuvas abaixo do esperado.

É o tipo de estabilidade que não traz conforto. Apenas pausa.

Um retrato em movimento

O Monitor de Secas, criado em 2014, funciona como um termômetro contínuo do país. Ele não mede apenas a falta de chuva, mas os impactos reais — no solo, na agricultura, nos reservatórios e na vida cotidiana.

Entre janeiro e fevereiro, a área total afetada pela seca caiu de 5,4 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados. Ainda é mais da metade do Brasil.

Ainda é muito.

Mas também é um lembrete: o clima não é estático. Ele respira, oscila, responde — às vezes tarde, às vezes de forma desigual —, mas responde.

E, neste fevereiro, respondeu com chuva.

Fonte: Agência Brasil, com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

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