sexta-feira, 15 de maio de 2026

Operação Sem Refino mira Cláudio Castro e reacende debate sobre relações do bolsonarismo com investigados por corrupção

Ex-governador do Rio, aliado histórico da família Bolsonaro e filiado ao PL, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal; empresário ligado ao setor de combustíveis teve prisão decretada

 
Operação Sem Refino mira Cláudio Castro e reacende debate sobre relações do bolsonarismo com investigados por corrupção. Ex-governador do Rio, aliado histórico da família Bolsonaro e filiado ao PL, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal; empresário ligado ao setor de combustíveis teve prisão decretada.

O tabuleiro político do Rio de Janeiro amanheceu sacudido nesta sexta-feira (15), e mais uma vez atinge o bolsonarismo. Agentes da Polícia Federal bateram à porta de endereços ligados ao ex-governador Cláudio Castro durante a Operação Sem Refino, investigação que mira um grupo econômico suspeito de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e movimentações financeiras consideradas atípicas.

A ofensiva autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) também teve como alvo o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit — antiga Refinaria de Manguinhos — contra quem foi expedido mandado de prisão preventiva.

Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A operação contou ainda com apoio técnico da Receita Federal. Na casa de um policial civil visitado pela PF foi encontrado dinheiro vivo, mais de 500 mil reais escondidos em caixas de sapato.

Segundo os investigadores, o grupo utilizaria estruturas empresariais complexas para ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e envio de recursos ao exterior. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

A dimensão da operação imediatamente provocou repercussão política — especialmente porque Cláudio Castro é um dos aliados mais próximos do núcleo bolsonarista no Rio de Janeiro.

A ligação política com o clã Bolsonaro

Filiado ao Partido Liberal (PL) desde 2021, Castro construiu sua trajetória recente em forte alinhamento com o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante seu governo, participou de agendas conjuntas, recebeu apoio explícito da família Bolsonaro e tornou-se peça estratégica do PL no estado.

Nos bastidores da política fluminense, Castro era frequentemente tratado como um dos principais operadores institucionais do bolsonarismo no Rio após a saída de Bolsonaro da Presidência.

O caso ganha peso político adicional porque acontece em um momento delicado para o campo bolsonarista. Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro — apontado por aliados como pré-candidato do PL à Presidência em 2026 — já enfrentava desgaste após revelações envolvendo pedidos considerados controversos nos bastidores políticos de Brasília, sendo diretamente ligado a Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master.

Agora, a nova operação da PF amplia novamente o foco sobre figuras próximas ao entorno político e econômico ligado ao bolsonarismo fluminense.

Refit, combustíveis e suspeitas bilionárias

A investigação também lança luz sobre a atuação da Refit, refinaria historicamente envolvida em disputas tributárias e investigações sobre o setor de combustíveis no Rio de Janeiro.

De acordo com a Polícia Federal, as apurações integram investigações conduzidas no âmbito da ADPF 635, que trata da atuação de organizações criminosas e de suas conexões com agentes públicos no estado.

Além da prisão preventiva de Ricardo Magro, a Justiça determinou inclusão de um dos investigados na Difusão Vermelha da Interpol — mecanismo internacional utilizado para localização e captura de foragidos.

O tamanho do bloqueio financeiro determinado pela Justiça — cerca de R$ 52 bilhões — chamou atenção de investigadores e operadores do mercado, transformando a Operação Sem Refino em uma das maiores ofensivas recentes envolvendo suspeitas financeiras no setor de combustíveis brasileiro.

Pressão política cresce

Embora Cláudio Castro ainda não tenha sido denunciado ou condenado, o fato de um ex-governador aliado diretamente ao bolsonarismo ser alvo de mandado da PF aumenta a pressão política sobre o PL e sobre o discurso anticorrupção historicamente utilizado pelo grupo.

Nos corredores de Brasília, aliados já avaliam que a sucessão de crises envolvendo nomes próximos ao clã Bolsonaro pode produzir desgaste na construção do projeto presidencial do partido para 2026.

Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Cláudio Castro não havia divulgado posicionamento detalhado sobre a operação. Ontem, em entrevista à Globo News, o senador Flávio Bolsonaro se explicou, ou ao menos tentou se explicar, sobre suas conexões com Vorcaro e o Banco Master. 

Veja no vídeo o seguir. As operações da PF de hoje, contra Cláudio Castro e o grupo Refit, e a divulgação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, de ontem, a princípio parecem não ter ligação, entretanto se trata de pessoas de um mesmo grupo político, a extrema-direita brasileira, com escândalos, prisões e denúncias em série envolvendo corrupção, justamente a principal bandeira do bolsonarismo que é a luta contra este crime.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou?
Então contribua com qualquer valor
Use a chave PIX ou o QR Code abaixo
(Stresser Mídias Digitais - CNPJ: 49.755.235/0001-82)

Sulpost é um veículo de mídia independente e nossas publicações podem ser reproduzidas desde que citando a fonte com o link do site: https://sulpost.blogspot.com/. Sua contribuição é essencial para a continuidade do nosso trabalho.