sexta-feira, 15 de maio de 2026

Startup coreana tenta novo lançamento em Alcântara após falha de 2025

Após explosão do foguete HANBIT-Nano no ano passado, empresa sul-coreana confirma causa da falha e prepara nova missão espacial a partir do Maranhão ainda em 2026

 
Startup coreana tenta novo lançamento em Alcântara após falha de 2025. Após explosão do foguete HANBIT-Nano no ano passado, empresa sul-coreana confirma causa da falha e prepara nova missão espacial a partir do Maranhão ainda em 2026.

O céu de Alcântara guarda uma espécie de memória silenciosa. Em dezembro do ano passado, um foguete sul-coreano subiu da plataforma cercado de expectativa internacional, mas desapareceu do radar pouco mais de meio minuto depois da decolagem. Agora, meses após a falha que interrompeu a missão, a empresa responsável afirma ter encontrado a causa do problema — e já prepara uma nova tentativa em território brasileiro.

A startup espacial sul-coreana INNOSPACE anunciou nesta quinta-feira (14) que pretende realizar um novo lançamento do foguete HANBIT-Nano no terceiro trimestre de 2026, novamente a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A missão anterior, realizada em 22 de dezembro de 2025, seria o primeiro lançamento comercial do veículo. Mas, aos 33 segundos de voo, uma anomalia provocou a ruptura do foguete ainda durante a subida.

Segundo a investigação conduzida em conjunto pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), autoridades sul-coreanas e a própria empresa, o problema começou com um vazamento de gases de combustão na parte frontal da câmara de combustão do primeiro estágio do foguete híbrido.

A análise técnica revisou dados de telemetria, imagens de vídeo, rastreamento do voo e mais de 300 fragmentos recuperados em Alcântara após o incidente. O relatório concluiu que a falha ocorreu devido a deformações surgidas durante a remontagem de componentes do sistema, após a substituição de um plugue frontal da câmara de combustão ainda na fase de preparação do lançamento no Brasil.

Na prática, a vedação ficou comprometida. E isso foi suficiente para encerrar a missão poucos segundos depois da decolagem.

O CEO da INNOSPACE, Soojong Kim, afirmou que a empresa vai reforçar os protocolos de montagem, os procedimentos de qualidade e os sistemas de verificação técnica antes da próxima tentativa.

“Esse processo gerou ativos técnicos valiosos que contribuirão para o avanço das tecnologias de veículos lançadores”, declarou o executivo.

Do lado brasileiro, o coronel Alexander Coelho Simão, investigador responsável pelo caso no CENIPA, destacou o nível de cooperação entre as equipes brasileiras e sul-coreanas durante a apuração.

O órgão classificou oficialmente a ocorrência como “incidente”, e não “acidente”, dentro dos protocolos espaciais adotados pela Força Aérea Brasileira.

Apesar da falha, a empresa decidiu manter Alcântara em seus planos estratégicos. O novo lançamento já possui janela reservada para este ano e deve transportar o “InnoSat-0”, primeiro satélite experimental desenvolvido pela própria INNOSPACE.

A próxima missão também contará com integração tecnológica da empresa sul-coreana SpaceBey, especializada em sistemas de separação de nanosatélites. O equipamento será responsável por liberar o satélite após a chegada à órbita planejada.

Os testes de integração já estão acontecendo na cidade de Cheongju, na Coreia do Sul. Segundo a empresa, a ideia é criar um ecossistema espacial integrado, conectando foguete, satélite e sistema de separação dentro da própria indústria espacial coreana.

Enquanto isso, o Brasil continua observando o movimento com uma mistura de potencial e frustração histórica.

Alcântara é considerada uma das melhores bases de lançamento do planeta por causa da proximidade com a Linha do Equador, condição que reduz custos operacionais e aumenta eficiência de lançamentos orbitais. Ainda assim, o programa espacial brasileiro segue convivendo com atrasos, descontinuidade política e projetos que atravessam décadas sem alcançar maturidade operacional consistente.

No cenário atual, empresas estrangeiras parecem avançar mais rapidamente sobre uma estrutura geográfica que o próprio Brasil ainda não conseguiu transformar plenamente em liderança espacial.

Se o novo cronograma for mantido, o HANBIT-Nano deve voltar a cortar o céu maranhense ainda neste ano. E Alcântara, mais uma vez, estará no centro das atenções da corrida espacial contemporânea.

Fonte: INNOSPACE, Agência Espacial Brasileira (AEB) e CENIPA.

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