Texto autoral de Manaoos Aristides atravessa medo, dor e identidade em uma narrativa intensa sobre colapso, confronto e sobrevivência ...
Ouço o escuro silêncio.
Apenas um pensamento atravessa a mente como um raio: “E se eu simplesmente desaparecesse?”
Um corpo parado e um grito perdido no ar, um olhar distante; primeiro veio a ideia do veneno. Depois… o asfalto, um carro. Impacto e um culpado. E eu… livre.
Mas não era sobre o morrer, o acabar com; era sobre o que falava aqui dentro de mim.
Vozes, pressões e acusações invisíveis.
“Inseguro.”
As palavras ecoam.
“Inseguro… inseguro…”
Eu ouvi.
E pior… acreditei.
Chorei, sem querer, mas mesmo assim acreditei.
Caí, machuquei.
Um mergulho para dentro.
Rótulos surgem como tatuagem em todo corpo, invisíveis para alguns e doloridos para mim.
Descubro quem sou: autista. Disléxico. Borderline.
Sou feio. Pequeno.
Aproveito e dou uma risada amarga no escuro.
“Puta que pariu… só falta mais uma.”
Mas o golpe tem que ser mais forte… não veio assim do nada.
Veio de mim mesmo.
“Burro.”
De novo.
“Burro.”
Repetindo, tornou-se verdade.
Choro?
Explodo de raiva.
Punhos cerrados, para o golpe no ar.
Corpo e mente fora de controle.
Assim, eu saísse de mim… assisto tudo de longe.
No silêncio, respiro um pesado ar de medo.
Um salto do avião e sem paraquedas, um veículo desgovernado e sem freio.
Do amor percebo também o ódio, vazio, excesso simultaneamente.
Tudo agora.
Uma gota de lágrima que escorre lentamente.
Então… algo muda?
Um olhar de fuga, de confronto.
“Eu vou me encarar.”
E isso… é mais perigoso do que qualquer queda, porque, quando mergulho… eu encontro.
E o que encontro… não é pequeno.
Não é fraco.
É caos.
Mas também é criação.
A luz surge no horizonte da floresta.
A voz é minha, firme agora:
“Eu sou isso.”
Imperfeito, intenso, indomável.
E é esse sujeito que conheço… que nasce de uma história.
Ao lembrar, começa a surgir:
Homem de medo.
Um soldado fraco, sem arma.
Rascando o peito e mostrando nu o coração.
Uma força que me empurra ao abismo.
O mundo inteiro assim, frente a frente.
Em movimento, medo, medo do amanhã.
Rostos e rugas, ódio misturando-se ao silêncio.
Depois, uma última frase:
“Eu não estou solicitando permissão.”
“Estou chamando.”
Olho no olho, firme e direto, se você sente, faz parte.
Queira ou não… vai acontecer comigo, mesmo sem você…
Acabo virando história, simples assim.
E assim não morri, vivo ainda!
MANAOOS ARISTIDES


Profunda reflexão. Continue a sonhar meu amigo. O show está apenas na metade e você é o protagonista deste seriado, um roteiro cheio de altos e baixos, de calmaria e explosões e nos os seus fãs estamos sempre a espera do próximo capítulo que certamente já está escrito em seu pensamento e que será especial, emocionante, poético e muito rico culturalmente. Os verbos escrever, criar, produzir e outros tantos nos fazem importantes e vivos para viver e continuar sonhando, vivendo...
ResponderExcluirCleiton Costa - Profunda reflexão. Continue a sonhar meu amigo. O show está apenas na metade e você é o protagonista deste seriado, um roteiro cheio de altos e baixos, de calmaria e explosões e nos os seus fãs estamos sempre a espera do próximo capítulo que certamente já está escrito em seu pensamento e que será especial, emocionante, poético e muito rico culturalmente. Os verbos escrever, criar, produzir e outros tantos nos fazem importantes e vivos para viver e continuar sonhando, vivendo...
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