Tracking diário da Atlas divulgado pela CNN mostra Lula abrindo sete pontos sobre Flávio Bolsonaro após crise envolvendo Daniel Vorcaro; operação da PF contra aliado do PL no Rio amplia desgaste da direita — pré-candidatura de Flávio Bolsonaro parece estar derretendo
O clima mudou rápido no tabuleiro de 2026. Em poucos dias, a direita brasileira saiu da expectativa de consolidação em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para uma sequência de crises que começou nos bastidores financeiros e desembarcou no centro da disputa presidencial.
Trackings diários do Instituto Atlas, divulgados pela CNN Brasil nesta sexta-feira (15), indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem de sete pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.
Segundo os dados atualizados às 11h, Lula aparece com 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% de Flávio. Nos votos válidos, o cenário projetado pelo instituto aponta 54% para o petista e 46% para o senador.
A virada acontece logo após o vazamento de áudios em que Flávio menciona negociações milionárias com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O episódio atingiu em cheio um dos pilares do discurso bolsonarista: o combate às velhas estruturas de poder e ao sistema financeiro tradicional.
Nos bastidores políticos, a leitura predominante é de que o desgaste não veio apenas da revelação do contato com Vorcaro, mas da sensação de contradição entre o discurso público da direita radical e as relações expostas nos áudios.
O impacto parece ter atingido principalmente o eleitor moderado e indeciso — justamente a faixa do eleitorado considerada decisiva em um eventual segundo turno.
Enquanto isso, os demais nomes da direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, registraram apenas oscilações discretas nas simulações monitoradas pelo Atlas.
Mas o desgaste não parou nos áudios. Na manhã desta sexta-feira, uma operação da Polícia Federal envolvendo suspeitas ligadas à refinaria Refit colocou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro — aliado histórico do bolsonarismo e filiado ao PL — no centro de uma nova crise política.
A sucessão de episódios em menos de uma semana ampliou a sensação de turbulência dentro da direita, especialmente no Rio de Janeiro, estado que já carrega um histórico recente de escândalos políticos envolvendo governadores e grupos de influência.
Dentro do campo conservador, o ambiente já não é de unanimidade. Parte da base bolsonarista mantém o discurso de perseguição política. Outra ala, porém, passou a demonstrar preocupação com os efeitos acumulados das crises sobre a imagem moral construída pela direita desde 2018.
Nos corredores de Brasília, aliados de outros presidenciáveis conservadores começaram a enxergar espaço para reposicionamento. O cálculo é simples: se o desgaste continuar crescendo, a disputa pela liderança da direita em 2026 pode deixar de ser automática para o clã Bolsonaro. E isso já começa a aparecer nas pesquisas.


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