Deputado paranaense defende redução da jornada, afirma que pauta é apartidária e reforça necessidade de mais tempo para descanso, família e qualidade de vida
O trabalhador acorda cedo, encara ônibus lotado, trânsito pesado, filas, pressão, metas, barulho. Volta para casa tarde, muitas vezes quando o dia já acabou para os filhos, para a família e até para si mesmo. É justamente nesse ponto — no tempo roubado da vida — que o debate sobre o fim da escala 6x1 começa a ganhar força no Brasil.
No Paraná, o deputado estadual Romanelli (PSD) decidiu se posicionar publicamente sobre o tema. E fez isso adotando um discurso que tenta atravessar a polarização política: segundo ele, a discussão sobre jornada de trabalho não deveria ser encarada como pauta “de esquerda” ou “de direita”, mas como uma atualização necessária das relações de trabalho no país.
“Eu entendo que é um avanço importante o fim da escala 6x1”, afirmou Romanelli ao comentar a proposta que tramita no Congresso Nacional. O parlamentar lembrou que trabalhadores das grandes cidades enfrentam, além da jornada formal, horas perdidas em deslocamentos diários.
“A pessoa, na verdade, não consegue ir à igreja, não consegue conviver com a família. Então, o 5x2 é um grande avanço.”
Perfil político ligado ao trabalho e ao desenvolvimento
Com longa trajetória na política paranaense, Romanelli construiu parte de sua atuação pública ligada às áreas de desenvolvimento econômico, emprego e infraestrutura. Já ocupou funções ligadas à Secretaria do Trabalho no Paraná e costuma defender pautas relacionadas à valorização do salário regional, fortalecimento da economia do interior e políticas públicas voltadas à geração de emprego.
Ao comentar o debate sobre a escala 6x1, o deputado também resgatou esse histórico. Disse que sempre defendeu melhores condições de trabalho e afirmou acreditar que a redução da carga horária não representa, necessariamente, prejuízo econômico.
“Eu sou defensor dos direitos dos trabalhadores. Entendo que não vai trazer prejuízo para ninguém. Esse ajuste tem que ser feito na carga horária.”
Segundo Romanelli, empresas que adotaram modelos mais flexíveis de jornada observaram ganhos de produtividade e melhora no ambiente de trabalho.
“A pessoa tem que ter o direito do descanso, do lazer, do convívio familiar. E, efetivamente, isso não traz prejuízo para a economia.”
A PEC avança em Brasília
A discussão avançou de forma significativa nas últimas semanas. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade da PEC que propõe o fim da escala 6x1, abrindo caminho para análise em comissão especial e, posteriormente, votação em plenário.
A proposta reúne textos apresentados por parlamentares que defendem a redução gradual da jornada semanal para algo entre 36 e 40 horas, mantendo dois dias de descanso sem redução salarial.
O tema ganhou dimensão nacional porque mexe diretamente com a vida de milhões de trabalhadores brasileiros — especialmente em setores como comércio, supermercados, telemarketing, farmácias, logística e serviços.
Apoio cresce além da polarização política
Um dos aspectos mais interessantes do debate em 2026 é justamente o surgimento de apoios fora dos grupos políticos tradicionalmente associados às pautas trabalhistas.
Parlamentares de diferentes correntes passaram a tratar o assunto como uma pauta social ampla, ligada à saúde mental, qualidade de vida e modernização das relações de trabalho. A pressão popular também cresceu nas redes sociais e em movimentos organizados após o avanço da PEC na CCJ.
Enquanto entidades empresariais demonstram preocupação com aumento de custos e possíveis impactos sobre pequenos negócios, defensores da mudança argumentam que trabalhadores menos exaustos tendem a produzir melhor, adoecer menos e permanecer mais tempo empregados.
O debate sobre tempo, vida e dignidade
Romanelli segue exatamente essa linha. Para ele, o debate não pode ficar preso apenas à matemática das horas trabalhadas, mas precisa considerar o tempo de vida das pessoas.
No fundo, a discussão sobre a escala 6x1 acaba revelando algo maior: o Brasil começa, lentamente, a discutir não apenas quanto se trabalha — mas quanto da vida sobra depois do trabalho.


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