sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SMC 106 anos: a luta que atravessa gerações e segue viva no chão da fábrica

Fundado em 1920, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba celebra mais de um século de resistência, com destaque para a atuação de Nelsão da Força, homenagens institucionais e a reafirmação do compromisso com a classe trabalhadora

Fundado em 1920, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba celebra mais de um século de resistência, com destaque para a atuação de Nelsão da Força, homenagens institucionais e a reafirmação do compromisso com a classe trabalhadora

Fundado em 28 de janeiro de 1920, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) completou, em 2026, 106 anos de história. Mais do que uma data comemorativa, o marco representa a continuidade de uma entidade que atravessou regimes políticos, crises econômicas e profundas transformações no mundo do trabalho sem jamais se afastar de sua essência: a defesa intransigente da dignidade da classe trabalhadora.

A celebração dos 106 anos foi marcada por reconhecimentos institucionais importantes, com depoimentos do prefeito de Campo Largo, Maurício Rivabem (PSD), e do presidente da Câmara de Vereadores de Campo Largo, Alexandre Guimarães (PDT), reforçando o papel do SMC como ator social estratégico para o desenvolvimento regional, a democracia e a valorização do trabalho.

O início de tudo: quando organizar-se virou necessidade

A história do SMC começa ainda no início do século XX, com a criação da Liga Internacional dos Fundidores do Paraná, formada por trabalhadores da antiga Indústria Müller Irmãos, onde hoje funciona o Shopping Müller, em Curitiba. Em um tempo marcado pela ausência quase total de direitos, organizar-se era um gesto de coragem e consciência coletiva.

Ao longo das décadas, a entidade se transformou, acompanhando as mudanças sociais, políticas e econômicas do país, até se consolidar como o atual Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Desde então, esteve presente nos principais momentos da história nacional: na defesa da CLT, na resistência à ditadura militar, na luta pela redemocratização e no enfrentamento às reformas que retiraram direitos históricos da classe trabalhadora.

Fundado em 1920, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba celebra mais de um século de resistência, com destaque para a atuação de Nelsão da Força, homenagens institucionais e a reafirmação do compromisso com a classe trabalhadora
Nelsão, Alexandre Guimarães e Fernanda Queiroz - SMC/Divulgação

Nelsão da Força: a luta que também tem nome, casa e família

Entre as lideranças que ajudam a escrever essa trajetória centenária, o grande destaque das lutas da classe metalúrgica em 2025 e já neste início de 2026 é Nelson Silva, o Nelsão da Força, vice-presidente do SMC.

Forjado no chão da fábrica, Nelsão construiu sua militância a partir da organização de base, das greves, das campanhas salariais duras e das mesas de negociação onde cada cláusula representa um direito preservado ou conquistado. Foi voz ativa contra a reforma Trabalhista, contra a reforma da Previdência, na defesa do fim da escala 6x1, da redução da jornada de trabalho, da valorização salarial e do fortalecimento dos acordos coletivos por empresa.

Mas a luta de Nelsão não se limita ao sindicato. Ela também mora em Campo Largo, onde vive com a esposa, Fernanda Queiroz, e suas duas filhas. Uma família que traduz, no cotidiano, o sentido mais profundo da palavra compromisso.

A filha mais velha, hoje com 29 anos, é retratada pelo pai como símbolo de força, autonomia e coragem. A mais nova, que recentemente completou 18 anos, representa outra transição importante: a chegada da maioridade, das escolhas e dos novos caminhos, sempre acompanhada de um amor que ele define como incondicional e eterno.

Essa dimensão humana não é detalhe. É parte central da luta sindical, que, em espírito, se traduz na luta pela humanidade. Defender direitos é, no fim das contas, lutar para que famílias possam viver com dignidade e segurança, com acesso à cultura, educação e saúde, sempre na esperança de um futuro que tem se mostrado constantemente melhor.

A confraternização pelos 106 anos do SMC serviu como combustível ao espírito humano, pela luta da classe trabalhadora na RMC e em todo Paraná - SMC/Divulgação

Sérgio Butka, a força do movimento sindical

À frente da presidência do SMC, Sérgio Butka simboliza a continuidade de uma tradição sindical combativa, aliada à capacidade de diálogo e articulação política. Sob sua liderança, o sindicato consolidou-se como referência nacional em negociações coletivas, garantindo aumento real, manutenção de direitos e avanços concretos mesmo em períodos nos quais os movimentos sindicais brasileiros se vêem sob o ataque dos lobistas que representam a classe patronal.

Butka se mantém na linha de frente da resistência aos ataques aos direitos trabalhistas, da defesa da democracia e da ampliação das ações solidárias do sindicato, reafirmando que o SMC vai além das fábricas e se posiciona como parte ativa da sociedade.

Reconhecimento institucional

Durante as homenagens pelos 106 anos do SMC, o prefeito de Campo Largo, Maurício Rivabem (PSD), destacou a importância histórica da entidade:

“Uma instituição com 106 anos demonstra seriedade, compromisso e defesa de direitos. O trabalhador é quem faz este país crescer e se desenvolver. Nós, do poder público, temos o dever de reconhecer e colaborar com entidades sérias que lutam pelo bem coletivo.”

Já o presidente da Câmara de Vereadores de Campo Largo, Alexandre Guimarães (PDT), ressaltou o papel do sindicato na valorização da classe trabalhadora:

“São 106 anos de uma trajetória marcada pela luta pelos direitos dos trabalhadores e pela valorização de uma classe essencial para o desenvolvimento, a geração de emprego e de riqueza no país.”

Vintenários: herdeiros da luta, construtores do futuro

Como já é tradição, o aniversário do SMC também foi marcado pela homenagem aos associados vintenários — trabalhadores e trabalhadoras que completaram 20 anos de sindicalização. Cada homenageado recebeu um diploma e um relógio de pulso, símbolos de pertencimento, confiança e permanência.

“São esses trabalhadores que ajudam a manter viva a luta por melhores condições de renda e trabalho e a construir um Sindicato forte e atuante”, destacou Sérgio Butka.

Um sindicato que segue necessário

Ao completar 106 anos, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba reafirma seu compromisso com o futuro: investir em formação, enfrentar os desafios das novas tecnologias, fortalecer a organização coletiva e manter viva a chama acesa ainda nas fundições do início do século passado.

A história do SMC não é apenas memória. É presente em disputa e futuro em construção.

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