Com a maré alta e imagens recentes de sacos de areia sendo carregados ao mar, representação de Arilson Chiorato, críticas de veranistas e moradores, cresce o questionamento sobre possíveis danos ambientais e a real eficácia da obra
A areia depositada na orla de Matinhos voltou a ser tragada pelo mar nas últimas horas, reacendendo um debate que acompanha a obra desde seu anúncio: será que a intervenção estatal mais cara do litoral paranaense funciona como foi prometido?
Neste sábado, com a estrutura do show do Verão Maior montada e a maré alta ocorrida às 19h51, a discussão pública e judicial sobre a engorda da praia ganhou novos desdobramentos e repercussões. O caso, que já vinha sendo acompanhado por parlamentares, técnicos e comunidade local, foi oficialmente levado ao Ministério Público para cobrar as devidas explicações por parte do Governo do Estado.
Representação no MP-PR reforça investigação
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) protocolou ontem sexta-feira (24) uma representação no Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitando investigação aprofundada sobre possíveis danos ambientais, falhas técnicas e desperdício de recursos públicos na obra de engorda da orla de Matinhos. A denúncia menciona que milhares de sacos de areia usados na contenção da faixa de praia vêm sendo arrastados pelo mar, espalhando-se pela costa e levantando ainda mais dúvidas sobre a eficácia da obra de engorda da Praia de Matinhos.
Segundo a representação, vídeos gravados por moradores e surfistas mostram sacos de areia rompidos dentro da água e material sendo transportado ao longo da costa — um cenário que parece destoar da promessa de uma praia ampla e protegida. Chiorato questiona o licenciamento ambiental, os estudos técnicos que embasaram o projeto, e a aplicação dos recursos públicos.
“O que era pra proteger a praia virou lixo dentro do mar. É o dinheiro do povo sendo engolido pelas ondas”, afirmou o parlamentar em nota pública, ressaltando que a obra parece ter priorizado efeitos visuais e prazos curtos em detrimento de planejamento técnico robusto.
Evidências recentes e críticas técnicas
Imagens registradas nas últimas horas mostram a linha de praia sendo constantemente reduzida pela ação das ondas, com a areia movida mar adentro e formando irregularidades em trechos como a Praia Brava e Caiobá — pontos onde a engenharia costeira deveria oferecer estabilidade. Vídeos e fotos têm circulado nas redes sociais, reforçando a percepção de que a erosão persiste e, em alguns casos, se agrava.
Tradicionais veículos de imprensa que cobrem o litoral paranaense também destacaram que a obra, hoje foco de apuração pelo MP, tem sido tratada como exemplo de intervenção que não resistiu às ressacas recentes. A reportagem aponta que a praia “rejuvenescida” pela engorda se transformou em um terreno marcado por sacos de areia esgarçados pelas ondas do mar e erosão, aumentando o questionamento sobre a longevidade e o impacto ambiental da solução aplicada.
Maré, show e cenário simbólico
A coincidência de uma nova maré alta com a programação de shows traz um elemento simbólico e prático à discussão: enquanto o povo se reúne para celebrar, a natureza impõe sua presença física na orla que deveria estar estabilizada e pronta para receber público. A maré alta ocorrida hoje por volta das 20h00 intensificou as expectativas e incertezas. A cena de sacos de areia no mar alimenta a narrativa de que nem sempre obras de grande escala conseguem impor-se às forças da natureza.
Embora o governo estadual e o Instituto Água e Terra (IAT) tenham afirmado em outras ocasiões que medidas técnicas e correções estão em andamento, técnicos independentes e críticos reforçam que intervenções desse tipo precisam dialogar com o ecossistema e considerar soluções baseadas em ciência costeira e gestão ambiental de longa duração.
Debate aberto e próximos passos
Com representação no Ministério Público estadual e investigação por parte do Ministério Público Federal em curso, é esperado que órgãos de controle requisitem documentos, laudos e contratos para verificar eventuais irregularidades, impactos ambientais e a salubridade dos gastos públicos. O caso reacende um debate que vai além de Matinhos: trata-se de como o Brasil, e em especial seu litoral, escolhe intervir na natureza em obras que mobilizam cifras públicas elevadas e têm forte impacto social e ambiental. Como também acontece em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
No litoral paranaense, onde praias como a de Matinhos e o balneário de Caiobá atraem milhares de visitantes todos os anos, a discussão sobre convivência com o mar — e não apenas confrontação — ganha importância nesta temporada e nas decisões que virão.
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