Audiência pública da ANEEL em Curitiba abre espaço para reação da sociedade; Requião Filho convoca participação popular
O impacto ainda nem chegou na fatura — mas já pesa no bolso imaginado de milhões de paranaenses. A proposta de revisão tarifária da Copel, divulgada oficialmente nesta sexta-feira (24), acende um alerta que atravessa casas, comércios e o setor produtivo inteiro.
O reajuste médio para consumidores residenciais pode alcançar 19,2%, um dos mais altos do país neste ciclo. Para parte da indústria, o cenário é ainda mais severo — com aumentos que ultrapassam a marca de 50%.
Não é apenas um número técnico. É o tipo de mudança que se infiltra no cotidiano: no preço do pão, na conta do mercado, na margem das empresas. Estão cogitando aumentar o preço de uma tarifa que já custa caro.
O tamanho do impacto
Os índices propostos escancaram diferenças profundas entre os perfis de consumo:
- Residencial: aumento estimado de até 19,2%
- Médias indústrias e grandes comércios (A3): cerca de 45,24%
- Grandes indústrias (A2): até 51,21%
E há mais no horizonte. Projeções indicam novo reajuste em 2027, na casa dos 14%. É uma escalada que preocupa — e que começa a mobilizar reação política e social.
Privatização no centro do debate
Nas redes sociais, o deputado estadual Requião Filho associou diretamente os aumentos à privatização da Copel.
“A fatura da privatização está chegando”, escreveu. Para ele, o modelo atual desloca o foco da empresa — do serviço público para a lógica de retorno ao acionista.
A crítica não é isolada. Ela ecoa um debate maior, que vem ganhando corpo desde a venda do controle da companhia: quem paga — e quem se beneficia — quando a energia deixa de ser majoritariamente pública?
Audiência abre espaço para pressão
Diante do cenário, a ANEEL convocou uma audiência pública presencial para discutir a revisão tarifária.
📅 Data: 29 de abril (quarta-feira)
📍 Local: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) — Sede Centro (veja no MAPS)
🕘 Horário: início às 9h (credenciamento a partir das 8h30)A consulta pública segue aberta até 22 de maio, permitindo envio de contribuições formais. Na prática, é um dos poucos momentos em que consumidores, empresários e entidades podem interferir diretamente no processo — ainda que de forma consultiva.
O que está na mesa
A chamada Revisão Tarifária Periódica (RTP) vai além de um simples reajuste anual. É nesse processo que se recalculam:
- os custos operacionais da distribuidora
- metas de qualidade e eficiência
- índices que influenciam tarifas pelos próximos anos
Ou seja, não se trata apenas de um aumento imediato — mas de um redesenho estrutural da conta de luz no Paraná, encarecendo o já alto custo de vida de toda a população paranaense.
Entre números e realidade
No papel, a justificativa envolve inflação, custos de energia e encargos do setor. Na vida real, o resultado chega de forma direta: contas mais caras e efeito cascata na economia.
A audiência da próxima semana, em Curitiba, tende a ser mais do que um rito técnico. Deve funcionar como termômetro social de um tema que raramente mobiliza multidões — até que pesa demais no orçamento. E, desta vez, tudo indica que o peso será sentido.


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