terça-feira, 5 de maio de 2026

Conta de luz mais cara reacende debate sobre privatização da Copel no Paraná

Com aumento projetado de quase 20% em 2026, discurso de Requião Filho ganha força e energia vira um dos temas centrais da disputa pelo governo do estado

Conta de luz mais cara gera debate sobre privatização da Copel no Paraná. Com aumento projetado de quase 20% em 2026, Requião Filho quer reestatização

O susto vem na fatura. Às vezes discreto, em poucos reais a mais. Outras, pesado — daqueles que fazem parar na cozinha, boleto na mão, tentando entender o que mudou. No Paraná, a conta de luz voltou ao centro da conversa. E, junto com ela, uma discussão que parecia encerrada: a privatização da Copel.

Quem tem puxado esse fio com insistência é o deputado estadual Requião Filho (PDT). Desde a venda do controle da companhia, em 2023, ele repete um alerta que agora encontra eco nos números mais recentes: a energia ficou — e pode ficar ainda mais — cara para os paranaenses.

“E a conta do paranaense sobe dia após dia. E a qualidade do serviço cai dia após dia”, afirma o deputado, em tom direto, sem rodeios. A crítica vai além do valor cobrado: atinge o modelo.

O peso dos números

Depois da privatização, a tarifa não disparou imediatamente. Em 2025, por exemplo, o reajuste médio ficou em torno de 2% — dentro do padrão esperado para o setor elétrico. O aumento também foi mitigado pela distribuição de bônus de Itaipu, que desonerou a fatura. Mas o cenário mudou.

Para 2026, está na mesa uma revisão tarifária com impacto próximo de 19% para consumidores residenciais. Em alguns segmentos industriais, os aumentos podem ser ainda mais expressivos, de até 50%.

É esse salto que reposiciona o debate.

Na prática, revisões tarifárias acontecem de tempos em tempos e costumam ser mais intensas do que os reajustes anuais. Ainda assim, o momento e a magnitude do aumento alimentam a narrativa de que algo mudou na lógica da empresa.

“Sempre no teto”

Um dos pontos mais repetidos por Requião Filho é a forma como os reajustes são aplicados.

“Geralmente, a Aneel autoriza aumentos de 0% a X%. E as empresas escolhem até quanto elas querem aumentar. Historicamente, a Copel, desde a sua privatização, escolhe sempre o valor máximo.”

A crítica toca num ponto técnico sensível. A agência reguladora estabelece parâmetros e limites; dentro deles, há margem de aplicação. O que está em disputa é a interpretação desse espaço. Como companhia majoritariamente pública, a Copel não tinha como foco principal gerar lucro para seus acionistas.

Para o deputado, a empresa passou a operar no limite superior — reflexo de uma mudança de prioridade. Para o setor elétrico, os reajustes seguem uma lógica de recomposição de custos que vai além da gestão da distribuidora. Afinal, graças ao governo Ratinho Junior, agora temos uma Corporation gerenciando os relógios de luz.

No meio disso, estamos nós, os consumidores.

Energia cara, efeito em cadeia

Quando a luz sobe, não é só a lâmpada que pesa. A energia elétrica atravessa toda a economia:

  • encarece a produção industrial
  • pressiona o agronegócio
  • impacta o preço final no mercado (inflação)

A energia elétrica “...leva o custo de vida no Paraná a ser um dos mais caros do Brasil”, diz Requião Filho.

A afirmação pode ser discutida em termos absolutos, mas aponta para um efeito real: aumentos concentrados, como o previsto para 2026, tendem a reverberar rapidamente no bolso — direta e indiretamente.

De estatal a corporação

No fundo, o embate é mais amplo do que a tarifa.

“A Copel hoje trabalha para dar lucro, para botar dinheiro no bolso dos acionistas. Não para ajudar a economia paranaense”, afirma o deputado.

É uma crítica clássica, e verdadeira, à privatização: a troca de um instrumento de política pública por uma estrutura orientada ao mercado, ao lucro.

Antes, a empresa carregava também um papel de desenvolvimento regional. Agora, opera sob metas financeiras, eficiência e maximização do retorno. Para uns, isso significa modernização. Para outros, perda de controle sobre um ativo estratégico.

A eleição passa pela conta de luz

Pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho transforma o tema em bandeira — e em promessa.

É possível devolver a Copel aos paranaenses.”

A frase não é apenas retórica. Ela aponta para uma proposta concreta de reversão da venda, ainda que complexa do ponto de vista jurídico e econômico.

Com isso, a energia elétrica ganha um calor a mais que o de serviço essencial, vira símbolo de um projeto de estado.

No fim do mês, a conta chega

Entre argumentos técnicos e discursos políticos, há um ponto de convergência: a percepção do consumidor. Ela não passa por planilhas regulatórias, nem por modelos de concessão. Passa pelo valor no boleto.

E é ali, no número final da fatura, que o debate sobre a Copel — estatal ou privada — ganha sua forma mais concreta. O quanto a energia elétrica já pesa e ainda vai pesar mais, no bolso de todos os paranaenses.

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