terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Morre Dalton Trevisan, o "Vampiro de Curitiba"

Dalton Trevisan: Curitiba se despede de seu Vampiro imortal

 
 

Morreu nesta segunda-feira (9), aos 99 anos, o escritor paranaense Dalton Trevisan, uma das figuras mais icônicas da literatura brasileira. Conhecido como "O Vampiro de Curitiba", título que se tornou sinônimo de sua obra, Trevisan deixa um legado de contos que capturam as contradições humanas e as sombras de uma Curitiba que ele transformou em personagem.  

Autor de clássicos como Cemitério de Elefantes (1964),  O Vampiro de Curitiba (1965) e A Polaquinha (1985), Dalton foi um mestre do conto, com textos que iam direto ao ponto, como flechas literárias. Ganhador de prêmios como o Jabuti e o Camões, sua obra nunca se afastou das ruas da capital paranaense, onde encontrava inspiração para os dramas intensos e as banalidades do cotidiano que retratava com maestria.  

Trevisan cultivou uma vida reclusa, quase mítica. Seu último contato com a imprensa foi em 1972, e até o fim manteve cortinas cerradas e o portão sempre fechado. Ainda assim, era figura conhecida em caminhadas matinais e no imaginário literário, onde sua figura se confundia com a de seus personagens. Sua casa no Alto da Glória, com marcas de vandalismo transformadas em "acento punk", era um reflexo do mistério que cercava sua personalidade.

Em 2021, por questões de saúde e segurança, Dalton Trevisan foi retirado da tão tradicional casa, que já entrou para o imaginário de seus leitores e é uma das poucas que sobraram no Alto da Glória, e estava morando em um apartamento na Alameda Doutor Muricy.

 
 

A morte de Trevisan foi anunciada por sua família no Instagram, com uma frase que ecoa sua eternidade literária: "Todo vampiro é imortal. Ou, ao menos, seu legado é". O velório será aberto ao público, como desejava o autor, mas os detalhes ainda não foram divulgados.  

Trevisan começou sua trajetória na fábrica de vidro e cerâmicas da família, mas foi em 1945, após um acidente que o deixou em recuperação por meses, que o escritor emergiu. Seu conto "Eucaris", publicado inicialmente com mais de mil palavras, foi reescrito ao longo da vida, até chegar a meras 229 palavras. Essa busca pela concisão extrema tornou-se marca registrada de sua escrita.  

Curitiba não perde apenas um autor, mas um pedaço de sua alma. As ruas, os bairros e as figuras que ele imortalizou continuarão vivos em suas páginas. Dalton Trevisan foi casado durante mais de quatro décadas com Yole Bonato, morta em 1998. A filha mais nova, Isabel, morreu de câncer antes dos 40 anos. Yole morreu logo em seguida, pela mesma doença. Ele deixa a filha Rosana, e as netas Katiuscia e Natasha, além de um legado que transcende gerações. Afinal, um vampiro não morre — ele apenas se transforma em eternidade.

Informa: Ronald Stresser, de Curitiba.

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