Rabindranath Tagore: 'A Escola das Flores'

"As nuvens de tempestade rondam no céu, as chuvas de junho se precipitam, e o vento úmido do leste corre pelo deserto para tocar sua música na flauta dos bambus.  Então, de repente, e não se sabe de onde, surgem multidões de flores, dançando sobre a relva em louca alegria.  Mãe, acho que as flores vão a uma escola embaixo da terra.   Elas têm suas aulas de portas fechadas e, se quiserem sair antes do tempo para brincar, a professora as põe em um canto, de castigo.   Quando cai a chuva, porém, é dia de festa para as flores.  Os galhos se entrechocam na floresta, as folhas murmuram ao sabor do vento selvagem, as nuvens trovejantes batem palmas com suas mãos gigantes, e as flores-crianças saltam fora correndo, vestidas de amarelo, rosa e branco...  Mamãe, bem sabes que a casa delas é no céu, onde estão as estrelas.  Não percebeste a vontade que elas têm de ir para lá?   Não sabes por que correm tanto?   Pois eu sei para quem as flores levantam os braços: elas têm a mãe delas, assim como eu tenho a minha!"    Rabindranath Tagore, em "Poesia Mística (Lírica Breve)"
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"As nuvens de tempestade rondam no céu, as chuvas de junho se precipitam, e o vento úmido do leste corre pelo deserto para tocar sua música na flauta dos bambus.

Então, de repente, e não se sabe de onde, surgem multidões de flores, dançando sobre a relva em louca alegria.

Mãe, acho que as flores vão a uma escola embaixo da terra. 

Elas têm suas aulas de portas fechadas e, se quiserem sair antes do tempo para brincar, a professora as põe em um canto, de castigo. 

Quando cai a chuva, porém, é dia de festa para as flores.

Os galhos se entrechocam na floresta, as folhas murmuram ao sabor do vento selvagem, as nuvens trovejantes batem palmas com suas mãos gigantes, e as flores-crianças saltam fora correndo, vestidas de amarelo, rosa e branco...

Mamãe, bem sabes que a casa delas é no céu, onde estão as estrelas.

Não percebeste a vontade que elas têm de ir para lá? 

Não sabes por que correm tanto? 

Pois eu sei para quem as flores levantam os braços: elas têm a mãe delas, assim como eu tenho a minha!"


Rabindranath Tagore, em "Poesia Mística (Lírica Breve)"


Rabindranath Tagore (Calcutá, 1861-1941), alcunha Gurudev, foi um polímata bengali. Ele foi o primeiro não-europeu a conquistar, em 1913, o 'Nobel de Literatura', um dos maiores prêmios na área, com escritos como o que nos presenteia nessa presente obra"Poesia Mística (Lírica Breve)".

Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali, e mundial, no final do século XIX e início do século XX. Sendo lido por muitos até os dias de hoje. Sua obre é imortal e sua poesia é um misto das palavras escritas na bela poesia compartilha nessa postagem: lírica, mística e breve. É justamente essa a proposta do livro "Poesia Mística (Lírica Breve)". Clique na capa para mais detalhes...

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