Deputado percorre pontos históricos de Paranaguá para rebater confusão do senador e reforçar identidade cultural do litoral paranaense
O caminho para o litoral do Paraná costuma oferecer uma das paisagens mais bonitas do estado. A Serra do Mar surge entre curvas, neblina e Mata Atlântica preservada. Foi justamente nesse cenário que o deputado estadual Requião Filho (PDT) decidiu gravar uma resposta bem-humorada — e carregada de referências históricas — ao senador Sérgio Moro (PL), após a repercussão de uma declaração que viralizou nas redes sociais.
A polêmica começou quando Moro, durante uma entrevista em Paranaguá, confundiu o termo "parnanguaras" — gentílico usado para designar os moradores da cidade — com uma suposta tribo indígena. O episódio rapidamente se espalhou pelas redes sociais, gerando memes, críticas e questionamentos sobre o conhecimento do senador a respeito da história e da geografia do Paraná.
Aproveitando a repercussão, Requião Filho publicou um vídeo em suas redes sociais transformando o litoral em uma espécie de sala de aula ao ar livre.
"Estou indo ali visitar a tribo dos paranaguaras, também conhecida como a cidade de Paranaguá", ironiza o deputado logo no início da gravação, diante de uma placa rodoviária que indica o acesso ao litoral.
Ao longo do vídeo, Requião percorre diferentes pontos da região enquanto apresenta informações históricas e geográficas. Em um dos trechos, lembra que Morretes e Antonina são municípios distintos, em referência à confusão protagonizada pelo senador durante sua passagem pelo litoral.
A aula continua já em Paranaguá.
"Chegamos à tribo dos paranaguaras, a cidade de Paranaguá. Fundada em 29 de julho de 1648. A cidade mais antiga do estado."
O deputado também relembra aspectos da formação histórica do litoral, citando a ocupação dos povos sambaquieiros, a presença dos indígenas carijós, de matriz tupi-guarani, e a origem da cultura caiçara que marca a identidade da região até os dias atuais.
Em outro momento, Requião faz questão de diferenciar a cidade de Paranaguá das aldeias indígenas existentes na região.
"Quer ver um povoado indígena? Pega um barco e vai até a Ilha da Cotinga. Lá tem a aldeia Pindoty", explica.
O vídeo ainda passa por referências à Ilha do Mel, à Estrada da Graciosa, à comunidade de Alexandra e à rodovia Alexandra-Matinhos, ironizando o adversário, que parece conhecer muito pouco do Estado do qual quer ser governador.
Mas a mensagem principal aparece nos minutos finais da gravação.
"O povo caiçara, o povo de Paranaguá, é um povo orgulhoso, trabalhador e forte, que ajudou a escrever a história do estado do Paraná", afirmou o deputado.
Ao encerrar a publicação, Requião Filho direciona uma crítica direta ao adversário político.
"Sérgio, se você não estivesse tão preocupado com São Paulo, talvez conhecesse melhor a história do nosso estado."
A cidade onde o Paraná começou
Mais do que uma troca de farpas entre adversários, a controvérsia acabou recolocando Paranaguá no centro do debate público.
Fundada em meados do século XVII, a cidade é considerada o berço histórico do Paraná e abriga o Porto de Paranaguá, responsável por uma das mais importantes estruturas logísticas do país. O complexo portuário movimenta milhões de toneladas de cargas por ano e é peça estratégica para o agronegócio brasileiro.
A repercussão também evidenciou um sentimento comum entre moradores do litoral: o orgulho da identidade caiçara e da contribuição histórica da região para a formação do estado.
Se a intenção inicial era discutir infraestrutura portuária, o debate acabou tomando outro rumo. Nos últimos dias, a palavra "parnanguara" saiu dos dicionários, livros de história e geografia, para ganhar as redes sociais, transformando uma gafe política numa inesperada aula sobre as origens do povo do Paraná.
Para o Sulpost ficou uma dúvida: se perguntarem ao senador sobre os Capelistas. Será que ele vai pensar que se trata de uma congregação religiosa?

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