sexta-feira, 26 de junho de 2026

Anvisa barra plataforma que prescrevia canetas emagrecedoras pela internet

Decisão atinge empresa que oferecia consultas online, indicação de medicamentos para obesidade e intermediação na entrega dos medicamentos aos pacientes

Anvisa barra plataforma que prescrevia canetas emagrecedoras pela internet. Decisão atinge empresa que oferecia consultas online, indicação de medicamentos para obesidade e intermediação na entrega dos medicamentos aos pacientes.

Em poucos minutos, bastava responder um questionário pela internet. Do outro lado da tela, uma avaliação remota poderia resultar na prescrição de medicamentos usados para perda de peso, incluindo as chamadas "canetas emagrecedoras", cada vez mais populares entre brasileiros em busca de emagrecimento rápido.

Esse modelo de negócio sofreu um revés nesta sexta-feira (26). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão das atividades da plataforma Voy, que oferecia tratamentos personalizados para obesidade por meio de consultas online e encaminhamento para medicamentos prescritos de maneira digital. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Segundo a Anvisa, plataformas que realizam indicação de medicamentos e definem dosagens são enquadradas como softwares médicos e precisam atender exigências regulatórias específicas. De acordo com a EBC, a agência sanitária afirma que a empresa responsável pela plataforma, a Revia Gestão de Negócios Ltda., não possui autorização de funcionamento para exercer esse tipo de atividade.

Além disso, o órgão regulador destacou que a empresa não está registrada como farmácia ou drogaria, condição necessária para comercializar medicamentos. Com a medida, a plataforma fica impedida de oferecer ou divulgar os serviços relacionados ao tratamento.

A decisão ocorre em um momento de explosão da procura por medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, substâncias utilizadas originalmente para diabetes, mas que ganharam notoriedade pelos efeitos na redução de peso. O crescimento da demanda impulsionou uma série de serviços digitais voltados ao emagrecimento, combinando teleatendimento, prescrição médica e entrega domiciliar dos produtos.

A Anvisa alertou ainda que medicamentos adquiridos fora de estabelecimentos regularizados não oferecem garantias sobre origem, composição ou qualidade, o que pode representar riscos ao consumidor.

O que diz a empresa

Procurada pela imprensa, a Revia Gestão de Negócios informou que está analisando a decisão internamente e deverá se manifestar em breve. Em nota enviada à Agência Brasil, a empresa afirmou que acompanha os desdobramentos da medida e avalia os próximos passos.

Em declarações divulgadas posteriormente, a Voy sustentou que a discussão envolve o enquadramento regulatório de seu questionário digital e afirmou que já adotou medidas administrativas para contestar a decisão. A empresa também argumenta que não comercializa diretamente medicamentos e que o processo ainda não teria sido encerrado definitivamente.

Mais do que uma disputa regulatória, o caso lança luz sobre um mercado que cresce rapidamente no Brasil: o da saúde digital associada ao emagrecimento. A facilidade de receber orientação médica sem sair de casa atrai consumidores, mas o episódio mostra que a inovação tecnológica continua esbarrando em uma exigência básica — cumprir as regras sanitárias criadas para proteger os pacientes.

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