Novos levantamentos divulgados nesta semana mostram Lula vencendo no primeiro e no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro perde força após crise envolvendo áudios onde pede milhões a Vorcaro
O clima político mudou rápido em Brasília nesta semana. E mudou principalmente para o lado do Palácio do Planalto.
Depois de meses em que setores da direita tentavam vender a ideia de que a eleição de 2026 caminhava para um empate técnico permanente, as pesquisas divulgadas entre os dias 19 e 22 de maio desenharam outro cenário: Lula voltou a crescer, Flávio Bolsonaro perdeu terreno e a disputa presidencial entrou novamente numa fase favorável ao presidente.
Nos corredores do Congresso, ministros, deputados e assessores governistas passaram os últimos dias repetindo praticamente a mesma frase: “a onda virou”.
A virada aparece nos números.
Segundo o novo levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira (22), Lula chegou a 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 31%. A distância agora é de nove pontos.
Na pesquisa da Futura Inteligência, divulgada também nesta sexta, Lula aparece ainda mais forte: 42,7% contra 35,6% de Flávio.
O dado mais simbólico talvez não seja nem a vantagem em si — mas a mudança de direção. Há poucas semanas, o bolsonarismo comemorava crescimento gradual nas simulações eleitorais. Agora, os números mostram exatamente o contrário: a pré-candidatura de Flávio começa a apresentar sinais claros de desgaste.
E o timing da queda não passou despercebido.
A deterioração coincide com a repercussão dos áudios envolvendo o senador do PL e o banqueiro Daniel Vorcaro — no episódio que já ficou popularmente conhecido como "caso BolsoMaster" — abriu uma crise política na direita e produziu desgaste imediato nas redes sociais, na imprensa e até dentro de setores do próprio partido do senador.
Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que parte do eleitorado mais moderado começou a recuar diante do aumento da exposição negativa do senador.
Segundo turno ficou mais confortável para Lula
O Datafolha mostra Lula com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Já a Futura Inteligência aponta vantagem ainda maior: 47,7% a 42,2%.
Outros institutos divulgados ao longo da semana seguiram a mesma tendência. A AtlasIntel registrou Lula com 48,9% contra 41,8%. A Vox Brasil apontou 46,8% a 38,1%.
Em resumo: praticamente todos os levantamentos capturaram a mesma fotografia política — Lula voltou a crescer e Flávio perdeu fôlego.
Rejeição acende alerta dentro do PL
Dentro do PL, o aumento da rejeição do senador também começou a gerar ruído.
Em alguns levantamentos, Flávio Bolsonaro já aparece como o nome mais rejeitado da disputa, superando os índices históricos do próprio Lula. Michelle Bolsonaro, por outro lado, continua apresentando rejeição menor, o que reacendeu discussões internas sobre quem realmente teria mais viabilidade eleitoral para enfrentar o PT em 2026.
Outro detalhe importante chamou atenção dos analistas: Lula aparece vencendo também outros nomes testados pela direita e centro-direita, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Michelle Bolsonaro.
“Disparou rumo ao tetra”
Nas redes sociais progressistas, o resultado das pesquisas virou combustível político imediato.
“O homem disparou rumo ao tetra! 🚀 Lula abre 9 pontos de vantagem sobre Flavio Rachadinha no 1º turno, segundo Datafolha”.
A frase foi publicada pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT-PR), que comemorou os novos números nas redes sociais.
Ainda falta muito para a eleição de 2026. A campanha nem começou oficialmente, alianças podem mudar e o cenário econômico continuará pesando fortemente no humor do eleitorado.
Mas a fotografia política desta semana deixou um recado difícil de ignorar: o bolsonarismo entrou em turbulência justamente no momento em que tentava consolidar um sucessor nacional.
E Lula voltou a respirar com mais tranquilidade na corrida pelo Palácio do Planalto. Ele é mais um vez favorito à reeleição.


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