Vídeo gravado no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná viraliza após deputados defenderem redução das ofensas pessoais e do clima de hostilidade entre parlamentares
O plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) viveu hoje um daqueles momentos raros em que adversários políticos resolveram apertar o freio — pelo menos por alguns minutos — na escalada de hostilidade que vem dominando o debate público brasileiro.
O gesto partiu de dois parlamentares que ocupam lados opostos do tabuleiro político estadual, mas decidiram gravar juntos um vídeo com um recado direto aos colegas: a temperatura da política paranaense chegou perto demais do limite.
De um lado, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho (PDT). Do outro, o líder do governo Ratinho Junior na Assembleia, Hussein Bakri (PSD). O encontro aconteceu dentro do próprio plenário da Casa e rapidamente começou a circular entre grupos políticos, assessorias e bastidores de Curitiba.
“É isso que está virando a Assembleia”
A cena chamou atenção justamente pelo contraste. Em Brasília e também nas assembleias estaduais, a política brasileira atravessa um período de radicalização verbal crescente, marcado por ataques pessoais, provocações e discursos cada vez mais agressivos.
No vídeo, Requião Filho faz um exercício hipotético para demonstrar o clima que, segundo ele, começou a dominar as sessões plenárias:
“Queridos parlamentares, o governador de vocês é um vagabundo, é um lixo, bandido, assim não dá, tinha que estar preso esse canalha. Qual seria a resposta da liderança?”
A resposta de Bakri vem imediatamente — e no mesmo tom, justamente para ilustrar o desgaste do debate político:
“A minha resposta seria assim: o presidente de vocês é um lixo, canalha, ladrão, devia estar preso. É isso que está virando a Assembleia.”
Na sequência, os dois deixam o embate de lado e fazem um apelo conjunto por contenção e respeito institucional.
“Estamos chegando a um limite”
Bakri afirma que parlamentares vêm tentando “segurar um pouco o nível” das discussões. Já Requião Filho relata incômodo com o ambiente diário das sessões da ALEP.
“Nós estamos chegando a um nível que está ficando insuportável.”
O deputado relembra ainda o período em que liderou a oposição na Casa ao lado do deputado Arilson Chiorato, defendendo que era possível manter debates duros sem transformar adversários em inimigos pessoais.
“Eu sou um dos deputados com discursos mais ácidos da Casa e nunca precisei ofender pessoalmente ninguém.”
O pedido também foi direcionado ao atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, citado durante a gravação.
Clima político em ebulição
Nos bastidores da ALEP, a avaliação é de que o vídeo expôs uma preocupação crescente entre parlamentares de diferentes correntes ideológicas. Nos últimos meses, temas ligados ao presidente Lula, ao ex-presidente Bolsonaro e às disputas nacionais passaram a contaminar cada vez mais o ambiente das sessões estaduais. Mas hoje pelo visto a coisa chegou a níveis insuportáveis, com a revelação do escândalo BolsoMaster.
Embora não exista, até o momento, qualquer medida formal ou mudança regimental relacionada ao episódio, deputados admitem reservadamente que a escalada de ataques pessoais começou a afetar a própria imagem institucional da Assembleia perante a população.
O episódio também ocorre num momento em que a ALEP tenta reforçar publicamente pautas administrativas, econômicas e sociais do Paraná, além de projetos voltados à transparência e políticas públicas estaduais.
Mesmo sem encerrar a polarização política, o gesto conjunto de Requião Filho e Bakri acabou produzindo uma imagem cada vez mais rara na política brasileira atual: dois adversários dividindo o mesmo vídeo para pedir menos gritaria e mais debate, mas trabalho em prol da população paranaense. Isso é que importa.


Nenhum comentário:
Postar um comentário