sábado, 11 de abril de 2026

Projeto quer trocar dívidas por empregos e dar fôlego a pequenos negócios

Proposta do deputado Zeca Dirceu cria programa permanente de renegociação tributária e amplia alcance do Programa Desenrola Brasil

O caixa aperta antes do fim do mês. E, quando a conta não fecha, o problema raramente são só os impostos — é o que vem junto: juros, multas, bloqueios, portas que se fecham, escritórios de advocacia que compram títulos podres dos bancos ligando o dia inteiro para a casa dos inadimplentes. Para quem vive do próprio negócio, a dívida vira um limite invisível.

É nesse ponto que entra o Projeto de Lei Complementar 99/2026, apresentado pelo deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), que amplia o Desenrola Pequenos Negócios e avança sobre um terreno ainda mais sensível: o das dívidas com o próprio Estado.

“Trocar dívida por emprego”

A ideia central do projeto aparece logo na fala do deputado — quase como um resumo da proposta:

Na verdade, o Governo Federal, a Receita Federal, vai estar trocando juros, multas, impostos não pagos… por emprego, por renda.” Disse o deputado.

A proposta cria um modelo de renegociação que reduz encargos e, ao mesmo tempo, oferece benefícios para empresas que mantêm ou ampliam seus quadros de funcionários.

Não tenho dúvida nenhuma que é uma necessidade — e será uma decisão acertada quando o Congresso aprovar esse projeto”, afirma Zeca.

Um “desenrola” que faltava

A proposta também parte de uma crítica direta ao modelo atual:

Não é justo que o governo faça um desenrola para as dívidas bancárias, mas a gente não tenha um desenrola também de impostos…”, ponderou o parlamentar.

O foco são os pequenos negócios que acumulam dívidas tributárias e encontram dificuldade para regularizar sua situação.

Onde o impacto aparece primeiro

Na fala do deputado, o efeito da crise é localizado — e visível:

A economia local… os bairros, as periferias, as favelas, os pequenos municípios… dependem do microempreendedor... São eles que geram 70%, 80% dos empregos nesse contexto.

Zeca Dirceu avalia que é nesse nível que o problema se torna mais evidente: pequenos negócios fecham, empregos desaparecem e a economia desacelera.

O peso da dívida no dia a dia

O projeto tenta enfrentar um bloqueio concreto que vai além dos números:

Essas dívidas… acabam impedindo gente que tem um bom negócio de fazer novos investimentos ... A pessoa fica proibida de acessar financiamentos… muitas vezes até de vender os seus produtos.

Na prática, o deputado federal, que é pré-candidato à reeleição, pelo PT Paraná, explica que estar irregular impede acesso a crédito, participação em licitações e fornecimento para órgãos públicos, inclusive e até principalmente para os microempreendedores individuais. Hoje no Brasil mais de 6 milhões de MEIs estão com a guia de pagamento do DAS atrasada.

O que muda com o projeto

O texto cria o Programa Permanente de Regularização Tributária (PRT-MPE), com três pilares:

  • Descontos amplos em juros e multas
  • Parcelamento em até 120 meses
  • Limite para encargos, que não podem ultrapassar 20% da dívida principal

Além disso, empresas que mantiverem ou gerarem empregos podem obter descontos adicionais.

Experiência pessoal entra no discurso

Ao defender o projeto, o deputado também recorre à própria trajetória:

Eu já fui um pequeno e médio empresário… trabalhei 10 anos com a minha pequena empresa ... Minha mãe, há quase 50 anos, toca uma pequena empresa… meu pai também foi pequeno empresário”, declarou o Zeca Dirceu, mostrando que sabe do que está falando.

Por isso concluiu:

Eu sei o quanto é difícil… o quanto esses pequenos empreendedores trabalham muito.

O que está em jogo

O projeto apresentado por Zeca Dirceu ainda precisa avançar no Congresso, mas o autor aposta em apoio amplo:

Espero que a gente tenha apoio do governo… e do Congresso ... Independente de ideologia… todos aqueles que veem nos pequenos empreendedores quem de fato ajuda no desenvolvimento do país.

No fim, a proposta tenta reequilibrar uma relação antiga: menos punição acumulada, mais chance de recomeço. Se devemos dar a César O que é de César e a Deus o que é de Deus, o tempo do césares já se foi há  milênios, e o presidente Lula é um homem do povo. Outros parlamentares consultados pelo Sulpost concordam num poto: certamente a proposta irá avançar.

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