Deputada paranaense esteve entre as principais articuladoras da pauta no governo Lula e agora colhe capital político após aprovação histórica da Câmara
A madrugada ainda nem havia esfriado em Brasília quando a comemoração começou a ganhar outro significado político no Paraná. A aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, uma das pautas trabalhistas mais populares das últimas décadas, virou também um combustível poderoso para a pré-campanha ao Senado da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).
Não foi apenas uma vitória parlamentar. Para aliados da petista, foi a consolidação de uma imagem construída ao longo dos últimos meses dentro do próprio governo Lula: a de uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho no país.
A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em dois turnos na noite desta quarta-feira (27). O placar foi amplo: 472 votos favoráveis no primeiro turno e 461 no segundo. Apenas 19 deputados votaram contra.
O texto reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado por semana e praticamente enterra a escala 6x1, há anos criticada por trabalhadores do comércio, supermercados, farmácias, restaurantes, telemarketing, vigilância e transporte.
Mas nos bastidores de Brasília, muita gente atribui a digital política da proposta à atuação de Gleisi ainda no período em que comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Foi ela quem, ainda no começo do ano, colocou publicamente o tema entre as prioridades do governo Lula para 2026. Na época, afirmou que caberia ao governo “batalhar pela aprovação” da medida e destacou especialmente o impacto da escala 6x1 sobre as mulheres trabalhadoras.
Quatro meses depois, a proposta saiu do discurso e atravessou a Câmara com margem histórica — inclusive recebendo votos favoráveis de setores conservadores que vinham evitando confronto direto com uma pauta apoiada por cerca de 75% da população brasileira.
No Paraná, o resultado ganhou peso simbólico. Nenhum deputado federal do estado apareceu oficialmente votando contra no painel analisado após a sessão. Dos 30 parlamentares paranaenses, 25 registraram voto favorável.
Entre os nomes que votaram “sim” está até mesmo o deputado Filipe Barros (PL-PR), adversário político de Gleisi na corrida ao Senado. O gesto mostrou o tamanho do desgaste que um voto contrário poderia causar diante da pressão popular.
Cinco deputados paranaenses não registraram voto no painel final: Dilceu Sperafico (PP-PR), Padovani (PP-PR), Pedro Lupion (Republicanos-PR), Sergio Souza (MDB-PR) e Tião Medeiros (PP-PR).
Nas redes sociais, Gleisi classificou a aprovação como uma “vitória histórica” dos trabalhadores brasileiros e comparou o avanço da PEC a conquistas como férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal e valorização do salário mínimo.
O discurso também buscou associar diretamente a conquista ao campo político do presidente Lula, lembrando a trajetória sindical do petista desde as greves do ABC paulista no fim da década de 1970.
Na prática, a deputada passa a carregar para a disputa do Senado um argumento forte junto ao eleitorado popular: quando a pauta deixou de ser promessa e chegou ao plenário, ela estava entre os nomes que mais pressionaram pela aprovação.
Para o trabalhador comum, a mudança representa mais tempo em casa, mais convivência familiar e menos desgaste físico e mental. Para empresas, começa agora um período de adaptação de contratos, escalas e negociações coletivas.
A PEC ainda precisa passar pelo Senado Federal em dois turnos. Mas a votação na Câmara já entrou para a história política e trabalhista do país — e também pode redefinir parte da disputa eleitoral de 2026 no Paraná.
Como fica a transição da nova jornada
- Após 60 dias: jornada máxima cai de 44h para 42h semanais;
- Escala obrigatória passa a ser de 5 dias de trabalho e 2 de descanso;
- Após 14 meses: jornada máxima será de 40 horas semanais;
- Salários permanecem integrais;
- Acordos coletivos poderão definir ajustes específicos.
Deputados federais do Paraná — como votaram
Votaram a favor:
- Aliel Machado (PV-PR)
- Beto Preto (PSD-PR)
- Carol Dartora (PT-PR)
- Delegado Matheus Laiola (União-PR)
- Diego Garcia (Republicanos-PR)
- Filipe Barros (PL-PR)
- Giacobo (PL-PR)
- Gleisi Hoffmann (PT-PR)
- Luciano Ducci (PSB-PR)
- Luisa Canziani (PSD-PR)
- Ricardo Barros (PP-PR)
- Tadeu Veneri (PT-PR)
- Toninho Wandscheer (PP-PR)
- Vermelho (PL-PR)
- Zeca Dirceu (PT-PR)
- e outros parlamentares da bancada paranaense
Sem voto registrado no painel final:
- Dilceu Sperafico (PP-PR)
- Padovani (PP-PR)
- Pedro Lupion (Republicanos-PR)
- Sergio Souza (MDB-PR)
- Tião Medeiros (PP-PR)
Deputados que votaram contra a PEC
- Adriana Ventura (Novo-SP)
- Bibo Nunes (PL-RS)
- Carlos Chiodini (MDB-SC)
- Caroline de Toni (PL-SC)
- Daniel Freitas (PL-SC)
- Daniela Reinehr (PL-SC)
- Fabio Schiochet (União-SC)
- Gilson Marques (Novo-SC)
- Julia Zanatta (PL-SC)
- Kim Kataguiri (Missão-SP)
- Lucas Redecker (PSD-RS)
- Marcel van Hattem (Novo-RS)
- Mauricio Marcon (PL-RS)
- Nicoletti (PL-RR)
- Pezenti (MDB-SC)
- Ricardo Guidi (PL-SC)
- Ricardo Salles (Novo-SP)
- Rosângela Moro (PL-SP)
- Sérgio Turra (PP-RS)

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