quinta-feira, 28 de maio de 2026

Gleisi transforma vitória histórica da PEC do fim da escala 6x1 em trunfo político para o Senado

Deputada paranaense esteve entre as principais articuladoras da pauta no governo Lula e agora colhe capital político após aprovação histórica da Câmara

 
Gleisi transforma vitória histórica da PEC da escala 6x1 em trunfo político para o Senado. Deputada paranaense esteve entre as principais articuladoras da pauta no governo Lula e agora colhe capital político após aprovação histórica da Câmara.

A madrugada ainda nem havia esfriado em Brasília quando a comemoração começou a ganhar outro significado político no Paraná. A aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1, uma das pautas trabalhistas mais populares das últimas décadas, virou também um combustível poderoso para a pré-campanha ao Senado da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Não foi apenas uma vitória parlamentar. Para aliados da petista, foi a consolidação de uma imagem construída ao longo dos últimos meses dentro do próprio governo Lula: a de uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho no país.

A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em dois turnos na noite desta quarta-feira (27). O placar foi amplo: 472 votos favoráveis no primeiro turno e 461 no segundo. Apenas 19 deputados votaram contra.

O texto reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado por semana e praticamente enterra a escala 6x1, há anos criticada por trabalhadores do comércio, supermercados, farmácias, restaurantes, telemarketing, vigilância e transporte.

Mas nos bastidores de Brasília, muita gente atribui a digital política da proposta à atuação de Gleisi ainda no período em que comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Foi ela quem, ainda no começo do ano, colocou publicamente o tema entre as prioridades do governo Lula para 2026. Na época, afirmou que caberia ao governo “batalhar pela aprovação” da medida e destacou especialmente o impacto da escala 6x1 sobre as mulheres trabalhadoras.

Quatro meses depois, a proposta saiu do discurso e atravessou a Câmara com margem histórica — inclusive recebendo votos favoráveis de setores conservadores que vinham evitando confronto direto com uma pauta apoiada por cerca de 75% da população brasileira.

No Paraná, o resultado ganhou peso simbólico. Nenhum deputado federal do estado apareceu oficialmente votando contra no painel analisado após a sessão. Dos 30 parlamentares paranaenses, 25 registraram voto favorável.

Entre os nomes que votaram “sim” está até mesmo o deputado Filipe Barros (PL-PR), adversário político de Gleisi na corrida ao Senado. O gesto mostrou o tamanho do desgaste que um voto contrário poderia causar diante da pressão popular.

Cinco deputados paranaenses não registraram voto no painel final: Dilceu Sperafico (PP-PR), Padovani (PP-PR), Pedro Lupion (Republicanos-PR), Sergio Souza (MDB-PR) e Tião Medeiros (PP-PR).

Nas redes sociais, Gleisi classificou a aprovação como uma “vitória histórica” dos trabalhadores brasileiros e comparou o avanço da PEC a conquistas como férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal e valorização do salário mínimo.

O discurso também buscou associar diretamente a conquista ao campo político do presidente Lula, lembrando a trajetória sindical do petista desde as greves do ABC paulista no fim da década de 1970.

Na prática, a deputada passa a carregar para a disputa do Senado um argumento forte junto ao eleitorado popular: quando a pauta deixou de ser promessa e chegou ao plenário, ela estava entre os nomes que mais pressionaram pela aprovação.

Para o trabalhador comum, a mudança representa mais tempo em casa, mais convivência familiar e menos desgaste físico e mental. Para empresas, começa agora um período de adaptação de contratos, escalas e negociações coletivas.

A PEC ainda precisa passar pelo Senado Federal em dois turnos. Mas a votação na Câmara já entrou para a história política e trabalhista do país — e também pode redefinir parte da disputa eleitoral de 2026 no Paraná.

Como fica a transição da nova jornada

  • Após 60 dias: jornada máxima cai de 44h para 42h semanais;
  • Escala obrigatória passa a ser de 5 dias de trabalho e 2 de descanso;
  • Após 14 meses: jornada máxima será de 40 horas semanais;
  • Salários permanecem integrais;
  • Acordos coletivos poderão definir ajustes específicos.

Deputados federais do Paraná — como votaram

Votaram a favor:

  • Aliel Machado (PV-PR)
  • Beto Preto (PSD-PR)
  • Carol Dartora (PT-PR)
  • Delegado Matheus Laiola (União-PR)
  • Diego Garcia (Republicanos-PR)
  • Filipe Barros (PL-PR)
  • Giacobo (PL-PR)
  • Gleisi Hoffmann (PT-PR)
  • Luciano Ducci (PSB-PR)
  • Luisa Canziani (PSD-PR)
  • Ricardo Barros (PP-PR)
  • Tadeu Veneri (PT-PR)
  • Toninho Wandscheer (PP-PR)
  • Vermelho (PL-PR)
  • Zeca Dirceu (PT-PR)
  • e outros parlamentares da bancada paranaense

Sem voto registrado no painel final:

  • Dilceu Sperafico (PP-PR)
  • Padovani (PP-PR)
  • Pedro Lupion (Republicanos-PR)
  • Sergio Souza (MDB-PR)
  • Tião Medeiros (PP-PR)

Deputados que votaram contra a PEC

  • Adriana Ventura (Novo-SP)
  • Bibo Nunes (PL-RS)
  • Carlos Chiodini (MDB-SC)
  • Caroline de Toni (PL-SC)
  • Daniel Freitas (PL-SC)
  • Daniela Reinehr (PL-SC)
  • Fabio Schiochet (União-SC)
  • Gilson Marques (Novo-SC)
  • Julia Zanatta (PL-SC)
  • Kim Kataguiri (Missão-SP)
  • Lucas Redecker (PSD-RS)
  • Marcel van Hattem (Novo-RS)
  • Mauricio Marcon (PL-RS)
  • Nicoletti (PL-RR)
  • Pezenti (MDB-SC)
  • Ricardo Guidi (PL-SC)
  • Ricardo Salles (Novo-SP)
  • Rosângela Moro (PL-SP)
  • Sérgio Turra (PP-RS)
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