sábado, 23 de maio de 2026

Lula promete vetar disparos em massa nas eleições e alerta para avanço dos “robôs” na política

Em entrevista ao Sem Censura, presidente criticou minirreforma eleitoral aprovada na Câmara e disse que inteligência artificial não pode decidir o rumo da democracia brasileira

 
O presidente Lula deu entrevista ao Sem Censura na noite dessa sexta (22) - Tânia Rêgo/Agência Brasil

O estúdio da TV Brasil parecia mais silencioso que o habitual na noite desta sexta-feira (22). Em meio às luzes do programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a tocar num tema que vem crescendo nos bastidores de Brasília — e também no centro das redes sociais: o poder dos algoritmos sobre a política.

Ao comentar a minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara dos Deputados na última terça-feira (19), Lula afirmou que pretende vetar o trecho que autoriza o envio automatizado de mensagens em massa para eleitores previamente cadastrados. O texto ainda precisa passar pelo Senado.

O receio do Planalto

O ponto mais sensível da proposta aprovada pela Câmara permite que partidos e campanhas façam disparos automatizados de mensagens sem que isso seja considerado irregular, desde que os destinatários estejam cadastrados previamente.

Na prática, críticos da medida enxergam uma abertura maior para campanhas digitais massivas operadas por sistemas automatizados — especialmente em um cenário onde inteligência artificial, manipulação de conteúdo e disseminação acelerada de desinformação já fazem parte da disputa política global.

“As bancadas aprovaram uma coisa que vai fomentar o uso de robôs na eleição. Eu certamente vetarei. Primeiro, vou trabalhar para o Senado não aprovar, e depois eu vetarei.”

A declaração ocorreu durante entrevista especial na TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com participação da influenciadora Nath Finanças, da jornalista Luciana Barreto e do criador de conteúdo Muka.

Lula afirmou que o avanço dessas ferramentas precisa encontrar limites.

“A inteligência artificial vale para muita coisa, mas ela não pode valer na disputa eleitoral para escolher um prefeito, um governador, um deputado.”

O presidente também disse enxergar um ambiente político mundial mais agressivo e emocionalmente fragmentado.

“O mundo tá diferente, nervoso, polarizado.”

Durante a conversa, Lula citou os Estados Unidos como exemplo do aprofundamento das divisões políticas e afirmou que os algoritmos das redes sociais passaram a influenciar diretamente a convivência humana.

“Eu não quero perder o humanismo que tem dentro do ser humano, porque estamos sendo vítimas dos algoritmos.”

Fundos eleitorais e “promiscuidade” política

Outro trecho que repercutiu em Brasília foi a crítica do presidente ao atual modelo de financiamento político.

Lula afirmou que mudou de posição sobre os fundos partidário e eleitoral após observar o crescimento do volume de recursos públicos controlados por parlamentares e partidos.

“Eu era favorável a fundo partidário, a fundo eleitoral, hoje eu sou contra, porque levou à promiscuidade na política.”

Segundo ele, o excesso de recursos públicos disponíveis através de emendas parlamentares também contribuiu para distorções dentro do sistema político.

“Um deputado hoje tem R$ 50 milhões, R$ 60 milhões de emendas por ano.”

Debate deve seguir no Senado

A minirreforma eleitoral foi aprovada em votação simbólica e sem registro nominal no painel da Câmara, movimento que acelerou a tramitação do texto e gerou reação de organizações da sociedade civil preocupadas com possíveis brechas para campanhas digitais menos transparentes.

Agora, o projeto segue para análise do Senado Federal. Nos bastidores do governo, a expectativa é tentar barrar o trecho ainda antes de eventual sanção presidencial.

Enquanto isso, o debate sobre inteligência artificial, manipulação algorítmica e os limites das campanhas digitais começa a ocupar um espaço cada vez maior no centro da política brasileira — e deve ganhar ainda mais força conforme as próximas eleições se aproximam.

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