sábado, 25 de abril de 2026

El Niño volta ao radar e pode alterar o clima do Brasil já a partir de maio

Com aquecimento consistente no Pacífico, OMM e NOAA convergem para alta probabilidade do fenômeno; Sul do país deve enfrentar mais chuva e risco de eventos extremos

El Niño volta ao radar e pode alterar o clima do Brasil já a partir de maio. Com aquecimento consistente no Pacífico, OMM e NOAA convergem para alta probabilidade do fenômeno; Sul do país deve enfrentar mais chuva e risco de eventos extremos.

O Pacífico voltou a dar sinais — discretos, mas contínuos. Nas últimas semanas, a temperatura da superfície do mar na faixa equatorial começou a subir de forma mais organizada. Não é um movimento brusco, nem evidente à primeira vista. Mas, para quem acompanha o clima, é o tipo de mudança que acende alerta.

Desta vez, não se trata de uma leitura isolada. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) caminham na mesma direção: há alta probabilidade de retorno do El Niño entre maio e julho de 2026.

O fenômeno — caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico central e oriental — costuma durar de nove a doze meses. Quando se instala, dificilmente passa despercebido.

Sinais técnicos mais consistentes

A OMM aponta que já se observa uma mudança clara no Pacífico Equatorial, com aquecimento acelerado da superfície do mar. Segundo o chefe de previsão climática da entidade, Wilfran Moufouma Okia, os modelos numéricos estão hoje “fortemente alinhados” para o início do fenômeno, com tendência de intensificação ao longo do ano.

O diagnóstico é reforçado pelo NOAA, que mantém o sistema climático ainda em condição neutra, mas sob vigilância. Há um alerta ativo — o chamado El Niño Watch — indicando que as condições atmosféricas e oceânicas estão se tornando favoráveis à formação do evento.

Na prática, isso se traduz em uma probabilidade próxima de 60% para o desenvolvimento do El Niño já no trimestre que começa em maio.

Ainda assim, há cautela. Esse período do ano é conhecido entre meteorologistas como uma zona de menor previsibilidade. Projeções mais firmes costumam surgir a partir do fim do outono.

Fenômeno reorganizador do clima

O El Niño atua como um reorganizador do sistema climático. Ao aquecer o Pacífico, ele altera a circulação atmosférica em larga escala e desloca os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

Entre os efeitos mais recorrentes:

  • aumento da temperatura média global
  • mudanças nos regimes de precipitação
  • maior frequência de extremos climáticos

Não é um evento isolado, tampouco localizado. Seus efeitos se espalham.

América do Sul no eixo das mudanças

  • mais chuva no sul da América do Sul

  • menos chuva nas áreas mais ao norte

Esse padrão, observado em episódios anteriores e reforçado pelos modelos atuais, coloca o Cone Sul em posição de maior vulnerabilidade a eventos hidrológicos.

Brasil: impactos desiguais

Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná)

A tendência é de aumento das chuvas ao longo do inverno e da primavera.

    • enchentes
    • cheias de rios
    • deslizamentos de terra

Também se espera maior frequência de episódios de instabilidade, com tempestades mais intensas.

No Paraná, o histórico indica períodos prolongados de solo saturado e variações rápidas nas condições do tempo.

Sudeste

    • chuvas irregulares
    • episódios de calor mais persistente
    • oscilações no nível de reservatórios

Norte e Nordeste

    • redução das chuvas
    • risco de seca
    • pressão sobre abastecimento e produção agrícola

Temperatura global sob pressão

Além das mudanças regionais, o El Niño costuma contribuir para a elevação da temperatura média do planeta. Funciona como um fator adicional em um sistema climático já aquecido.

O que ainda não se sabe

Apesar da convergência entre os principais centros meteorológicos, há uma variável decisiva em aberto: a intensidade do fenômeno.

Não se sabe ainda se o evento será fraco, moderado ou forte. Essa definição costuma se consolidar apenas ao longo do inverno no hemisfério sul. Até lá, o cenário é de monitoramento constante.

O Pacífico já deu o primeiro sinal. Agora, o restante do sistema climático começa a responder — e o Brasil, especialmente o Sul, entra novamente no mapa de atenção.

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