Deputado aponta aumento médio de 19% para residências e mais de 50% em setores industriais, criticando modelo voltado ao lucro
14 de abril de 2026 — Sulpost — via Assessoria do Deputado

Deputado Arilson Chiorato, Líder da Oposição na ALEP e presidente do PT-PR (Orlando Kissner/Alep)
O impacto chega primeiro na fatura. Silencioso, direto, difícil de escapar. E pode ficar mais pesado nos próximos meses. Nesta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Arilson Chiorato (PT) acendeu um alerta: a conta de energia pode subir, em média, 19,2% para consumidores residenciais — e ultrapassar os 50% em alguns segmentos da economia.
Líder da Oposição e presidente do PT no Paraná, Arilson atribui o cenário à mudança no modelo de gestão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), após a privatização conduzida pelo governo Ratinho Jr. (PSD).
Segundo o parlamentar, os números chamam atenção: mesmo com uma queda aproximada de 1% no custo da energia entre 2025 e 2026, a proposta de reajuste segue em alta expressiva. Em áreas como grandes indústrias, mineração e centros comerciais, o impacto pode ser ainda mais acentuado.
“A Copel deixou de ter como prioridade o interesse público e passou a focar no resultado para acionistas. Isso muda a lógica da tarifa e impacta diretamente o bolso da população”, afirmou Arilson.
No plenário, o líder reforçou que a mudança no controle da empresa trouxe uma nova diretriz: maximizar lucro e ampliar a distribuição de dividendos. Para ele, o cenário atual confirma alertas feitos ainda em 2020, durante o debate sobre a venda da estatal.
Estrutura de cobrança pressiona tarifas
Outro ponto destacado pelo deputado é o crescimento da remuneração do capital — índice que representa o retorno sobre investimentos na rede elétrica — que, segundo ele, avançou mais de 70%.
Na prática, a lógica é técnica, mas o efeito é direto: a infraestrutura de distribuição tem seu valor reconhecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e sobre esse montante incide uma remuneração. Quanto maior esse valor, maior a pressão sobre a tarifa final.
“É investimento virando aumento de tarifa. A empresa investe e depois incorpora esse custo na conta de luz. Quando isso cresce demais, quem paga é o consumidor”, disse.
Na avaliação do parlamentar, o modelo atual permite que investimentos sejam incorporados de forma crescente ao preço pago pela população, ampliando a base de cobrança e abrindo espaço para novos reajustes.
Efeito em cadeia na economia
O impacto, segundo Arilson, não se limita às residências. A alta da energia se espalha pela economia: encarece a produção industrial, pressiona o comércio e chega, inevitavelmente, ao preço final de produtos e serviços.
O deputado também criticou a ausência de resposta do governo estadual diante das mudanças na empresa. Ele mencionou relatos de piora no atendimento, com demora na religação de energia e redução de equipes.
“Há relatos claros de piora no atendimento da Copel. A população enfrenta demora na religação de energia e redução de equipes. Isso é realidade. A questão é: qual foi a decisão do Governo Ratinho Jr. diante disso? Nenhuma”, afirmou.
Para Arilson, os efeitos da privatização já se manifestam no cotidiano dos paranaenses — seja na conta mais cara, seja na pressão crescente sobre o orçamento familiar.

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