Após protesto no Palácio Iguaçu, líder sindical vai ao Tribunal Regional do Trabalho cobrar julgamento do dissídio e convoca assembleia decisiva para segunda-feira às 5 da manhã na porta da fábrica
Com sol entre nuvens o dia amanheceu friozinho nesta manhã de sexta-feira (13) em Curitiba, mas vai esquentando no decorrer do período — e, com 36 dias de paralisação a greve da Brose voltou a ecoar no centro do poder do Paraná.
Depois de mais de um mês de paralisação em São José dos Pinhais, após já ter sido até preso de maneira agressiva e autoritária pela PMPR, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva, conhecido como Nelsão da Força, passou a manhã desta sexta-feira (13) circulando entre dois endereços simbólicos da política e da Justiça no Paraná.
Primeiro, no Centro Cívico, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual e à Assembleia do Paraná (ALEP). De lá ele partiu para o TRT-9, e gravou um vídeo de protesto diante do prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), no centro de Curitiba.
Em ambos os lugares, a manifestação foi a mesma: os trabalhadores da Brose precisam de uma solução urgente.
Um apelo direto ao governo do Paraná
Na frente do Palácio Iguaçu, Nelsão gravou um vídeo dirigido ao governador Ratinho Junior.
O dirigente sindical pede que o governo estadual ajude a abrir um canal de negociação entre empresa e trabalhadores, após semanas de impasse.
“Hoje é dia 13 de março. Nós estamos pedindo para o governador nos ajudar a fazer uma reunião para resolver a greve da Brose, já que até hoje não resolveu.”
O apelo ocorre em meio a denúncias apresentadas pelo sindicato de que a empresa estaria pressionando trabalhadores durante a paralisação, além de realizar demissões e contratações em meio ao movimento grevista — situações que, segundo os grevistas, podem configurar tentativa de enfraquecer o direito constitucional de greve.
Veja o vídeo, gravado hoje de manhã
Nas últimas semanas, também houve relatos de confrontos envolvendo a Polícia Militar do Paraná durante mobilizações de trabalhadores.
Do Palácio à Justiça
Sem resposta imediata do Executivo estadual, o dirigente sindical seguiu pela cidade.
Horas depois, já estava diante do prédio do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, cobrando que a Justiça analise com urgência o dissídio coletivo da greve.
Ali, novamente diante de uma câmera de celular, fez um novo apelo — desta vez direcionado ao Judiciário trabalhista.
“Estou aqui na frente do Tribunal Regional do Trabalho pedindo para os juízes julgarem a greve da Brose. Os trabalhadores já estão quase 40 dias em greve e não têm mais o que comer, pagar água, luz e remédio.”
O dirigente também criticou a demora no andamento do processo.
“Parece que quando é para os empresários a audiência sai de um dia para o outro. Agora que é uma greve de trabalhadores, já está quase 40 dias e pode demorar meses.”
Um conflito que já pesa no bolso das famílias
Enquanto o processo judicial segue sem definição, a situação econômica dos trabalhadores se torna cada vez mais delicada.
Sem salário regular e sem acordo com a empresa, muitas famílias já enfrentam dificuldades para manter despesas básicas.
Esse cenário explica o tom crescente de urgência nas falas do sindicato.
“Estamos pedindo socorro para salvar os empregos e o salário dos trabalhadores da Brose.”
Assembleia pode definir os próximos passos
Em meio à pressão sobre governo e Justiça, o sindicato prepara agora um momento decisivo para a categoria.
Nelsão convocou uma assembleia geral para segunda-feira (16), dia 16/3 às das 5 horas da manhã, em primeira convocação, na porta da fábrica, em São José dos Pinhais, na RMC.
A reunião deverá reunir trabalhadores dos três turnos da empresa — inclusive aqueles que continuam em atividade.
“Estamos convocando todos os trabalhadores para uma assembleia geral na segunda-feira, na entrada do primeiro turno.”
No encontro, os metalúrgicos devem discutir diferentes cenários:
- a continuidade da greve;
- a forma de retorno ao trabalho;
- ou a espera por uma decisão da Justiça do Trabalho.
Um impasse que ultrapassa os portões da fábrica
Com quase quarenta dias de duração, a greve da Brose já deixou de ser apenas um conflito interno entre trabalhadores e empresa.
O caso passou a envolver denúncias de repressão, questionamentos jurídicos e agora também pressões políticas sobre o governo estadual e o Judiciário. Os trabalhadores reclamam que não têm mais dinheiro nem para o básico, deixando de pagar contas e dependendo da ajuda do Sindicato, eles querem dignidade.
Enquanto isso, na porta da fábrica em São José dos Pinhais, os trabalhadores seguem esperando aquilo que, até agora, não veio: uma mesa de negociação.
A assembleia de segunda-feira, marcada para a porta da fábrica — em primeira chamada às 5:00 da manhã e segunda chamada 5:30 da manhã — pode indicar se a paralisação vai continuar ou se um novo capítulo dessa disputa está prestes a começar.
A Brose do Brasil Ltda., fica na Av. Max Brose, 171 - Campo Largo da Roseira, São José dos Pinhais - Clique aqui e veja no Google Maps.
O Sulpost tentou contato com a Brose para saber a versão da fábrica, entretanto não obtivemos sucesso. O PABX informado no painel do Google e site da empresa não atende e não houve resposta.
- Confira as fotos e videos enviados hoje pelo Nelsão em nosso Drive, clique aqui.
Por Ronald Stresser Jr., para o Sulpost.


O cara é inocente mesmo... Se foi preso é porque falou merda..
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