Algemado durante mobilização legítima, Nelsão da Força, histórico dirigente sindical se torna símbolo da repressão policial contra o direito de greve no Paraná
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Há imagens que dispensam legenda. Os punhos marcados por algemas de Nelsão da Força, um senhor, dirigente sindical histórico, respeitado pela classe trabalhadora e pelo próprio presidente Lula, falam por si. Não se trata de um episódio isolado, tampouco de um excesso pontual: o que se vê é mais um capítulo de uma escalada preocupante de repressão contra trabalhadores organizados no Paraná.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) denunciou que, durante a mobilização dos trabalhadores da Brose, em São José dos Pinhais, Nelsão foi agredido e detido junto com outros companheiros e companheiras do sindicato. Segundo a denúncia, uma funcionária da empresa também precisou de atendimento médico após a ação da Polícia Militar.
As cenas registradas no local mostram o uso de força, gás de pimenta e prisões arbitrárias. Não estávamos presentes no momento da ação e, por responsabilidade jornalística, não descrevemos a dinâmica dos fatos. O Sulpost cumpre aqui seu papel histórico: amplificar a denúncia, dar voz aos trabalhadores e registrar aquilo que o Estado insiste em normalizar.
Greve justa, repressão injustificável
Os metalúrgicos da Brose entraram nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, no 8º dia consecutivo de greve pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT-2026). A paralisação começou em 28 de janeiro e se mantém diante da falta de diálogo da empresa com o SMC para negociar uma proposta minimamente compatível com o praticado no setor.
Além do impasse nas negociações, trabalhadores e dirigentes sindicais passaram a enfrentar repressão direta da Polícia Militar, que, conforme imagens registradas na frente da fábrica, agiu de forma truculenta, com prisões e uso de gás de pimenta. Uma ambulância precisou ser acionada para atender pessoas atingidas pelo agente inflamatório, que provoca cegueira temporária, dor intensa, tosse e falta de ar.
Assembleia impedida
A ação policial também foi marcada — segundo informa o SMC em seu site — pelo impedimento da realização da assembleia sindical na porta da fábrica — um direito constitucional e pilar básico da organização dos trabalhadores. Impedir assembleia é tentar silenciar, pelo medo, aquilo que deveria ser resolvido pelo diálogo.
O que os trabalhadores reivindicam
Atualmente, os trabalhadores da Brose recebem cerca de R$ 2.500,00 de salário, vale-mercado de R$ 500,00 e não possuem PLR. A pauta apresentada pelo sindicato é clara e objetiva:
- Correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real;
- Equiparação do vale-mercado aos valores praticados no setor;
- Discussão da jornada de trabalho;
- Implantação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A comparação com outras empresas do setor escancara a distorção:
Pirelli
Reajuste salarial: 6%
Vale-mercado: de R$ 700,00 para R$ 1.080,00 (VM adicional de R$ 1.000,00)
PLR: R$ 22.100,00 (100% das metas)
J-Tekt
Reajuste salarial: 6%
Vale-mercado: R$ 1.170,00
PLR: R$ 17.000,00 (100% das metas) + R$ 10.000,00 de primeira parcela fixa
Adient
Reajuste salarial: INPC + 1% de aumento real
Vale-mercado: R$ 1.080,00
PLR: R$ 17.100,00 (100% das metas)
Abono: R$ 5.000,00
O diretor executivo do SMC, Ezequiel Romão, resume o cenário:
“As autopeças da região estão pagando perto de R$ 3.400,00 para funcionários iniciais, enquanto a Brose só reajustou o salário para aproximadamente R$ 2.500,00. É um absurdo! As outras empresas pagam mil reais a mais.”
Campo progressista reage, atos antissindicais se acumulam
O campo progressista paranaense não aceita voto de cabresto e jamais aceitará a volta de modelos de polícia truculenta, típicos dos anos de chumbo da ditadura militar. O movimento sindical luta, no Brasil e no mundo inteiro, para melhorar salários, garantir direitos e assegurar benefícios aos trabalhadores — e por isso é respeitado internacionalmente.
O que se vê no caso da Brose é o oposto desse princípio civilizatório: um aparelhamento da força policial para proteger interesses privados, em detrimento de direitos coletivos. A truculência registrada é chocante, mas torna-se ainda mais ameaçadora quando direcionada a pessoas sabidamente identificadas com a esquerda e com a organização popular.
Prisões, algemas e um alerta nacional
A denúncia ganhou ainda mais repercussão após manifestação pública do ex-senador Roberto Requião, que utilizou as redes sociais para denunciar as agressões sofridas por Nelsão da Força e demais sindicalistas.
Nelsão Da Força sindical, o consequente militante líder dos trabalhadores metalúrgicos é agredido fisicamente pela Polícia Militar do Paraná, e preso no exercício da sua luta pelo direito dos trabalhadores. Não é uma prisão é uma infâmia do governador Ratinho.-Minha absoluta…
— Roberto Requião (@requiaooficial) February 4, 2026
Algemar um dirigente sindical idoso, durante uma greve legítima, não é apenas um ato policial: é um recado político. Quando algemas substituem a negociação, a democracia no chão da fábrica está em risco.
Atos antissindicais e ilegalidades
Com a greve em curso, a Brose passou a adotar, segundo relatos, práticas antissindicais: assédio, pressão psicológica e tentativa de desmobilização com apoio policial. Agora, a empresa avança ainda mais, passando a contratar trabalhadores temporários por R$ 1.900,00.
O SMC já acionou seu jurídico para denunciar a empresa à Justiça.
Os trabalhadores seguem firmes na luta por respeito, dignidade e justiça social. E o Sulpost seguirá ao lado de quem não se curva à repressão. Só quem já sofreu pressão da PM do governador Ratinho Junior, sendo aparelhada por patrões e segunda denúncias até por condomínios para cobrar taxas condominiais vencidas e pressionar militantes do Campo Progressista, sabe o dano psíquico que isso causa e que chega até a ser maior que a dor física, pois se as feridas do corpo saem aos da mente às vezes são mais delicadas.
Jamais este blog ou eu, seu editor, vamos nos calar perante atos truculentos como os praticados pelas milícias cariocas — já morei no Rio e sei o terror que é territórios dominados pela milícia e pelo narcotráfico fortemente armado — sendo replicados por esfera de poder, público, privado ou civil, qualquer que seja. E quando essas práticas começam a ser percebidas em ações que violam a Constituição Federal, mesmo que por parte do Estado, a sociedade certamente cobrará uma resposta.
A PM do Paraná que conheço não é essa que aparecem nas imagens recentes mostradas nessa reportagem e que estão em minha mente ainda gravadas. Não é mais a PM do batalhão Coronel Dulcídio onde aprendi a montar a cavalo, parece coisa de distopia de ficção científica mas não, infelizmente é verdade.
Ampliada com nova imagem obtida às 08h48, me mostra Nelsão - a imagem está borrada - deitado de bruços no chão deixando algemado pela Polícia Militar do Paraná.
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