Carta conjunta amplia pressão nacional após prisão, agressões e impedimento do direito de greve na fábrica da Brose, em São José dos Pinhais
![]() |
| Clique aqui para versão.pdf |
As centrais sindicais brasileiras divulgaram nesta semana uma carta pública conjunta de repúdio à ação da Polícia Militar do Paraná (PMPR) contra trabalhadores, trabalhadoras e dirigentes sindicais durante a greve dos metalúrgicos da Brose, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O documento denuncia agressões físicas, prisões arbitrárias e o impedimento, à força, do exercício do direito constitucional de greve.
A manifestação das centrais ocorre após a repercussão nacional da prisão e das agressões sofridas por Nelsão, histórico dirigente sindical e uma das principais lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), durante mobilização pacífica da categoria por melhores salários, benefícios e condições dignas de trabalho.
Depoimento exclusivo revela violência, detenção e tentativa de silenciamento
Em depoimento exclusivo ao Sulpost, Nelsão relatou os momentos de violência vividos durante a ação policial. Segundo ele, permaneceu detido das 8h às 15h, e teve seu telefone celular apreendido. Mesmo após a soltura, teve que andar uma grande distância mesmo tendo segundo relata dois pinos de seu joelho deslocados. A falta de assistência o líder sindical após a liberação dificultou sua comunicação com a categoria, com sua família e com a própria defesa.
O dirigente também denunciou obstáculos impostos pelas autoridades para a realização do exame de corpo de delito. “Não quiseram me dar a requisição. Passei a noite inteira rodando delegacias. Só depois de muita discussão, no dia seguinte, conseguimos a autorização”, relatou.
Nelsão afirma estar com dores intensas, hematomas e lesões no joelho, inclusive com deslocamento de pinos cirúrgicos que possuí, consequência direta da ação policial. Ainda assim, reforça que a violência não irá calar o movimento sindical.
“Não vai ser isso que vai calar a boca da organização ou da luta dos trabalhadores. A luta continua.”
Carta das centrais denuncia repressão e ataque ao direito de greve
Na carta pública, as centrais sindicais afirmam que a ação da PMPR extrapolou qualquer protocolo de segurança e se configurou como repressão política e antissindical, voltada a proteger interesses privados em detrimento dos direitos fundamentais dos trabalhadores.
O documento destaca que a greve na Brose ocorre diante da recusa sistemática da empresa em negociar um acordo coletivo justo, enquanto outras empresas do mesmo setor já garantiram reajustes salariais, participação nos lucros e benefícios superiores. Para as centrais, o uso da força policial para intimidar grevistas representa um grave retrocesso democrático.
Requião reforça denúncia e cobra afastamento de comandantes
A nova escalada de violência também motivou uma nova manifestação pública do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, que voltou a prestar solidariedade a Nelsão e aos metalúrgicos. Requião responsabilizou diretamente o comando da corporação e o governo estadual.
“A polícia militar não existe para agredir trabalhadores que se manifestam. Ela existe para proteger a manifestação.”
Requião relembrou que, quando governador, afastou imediatamente comandantes envolvidos em episódios semelhantes e questionou: “O que está acontecendo com a Polícia Militar do Paraná?”. Para ele, os responsáveis diretos e os comandantes deveriam ser afastados, pois, como todos sabem o pelotão é reflexo do comandante.
Campo progressista reage e rejeita retrocessos autoritários
A reação das centrais e de lideranças políticas ocorre em um momento de crescente mobilização do campo progressista paranaense, que denuncia o avanço de práticas autoritárias, a criminalização dos movimentos sociais e a tentativa de intimidação de lideranças sindicais.
Entidades e militantes lembram que o movimento sindical, no Brasil e no mundo, é parte fundamental da democracia e da conquista de direitos históricos. “Não aceitaremos a volta de modelos de polícia truculenta, típicos dos anos de chumbo da ditadura militar”, afirmam.
Trabalhadores seguem mobilizados
Apesar da repressão, os metalúrgicos da Brose seguem firmes na greve, exigindo respeito, negociação e dignidade. A carta das centrais amplia o alcance da denúncia e coloca o Paraná novamente sob os holofotes nacionais no debate sobre direitos trabalhistas, democracia e o uso político da força do Estado.
O Sulpost seguirá acompanhando os desdobramentos e amplificando as vozes dos trabalhadores.
Entenda:


Nenhum comentário:
Postar um comentário