quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Gleisi Hoffmann convoca o país à defesa da soberania no 8 de janeiro e rebate Tarcísio: “A democracia e o Brasil não se entregam”

Às vésperas dos atos em memória do 8 de janeiro, ministra reage a declarações de Tarcísio e Ratinho Jr. sobre a captura de Nicolás Maduro e denuncia tentativa de reedição da Doutrina Monroe na América Latina

Por Ronald Stresser | Sulpost | 07 de janeiro de 2026

 

Em um momento em que o continente latino-americano volta a conviver com ameaças externas e discursos que flertam com a intervenção, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, fez nesta terça-feira (6) um chamado direto à defesa da democracia e da soberania nacional, em referência ao 8 de janeiro, data que marca três anos da tentativa de golpe contra as instituições brasileiras.

A manifestação ocorre um dia após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, divulgar um vídeo em que celebrou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas, classificando o episódio como um “marco simbólico”. No vídeo, Tarcísio afirmou que “uma ditadura não cai da noite para o dia” e exibiu uma imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa crítica direta ao governo federal.

“Uma ditadura não cai da noite para o dia. Ela corrói lentamente, apodrece por dentro, as instituições vão morrendo aos poucos e o preço é altíssimo. Custou a liberdade de inocentes, os direitos políticos de opositores, a prosperidade da Venezuela e do seu povo. E tudo isso só foi possível porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”, disse Tarcísio.

Ao comentar os impactos do chavismo, o governador paulista citou o êxodo de venezuelanos, mencionou famílias que cruzaram fronteiras e afirmou que o Brasil acolheu parte dessa população. No trecho final, ampliou o discurso para o cenário regional e eleitoral, ao declarar que “a Venezuela agora está vencendo a esquerda, e no fim do ano o Brasil também vence”.

No sábado, Gleisi já havia rebatido declarações do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), que classificou como “brilhante” a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para a ministra, a euforia da oposição não tem relação com a defesa da democracia, mas revela o desejo de “uma intervenção estrangeira no Brasil”.

Integrantes do governo Lula têm sustentado que a ofensiva norte-americana viola o direito internacional e representa uma ameaça à estabilidade regional. Em tom mais duro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a ação como a mais grave investida imperialista já vivenciada na América Latina e alertou para uma reedição da Doutrina Monroe.

Em vídeo divulgado nesta terça-feira (6), Gleisi Hoffmann reforçou que o 8 de janeiro é uma data central para a memória democrática do país e para a reafirmação da soberania nacional. Segundo ela, a mobilização deste ano ocorre em um contexto inédito, com os responsáveis pelos atos antidemocráticos já condenados e cumprindo penas.

“8 de janeiro é um momento de recordar o dia em que o Brasil foi violentamente ameaçado por uma tentativa de golpe. É a data em que reafirmamos nosso compromisso com a defesa da democracia e da soberania nacional”, afirmou a única ministra paranaense do governo Lula.

A ministra também destacou que a responsabilização judicial dos envolvidos vai além do cumprimento da lei.

“Esse ano, pela primeira vez, os atos do 8 de janeiro ocorrem com os chefes daquele golpe condenados pela Justiça. Foi uma grande vitória da soberania nacional, diante das agressões ao STF e ao nosso país”, disse em tom firme para com os golpistas, mas trazendo uma mensagem que traz grande alívio para toda cidadã e cidadão realmente patriota deste país.

Na avaliação de Gleisi, o desfecho dos processos simboliza também uma derrota para articulações que tentaram deslegitimar o resultado das eleições.

“Uma vitória contra a conspiração de traidores da pátria, que até hoje não se conformaram com o resultado das urnas. A comunidade internacional reconheceu a firme resistência do presidente Lula, do Supremo Tribunal Federal e das forças democráticas do país”, afirmou ela. 

Gleisi relacionou o simbolismo do 8 de janeiro ao atual cenário geopolítico do continente, mencionando diretamente a captura de Nicolás Maduro.

“É muito importante ressaltar esses fatos neste momento em que a soberania do nosso continente volta a ser ameaçada, como não se via desde os tempos da Guerra Fria”.

A ministra também criticou setores que questionam decisões judiciais brasileiras, defendem sanções externas e, segundo ela, agem de forma contraditória.

“Os que se dizem contra ditaduras em outros países, mas tentam implantar uma ditadura aqui mesmo, já mostraram que são capazes de entregar a soberania nacional para alcançar seus objetivos”.

Ao final, Gleisi convocou a população a participar dos atos desta quarta-feira (8) e reforçou a importância da preservação da memória democrática.

“Vamos manter viva a memória do passado para que os erros não se repitam. A democracia e a soberania são inseparáveis, inegociáveis e irrevogáveis. É preciso defendê-las hoje e sempre, para construirmos um Brasil e um mundo mais justos, de paz e prosperidade para todos.”

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