Dados do IBGE revelam o menor desemprego da série, enquanto políticas em debate apontam para um mercado de trabalho ainda mais aquecido em 2026
O Brasil encerrou 2025 respirando um ar que não se sentia há mais de uma década no mercado de trabalho. Em um país marcado por ciclos de crise, informalidade estrutural e cicatrizes profundas deixadas pela pandemia, os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pnad Contínua, sinalizam uma virada histórica — não apenas estatística, mas social.
No trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desocupação caiu para 5,1%, a menor já registrada desde o início da série histórica, em 2012. No consolidado do ano, o desemprego médio ficou em 5,6%, também um recorde positivo. Traduzindo os percentuais em vidas reais: 103 milhões de brasileiros estavam ocupados em 2025, o maior contingente já registrado no país.
É o retrato de um Brasil que voltou a trabalhar — e, mais do que isso, voltou a assinar carteira.
Carteira assinada e renda batem recorde
O número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 38,9 milhões de pessoas, o maior da história. Em relação a 2024, são mais 1 milhão de vínculos formais, um dado que ganha ainda mais peso quando observado ao lado da renda.
A renda média mensal do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.560, um crescimento real de 5,7%, o equivalente a R$ 192 a mais por mês na comparação com o ano anterior. Para milhões de famílias, esse avanço representa mais do que consumo: significa comida na mesa, contas em dia e algum respiro no orçamento.
Segundo os dados consolidados de 2025, o número de desocupados caiu para 6,2 milhões de pessoas, uma redução de cerca de 1 milhão (-14,5%) em relação a 2024. Ao mesmo tempo, houve queda no número de trabalhadores da iniciativa privada sem carteira assinada (13,8 milhões, retração de 0,8%) e também entre trabalhadores domésticos (5,7 milhões, queda de 4,4%).
Ainda assim, a informalidade segue como uma marca estrutural. A taxa anual caiu de 39% para 38,1%, um avanço tímido, mas consistente. Para a coordenadora da Pnad Contínua, Adriana Beringuy, entrevistada pela Agência Brasil, o índice segue elevado porque reflete a própria configuração da economia brasileira.
“A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade, sobretudo devido à grande participação de trabalhadores no comércio e em segmentos de serviços menos complexos.”
Conta própria cresce e revela um Brasil que se reinventa
Outro dado simbólico de 2025 é o crescimento do trabalho por conta própria, que alcançou 26,1 milhões de pessoas, o maior número já registrado. É o Brasil que empreende por necessidade, mas também por oportunidade — um movimento que dialoga com o aquecimento da economia e o aumento da circulação de renda.
A Pnad Contínua, que pesquisa pessoas com 14 anos ou mais em 211 mil domicílios espalhados por todos os estados e o Distrito Federal, considera desocupada apenas a pessoa que efetivamente procurou trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa. Isso torna o dado ainda mais robusto: não se trata apenas de menos gente desempregada, mas de mais gente efetivamente inserida na dinâmica produtiva.
O contraste com o passado recente é brutal. O pico do desemprego na série histórica foi de 14,9%, registrado nos trimestres encerrados em setembro de 2020 e março de 2021, em pleno colapso provocado pela pandemia de covid-19.
Caged confirma tendência e aponta força do emprego formal
Um dia antes da divulgação da Pnad, o Ministério do Trabalho e Emprego apresentou os dados do Caged, que acompanha exclusivamente os vínculos formais. Dezembro fechou com saldo negativo de 618 mil vagas, movimento sazonal comum no fim do ano. Ainda assim, o consolidado de 2025 registrou saldo positivo de quase 1,28 milhão de postos de trabalho com carteira assinada.
O dado reforça a leitura de um mercado aquecido e em expansão, sustentado por políticas públicas, retomada de investimentos e ampliação do consumo interno.
2026 no horizonte: menos imposto, mais empregos e nova lógica de trabalho
Os números de 2025 ajudam a sustentar uma perspectiva otimista para 2026. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês deve aumentar diretamente a renda disponível de milhões de trabalhadores, estimulando o consumo, o comércio e os serviços.
Além disso, o debate sobre o fim da jornada 6×1 aponta para uma mudança estrutural no mundo do trabalho. Caso avance, a medida tende a obrigar empresas a reorganizarem escalas e criarem novos turnos, o que pode resultar em maior demanda por mão de obra em praticamente todos os setores da economia.
Mais trabalhadores empregados, com mais tempo de descanso e maior poder de compra, formam um círculo virtuoso que retroalimenta crescimento, arrecadação e formalização.
Um país que volta a acreditar no trabalho
Os dados divulgados pela Agência Brasil, com base no IBGE e no Caged, não são apenas estatísticas frias. Eles contam a história de um país que começa a deixar para trás o trauma do desemprego em massa, da precarização extrema e da perda de renda.
O Brasil de 2025 ainda enfrenta desafios — sobretudo a informalidade e a desigualdade —, mas entra em 2026 com um ativo poderoso: gente trabalhando, carteira assinada, renda em alta e esperança em circulação.
E, em um país onde o trabalho sempre foi mais do que sustento — foi identidade, dignidade e resistência —, isso faz toda a diferença. É ponto para o governo Lula!
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