sábado, 11 de outubro de 2025

Brasil ganha espaço na nova guerra comercial entre EUA e China

Enquanto Trump declara guerra comercial à China, Brasil surge como elo estratégico e novo protagonista global

Por Ronald Stresser | Sulpost

O mundo volta a girar em torno de uma disputa que parece não ter fim. Ao anunciar que poderá taxar em até 100% os produtos chineses a partir de novembro, o presidente norte-americano reacende uma guerra comercial que promete redesenhar o mapa do comércio global — e, no meio desse fogo cruzado, o Brasil surge como um dos maiores beneficiários.

Nos portos, nas lavouras e nas embaixadas, os sinais já são claros: o país tem se consolidado como elo estratégico entre as duas maiores economias do planeta. Desde o início das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, o movimento de reacomodação de mercados tem favorecido o produtor brasileiro, especialmente o do agronegócio.

Relatórios recentes da American Farm Bureau Federation, entidade que representa milhões de agricultores norte-americanos, apontam que o volume de soja embarcado pelos Estados Unidos à China despencou quase 78% entre janeiro e agosto deste ano, em relação ao mesmo período de 2024. A explicação é simples: a China não está comprando menos, apenas escolheu outros parceiros — e o Brasil assumiu o protagonismo.

A soja brasileira segue em ritmo recorde de exportação, consolidando o país como o maior fornecedor mundial do grão. A perda de espaço dos produtores norte-americanos é o reflexo direto de uma disputa que não se limita à economia, mas que expressa o novo desenho das relações internacionais.

Enquanto os Estados Unidos buscam fortalecer sua indústria doméstica, a China amplia laços com países que oferecem estabilidade, segurança alimentar e potencial de crescimento. Nesse tabuleiro global, o Brasil emerge como uma ponte — e não uma trincheira —, capaz de dialogar com ambos os lados sem abrir mão de sua autonomia.

Além do agronegócio, o país também pode se beneficiar pela via das importações. Com maiores barreiras impostas ao mercado americano, a China tende a direcionar sua produção a novos destinos, tornando o mercado brasileiro mais atrativo. Isso pode ampliar a oferta interna de produtos e reduzir preços, ajudando a conter a inflação e fortalecendo a balança comercial nacional nos próximos anos.

Mesmo diante da tensão entre as potências, há uma certeza que se impõe: Estados Unidos e China continuam interdependentes. De um lado, o país asiático é responsável por grande parte das mercadorias que abastecem os lares americanos; de outro, ainda depende de insumos, tecnologia e demanda dos Estados Unidos. É uma relação de dependência mútua, repleta de desafios e conveniências.

Entre o aço americano e a seda chinesa, o Brasil se movimenta com prudência e inteligência. O governo acompanha cada passo dessa disputa, atento às oportunidades que surgem entre as brechas da geopolítica. Num cenário em que os gigantes se enfrentam, o país tem a chance rara de transformar equilíbrio em estratégia — e de reafirmar seu papel como protagonista global em tempos de incerteza.

📌 Com informações da American Farm Bureau Federation, CNN Brasil e Valor Econômico.

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