Megaoperação cumpre 559 mandados nesta segunda (15), o alvo é um grupo que atua de dentro dos presídios; Curitiba está entre as cidades com ações em andamento – operação ocorre após final de semana no qual PRF já havia apreendido mais de 3 toneladas de maconha ilegal nas estradas do Estado
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| Reprodução Internet |
O dia amanheceu tenso para as forças de segurança no Paraná. Ainda antes do nascer do sol, viaturas começaram a circular por ruas, bairros e estradas de diversas regiões do estado. Em Curitiba e em outras 33 cidades paranaenses, agentes das forças de segurança saíram simultaneamente para cumprir uma das maiores operações contra o crime organizado já realizadas pelo Ministério Público do Paraná nos últimos anos.
Batizada de Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), a ação foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio integrado da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica. O objetivo é atingir uma organização criminosa com atuação dentro e fora do sistema prisional.
Mais de 500 mandados
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraná, estão sendo cumpridos 559 mandados judiciais, dos quais 304 são de prisão e 255 de busca e apreensão.
A operação mobiliza aproximadamente 1.000 agentes de segurança, distribuídos em mais de 200 equipes, numa força-tarefa que se estende também para São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Uma parcela significativa dos alvos já se encontra no sistema prisional. De acordo com os dados oficiais, 176 mandados de prisão e 92 mandados de busca foram executados dentro de unidades penais, resultado de investigações que apontam para a continuidade de atividades criminosas a partir do cárcere.
Curitiba entre os principais focos
No Paraná, os mandados são cumpridos em 34 municípios, incluindo Curitiba, São José dos Pinhais, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Guarapuava, Paranavaí, Umuarama, Francisco Beltrão e Guaíra, entre outros.
As investigações foram conduzidas pelos dez núcleos regionais do Gaeco e vêm sendo desenvolvidas desde o final de 2025, envolvendo diferentes comarcas e órgãos do Poder Judiciário.
O que os investigadores procuram
De acordo com o Ministério Público, a meta não é apenas efetuar prisões.
Os investigadores buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de aprofundar as apurações sobre a estrutura da organização criminosa, seus integrantes e eventuais crimes ainda não esclarecidos.
A expectativa é que o material apreendido gere novos desdobramentos investigativos nos próximos meses.
O significado de "Panóptico"
O nome escolhido para a operação tem origem na palavra grega panóptico, que significa algo como "aquilo que tudo vê".
Segundo a explicação divulgada pelo próprio Ministério Público, o conceito remete à ideia de vigilância permanente e monitoramento constante, simbolizando a capacidade do Estado de acompanhar e identificar estruturas criminosas mesmo quando elas tentam atuar de forma oculta.
Atualização de última hora
Até a publicação desta reportagem, o Ministério Público ainda não havia divulgado um balanço consolidado das prisões efetivamente realizadas nem dos materiais apreendidos durante a operação.
Novas informações devem ser divulgadas ao longo do dia, incluindo números atualizados, possíveis flagrantes, apreensões e detalhes sobre a atuação da organização investigada.
O Sulpost acompanha os desdobramentos da Operação Panóptico e atualizará esta reportagem assim que novos dados oficiais forem divulgados pelas autoridades.
Cerco ao crime organizado se intensifica
A Operação Panóptico não acontece de forma isolada. Ela se soma a uma sequência de ações recentes das forças de segurança, estaduais e federais, que vêm ampliando a pressão sobre organizações criminosas e rotas de tráfico que cruzam o Paraná.
Na tarde de domingo (14), a Polícia Rodoviária Federal apreendeu quase 2,5 toneladas de maconha escondidas em meio a uma carga de aço durante uma fiscalização na BR-277, em Guarapuava, na região centro-sul do estado. Dois homens, de 39 e 42 anos, foram presos em flagrante. No dia anterior a PRF já havia apreendido um carregamento de cerca de 555 kg em Alto Paraíso, no Noroeste do Paraná.
Segundo a PRF, um dos suspeitos conduzia a carreta onde a droga estava escondida, enquanto o outro dirigia um automóvel utilizado como veículo batedor, responsável por monitorar o trajeto e alertar sobre eventual presença policial ao longo da rodovia. Ambos portavam pequenas porções de cocaína.
Durante a abordagem, os policiais encontraram vestígios de pó branco na cabine do caminhão. Questionado, o motorista admitiu ter feito uso de cocaína. Conforme as investigações iniciais, a carga teria saído de Foz do Iguaçu e teria como destino final a cidade de Curitiba.
Os dois presos deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte de droga para consumo pessoal e condução de veículo sob efeito de substância psicoativa.
Somada à megaoperação deflagrada nesta segunda-feira pelo Gaeco, a apreensão reforça um cenário de endurecimento das ações de combate ao crime organizado no Paraná.
Enquanto a PRF atua para interromper corredores de tráfico nas rodovias federais, o MP e as forças estaduais avançam contra estruturas criminosas investigadas por manter atividades dentro e fora do sistema prisional. Os resultados das últimas 48 horas indicam que o cerco às organizações criminosas está cada vez mais apertado no estado.

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