Pré-candidato do PDT ao Governo do Paraná fez acusações contundentes, questionou obras da gestão Ratinho Jr. e prometeu uma mudança de rumo para o estado. Assista à entrevista completa e tire suas próprias conclusões
CURITIBA — Em uma entrevista marcada por críticas contundentes ao governo Ratinho Junior, ao novo modelo de pedágio e à condução de áreas estratégicas do Paraná, o deputado estadual e pré-candidato ao Governo do Estado, Requião Filho (PDT), apresentou na Band Paraná um discurso centrado na defesa do interior, da infraestrutura pública e do fortalecimento da presença do Estado na economia.
Ao longo da conversa, Requião Filho procurou se posicionar como uma alternativa ao atual grupo político que governa o Paraná há quase oito anos. O tom foi de oposição direta, especialmente quando abordou temas como saúde, educação, pedágio, Porto de Paranaguá e investimentos no interior do estado.
“Nós precisamos de um Estado com a mão forte que cuide de pessoas, não de grupos econômicos.”
Pedágio no centro das críticas
Um dos temas mais explorados pelo pré-candidato foi o novo modelo de concessões rodoviárias. Requião Filho afirmou que o sistema atualmente implantado repete problemas do antigo pedágio e acusou o governo estadual de não exercer a fiscalização necessária sobre as concessionárias.
“O modelo que temos hoje no Paraná é uma cópia do modelo antigo, com um pouquinho de purpurina e confete por cima.”
Segundo ele, obras previstas já estariam atrasadas e alguns contratos estariam sendo descumpridos. Também criticou o sistema de cobrança por fluxo livre (Free Flow), afirmando que a medida transfere responsabilidades para os usuários sem oferecer contrapartidas equivalentes.
“Já estão descumprindo o contrato, já estão recebendo mais do que deveriam e as obras já estão atrasadas.”
O interior como prioridade
Ao falar sobre suas viagens pelo Paraná, Requião Filho buscou desconstruir a imagem de prosperidade homogênea frequentemente associada ao estado. Para ele, há uma realidade distante dos grandes centros urbanos que não recebe a atenção necessária dos governos.
O deputado afirmou que muitos municípios continuam enfrentando dificuldades de acesso à educação, saúde, infraestrutura e oportunidades de emprego.
“Precisa de faculdade? Tem que ir embora do interior. Precisa de emprego? Tem que ir embora do interior. Precisa de hospital? Tem que pegar uma van e sair do interior.”
Segundo ele, a consequência é um processo contínuo de esvaziamento populacional das pequenas cidades, especialmente entre os jovens.
Saúde e educação
Na área da saúde, Requião Filho afirmou que o processo de regionalização perdeu força e que a população do interior continua sendo obrigada a percorrer grandes distâncias em busca de atendimento especializado.
Já sobre a educação, contestou os indicadores apresentados pelo governo estadual e disse que existem denúncias de manipulação de resultados para melhorar índices oficiais.
“Temos denúncias de professores que têm que alterar notas de alunos.”
Ele também criticou o avanço das plataformas digitais de ensino, argumentando que a tecnologia não pode substituir o papel dos educadores e nem ignorar as diferentes realidades regionais do Paraná.
“A plataformização da educação é bonita na propaganda. Na realidade, ela é dificultosa.”
Litoral e obras do governo
Apesar de elogiar intervenções como a revitalização da orla e a construção da Ponte de Guaratuba, o pré-candidato afirmou que as obras foram conduzidas com foco político e eleitoral.
Ao comentar a engorda da faixa de areia, afirmou que alertas técnicos teriam sido ignorados para garantir a entrega da obra antes do período eleitoral.
“Projeto mal feito. O mar levou mais de R$ 500 milhões embora.”
Sobre a Ponte de Guaratuba, disse que teria priorizado os acessos antes da execução da estrutura principal.
Porto de Paranaguá e acusações de falta de transparência
As declarações mais duras da entrevista surgiram quando o tema passou para o Porto de Paranaguá. Requião Filho afirmou que a administração portuária precisa ser mais transparente e defendeu investigações sobre denúncias envolvendo negócios realizados na área portuária.
“Hoje o Porto tem dono. Eu acho que o Porto tem que ser de todos os paranaenses.”
O deputado também mencionou denúncias relacionadas ao crime organizado e questionou negociações envolvendo terrenos públicos.
“Isso, para mim, cheira a maracutaia.”
Um discurso voltado para 2026
Ao encerrar a entrevista, Requião Filho reforçou a ideia de um governo voltado para a população, buscando contrastar sua proposta com o modelo que atribui ao atual grupo político no poder.
A entrevista faz parte da série promovida pela Band Paraná com os pré-candidatos ao Governo do Estado para as eleições de 2026 e oferece um primeiro retrato das linhas de discurso que deverão marcar a disputa eleitoral nos próximos meses.
Nenhum comentário:
Postar um comentário